Uma eleição europeia com uma campanha “nacionalizada”

Da Redação
Com Lusa

Separadas por 133 dias, as europeias de 26 de maio arriscam-se a ser, mais uma vez, uma espécie de primárias das legislativas de 06 de outubro.

Apesar de se destinarem à eleição dos 21 eurodeputados portugueses, a campanha põe na estrada candidatos e líderes dos maiores partidos políticos (PS, PSD, BE, PCP, BE), que também levam na bagagem os seus discursos nacionais para os 12 dias de campanha oficial, que começa na segunda-feira.

Antes ainda da ameaça de demissão do Governo, por causa do tempo de contagem da carreira dos professores, foi o próprio PS, através do presidente e líder parlamentar, Carlos César, o primeiro a admitir, numas jornadas parlamentares, em Portalegre, em 25 de março, que a ação do Governo do PS, com o apoio do PCP, BE e Verdes, “será indiretamente sufragada nas europeias”.

E o secretário-geral socialista e primeiro-ministro, António Costa, em 05 e abril, pediu aos portugueses “um voto de confiança ao Governo” nas europeias de 26 de maio, alertando que o desejo da oposição é pedir um “cartão vermelho” ao executivo que lidera.

À direita, o cabeça de lista do CDS às europeias, Nuno Melo, respondeu que sim e, apesar de prometer falar de temas europeus, garantiu também que dançará a música que lhe põem, pedindo aos eleitores que penalizem os socialistas pelo caso das nomeações de familiares para o Governo, ou “familygate”.

Já no primeiro debate a seis, na SIC e SIC-Notícias, em 02 de maio, Paulo Rangel contestou a ideia de António Costa de “nacionalizar” estas eleições, e recusou que estas europeias se tornem uma espécie de “plebiscito cesarista ou bonapartista”.

Em eleições passadas, a tendência para “nacionalizar” as europeias também aconteceu.

Há cinco anos, o PSD e o CDS estavam no Governo e o PS, então liderado por António José Seguro, tinha, igualmente, leituras nacionais.

E defendeu uma “concentração de votos” no PS, nas próximas eleições europeias, por parte dos portugueses que querem afastar a coligação PSD/CDS do poder.

Logo a seguir às eleições, António Costa, na altura presidente da câmara de Lisboa, considerou “poucochinho” os 31,4% obtidos pelos PS de Seguro e desafiou a sua liderança, que veio a ganhar.

As eleições europeias em Portugal realizam-se em 26 de maio e as legislativas estão marcadas para 06 de outubro.

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