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Casa de Portugal de SP: A arte ao alcance de todos

Por | 19 agosto, 2008 as 12:00 am | Nenhum comentário

Por Vanessa SeneMundo Lusíada

 

Foto Mundo Lusíada

>> A curadora Geni Settanni, a organizadora da Casa de Portugal de São Paulo, Maria dos Anjos, e a professora Nilza Moreira, ao lado de algumas das obras de artistas portuguesas.

A arte é pintura, os autores são de Portugal, e as telas estão à disposição dos paulistanos. Com curadoria da brasileira Geni Settanni, residente há 10 anos em Portugal, uma exposição coletiva de pintura mostra um pouco dos “Trajectos de Autores Portugueses”. Aberta no último 15 de agosto, na Galeria de Arte da Casa de Portugal de São Paulo, a exposição não tem idade ou classe social, não tem barreiras.

A curadora defende, é uma arte feita para sentir. “Vendo a obra, você pode sentir carinho, outra pessoa pode sentir repulso, quer dizer, é para sentir. Você sente a trajetória, o que levou o artista emocionalmente a fazer aquele trabalho”. Um destes trabalhos é “Poema Mudo” de Chi Pardelinha, natural do Porto, que retrata mulheres que falam apenas por um olhar.

A mostra está acessível a todos que prezam pelos sentimentos. “Não é somente para determinada classe de pessoas. Existem obras que são caríssimas, não é possível que todos possam adquiri-las. Mas para apreciar a arte basta os olhos e o coração, está acessível a todas as pessoas. Quando fazemos uma montagem assim, pensamos nisso, como as pessoas vão visualizar, o que o artista quis colocar ali – principalmente quando é abstrato, com cores que cantam. É como uma poesia”. A prova disso, é a obra de Nela Vicente, que integra a série “As Cores que Tocam”, feita enquanto seu marido tocava piano, e assim ela se inspirava para a pintura.

Antes da vinda desta exposição para capital, Geni promoveu uma mostra de artistas brasileiros em Lisboa, no último mês de julho. Este intercâmbio foi muito bem visto por ambos os lados, não apenas pela promoção fora do país. “Os artistas portugueses foram ver e elogiaram. Eles têm no Brasil mais do que um irmão, é como se fosse um país fantástico, eles têm um carinho todo especial. O que se faz no Brasil foi visto lá”. Em contrapartida, agora os portugueses estão na expectativa das suas obras expostas em São Paulo. “A primeira coisa que eles esperam é um relatório, quem foi e o que acharam, e querem críticas também”. Ana Prata é uma delas, que trouxe a “Festa dos Rapazes” e gostaria que todos a compreendessem muito bem. Sua obra retrata máscaras de carnaval usadas muito no norte de Portugal, e que tem intuito de exorcizar os espíritos do mal, depois de terminada a festa.

Para Geni, o que o público encontra na mostra é um pouquinho da história de cada um dos artistas, com períodos de carreira diferentes. São autores que englobam dos 28 aos 74 anos, alguns que vivem da arte, outros que exercem suas profissões de médico, arquiteto, piloto de avião. A mais nova delas, Rosa Santana, formou-se na Universidade de Lisboa e montou seu ateliê na capital lisboeta, pretendendo viver só da arte. “Lá em Portugal eles são conhecidos, em alguns países da Europa também, mas aqui no Brasil não. E nada como estar na Casa de Portugal” defende a curadora. Entre eles, está também um madeirense, o artista Luiz Henriques tem suas obras espalhadas por todo arquipélago.

Confira mais trechos da conversa com Geni Settanni sobre “Trajectos” e as tendências da arte portuguesa nos dias de hoje. A exposição fica patente até esta segunda-feira, 25 de agosto, na Casa de Portugal de São Paulo.

Seleção dos artistas“Quando você fala de uma mostra no Brasil todos querem participar, querem vir. Foi difícil. Como é uma coletiva, tinha que ser algo diversificado, ao mesmo tempo não poderia ter muito contraste entre os artistas. Então essa seleção foi feita com muito carinho, em consideração à carreira e ao trajeto deles também em Portugal. São artistas que têm uma bagagem artística muito grande”.

Falta de promoção na Arte“Eu acho muito importante, desde a pré-escola, a criança ser incentivada a visitar museus, galerias, espaços culturais e mostrar a história da arte. O que o artista daquele determinado tempo fez naquela época é um patrimônio para humanidade que tinha que ser incentivado. Se a criança for incentivada, quando for um adulto, ela vai sozinha apreciar, vai optar por isso”. “Existe a arte cara mas existe também a arte com preço mais acessível. Hoje em dia, os artistas facilitam, perguntam como você pode pagar porque eles têm prazer de que você tenha um trabalho dele na sua casa”.

Arte contemporânea em Portugal“Hoje Portugal está com uma arte moderna, virada para o abstrato, muito diferente do que era há tempos atrás, quando era muito figurativo e acadêmico. Portugal, como toda Europa, está mais voltado para a arte do sentimento. E está sendo bem aceito, as pessoas gostam de ver”.

Artistas participantes: Ana Couceiro • Ana Leal • Ana Prata • Alba Simões • Carlos Teixeira • Carlos Godinho • Chi Pardelinha • Eduardo Patarrão • Filipe Amaral • João Carita • Luiz Henrique • MHelena Lima • Nela Vicente • Rosário Mateus • Rosa Santana • Vanessa Azevedo





 

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