Ministros de Brasil e Portugal discutem indústrias de Defesa e missões de paz internacionais

Ministros das Defesa de Portugal e Brasil. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Mundo Lusíada
Com Lusa

O ministro da Defesa do Brasil, general Fernando Azevedo, e o ministro da Defesa de Portugal, João Gomes Cravinho, tiveram uma reunião no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, neste 11 de setembro.

O reforço da cooperação bilateral, as indústrias de Defesa, os assuntos de Defesa no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e as participações em missões internacionais foram os temas centrais do encontro dos ministros brasileiro e português.

O encontro desta quarta-feira entre ambos ministros da Defesa é o terceiro desde que os governantes assumiram funções e, segundo João Gomes Cravinho, demonstram as boas relações entre os dois países.

“Além de Portugal ser nosso berço, nosso parceiro histórico, ele será a porta de entrada do KC390 na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), na Europa, no Oriente Médio”, afirmou o general Azevedo, durante o encontro.

A reunião acontece depois da assinatura, em 22 de agosto, de um “acordo histórico” entre Portugal e o Brasil para a aquisição, pelo Ministério da Defesa de Portugal à brasileira Embraer, de cinco aeronaves militares KC-390 à brasileira Embraer, por 827 milhões de euros.

O ministro brasileiro disse que, na altura, não pode estar presente, mas que assim que lhe foi possível agendou a passagem para Portugal para assinalar o assunto.

Outro tema abordado foi a possibilidade dos dois países participarem em missões internacionais.

A este propósito, João Gomes Cravinho recordou que os dois Estados já têm experiência nesta área, nomeadamente “a integração de militares brasileiros na missão de formação do Exército da República Centro Africana”.

“Essa primeira experiência creio que nos dará lições interessantes como repetir, desenvolver e alargar para outros planos”, prosseguiu.

Confrontado sobre a questão da Amazônia, o ministro da Defesa brasileiro sublinhou que, em dez anos, o contingente das Forças Armadas passou de 20 mil para 45 mil.

Esta presença, afirmou, garante a soberania nessa região que “foi um legado dos portugueses”, disse. Também o ministro Augusto Heleno defendeu, em entrevista à Lusa, que a “história da Amazônia deve muito aos militares portugueses”.

Cortes no orçamento

Em Lisboa, o general Fernando Azevedo e Silva, admitiu que os cortes no orçamento previstos para o próximo ano implicam uma adequação do planejamento estratégico, incluindo ao nível das despesas das Forças Armadas.

“Tivemos um contingenciamento este ano. Esperamos e temos a certeza de que parte dele será ainda descontingenciado”, disse Fernando Azevedo e Silva, durante a visita a Portugal.

Em abril, o ministro da Defesa do Brasil anunciou que o Governo brasileiro bloqueou 5,8 mil milhões de reais (1,3 mil milhões de euros) do orçamento do Ministério da Defesa, valor que representa 44% do orçamento para despesas não obrigatórias da pasta, segundo a imprensa local.

“Tal bloqueio, no momento, não impõe necessidade de mudanças na operacionalidade do Ministério da Defesa. A pasta trabalha com a expectativa de recuperação da economia e reequilíbrio do orçamento brevemente”, informou na altura em comunicado do ministério.

Hoje, o general Fernando Azevedo e Silva disse, em relação ao projeto de lei do orçamento para o próximo ano, que o mesmo deverá ser reduzido, mas assegurou que está a ser procurada uma solução, com “o apoio do Ministério da Economia e do próprio Presidente Bolsonaro”.

“Se mantiver estes patamares previstos inicialmente para o próximo ano temos de adequar o planejamento estratégico e mesmo em relação aos nossos custeios”, adiantou.

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