Turismo apela ao “bom-senso” dos sindicatos para o cancelamento da greve

Da Redação
Com Lusa

A Confederação do Turismo de Portugal (CTP) notou que os portugueses já estão mais do que sensibilizados para as reivindicações dos motoristas e apelou ao “bom-senso” dos sindicatos para que a greve possa ser cancelada.

“Quando se faz um pré-aviso de greve […],um dos objetivos é chamar à atenção da opinião pública. Penso que, neste momento, não há ninguém que não saiba o que é a greve dos motoristas. É ver uma televisão, ouvir uma rádio, comprar um jornal, ver qualquer coisa no digital, que a notícia de abertura é sempre o pré-aviso de greve”, disse à Lusa o presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros.

Neste sentido, tendo em conta que “já se conseguiu chamar à atenção para o problema”, a confederação defendeu que deve “imperar algum bom senso e boa vontade”, sobretudo durante os plenários dos sindicatos, agendados para sábado, de modo a que se possa desconvocar esta greve, que terá “consequências absolutamente imprevisíveis”.

O presidente da CTP garantiu à Lusa estar “otimista” face à possibilidade de a paralisação ser desconvocada, tendo em conta que “se estão a discutir questões salariais a implementar até 2021”, o que dá aos patrões e sindicatos uma margem para “chegar a um bom porto”.

Apesar de saudar os serviços mínimos decretados pelo Governo, Francisco Calheiros vincou que não são suficientes, como comprovam as filas de carros nos postos de abastecimento, a três dias da data para a qual está agendado o início do protesto.

“Não nos podemos esquecer que viemos de anos muito difíceis de troika. Viemos de anos em que o desemprego esteve nos 17%. Neste momento, estamos nos 6%, a economia está a recuperar e estas situações não ajudam em nada a que a economia continue a crescer e o desemprego a baixar”, considerou.

Este responsável prevê ainda “gravíssimos impactos” para o turismo português e notou que, por exemplo, ninguém vai ficar numa fila para abastecer durante uma hora para depois percorrer “dezenas ou centenas de quilômetros” para ir comer uma lampreia ou um leitão.

“Já está toda a gente sensibilizada para o problema, penso que este pré-aviso mais do que cumpriu o seu objetivo”, reiterou.

O Governo decretou na quarta-feira serviços mínimos entre 50% e 100% para a greve dos motoristas de mercadorias que se inicia no dia 12 por tempo indeterminado.

Os serviços mínimos serão de 100% para abastecimento destinado à REPA – Rede de Emergência de Postos de Abastecimento, portos, aeroportos e aeródromos que sirvam de base a serviços prioritários.

O Governo decretou ainda serviços mínimos de 100% para abastecimento de combustíveis para instalações militares, serviços de proteção civil, bombeiros e forças de segurança.

Também para transporte e abastecimento de combustíveis, matérias perigosas, medicamentos e todos os bens essenciais destinados ao funcionamento dos hospitais e centros de saúde, entre outras unidades de saúde, o executivo decretou serviços mínimos de 100%.

O Governo fixou os serviços mínimos para a greve depois das propostas dos sindicatos e da associação patronal Antram terem divergido entre os 25% e os 70%, bem como sobre se incluíam trabalho suplementar e operações de cargas e descargas.

Também na quarta-feira, o Governo decretou, preventivamente, estado de emergência energética, no âmbito do pré-aviso de greve, permitindo a constituição da REPA, com 54 postos prioritários e 320 postos de acesso público.

A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo SIMM, que acusam a Antram de não querer cumprir o acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial.

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