Primeiro-Ministro manifesta “total solidariedade” de Portugal com o Brasil

Da Redação

Nesta sexta-feira, o primeiro-ministro, António Costa, manifestou “a total solidariedade” de Portugal “para com o povo brasileiro, com o Brasil, pela situação dramática que se está a viver” na maior floresta tropical do Mundo.

“A Amazônia é um dos maiores pulmões do mundo e o que lá acontece é um problema global”, justificou o chefe do governo em entrevista ao Diário de Notícias.

“Quero expressar a nossa total solidariedade para com o povo brasileiro pela situação dramática que se está a viver e acho que devemos disponibilizar todo o apoio que o Brasil acha que necessita para enfrentar esta situação que, obviamente, nos tem de preocupar a todos”, disse António Costa à imprensa.

Nesta quinta-feira, o Presidente francês voltou a acusar Bolsonaro de mentir em matéria de compromissos ambientais e anunciou que, nestas condições, França vai votar contra o acordo de comércio livre UE-Mercosul, e a Finlândia também sinalizou a possibilidade de proibir a carne bovina brasileira após as veiculações sobre incêndios na região.

Já o primeiro-ministro português manifestou-se contra. “O Brasil precisa de solidariedade e não de sanções. O que nós precisamos é que haja intervenção para ajudar a salvar a amazônia, não é aumentar o número de problemas que existem nestas relações entre a Europa e o Brasil”, disse António Costa.

Segundo declarações ao jornal português, o Primeiro-Ministro considerou que não se deve confundir o “drama que está a ser vivido na Amazônia” com o acordo entre a União Europeia e a Mercosul, salientando ser “um acordo comercial muito importante para a economia portuguesa”.

“Não devemos confundir o drama que está a ser vivido neste momento na Amazônia com aquilo que é um acordo comercial, muito importante, e que levou mais de 20 anos a ser negociado”, sublinhou António Costa.

O primeiro-ministro acrescentou que a pretexto da situação que se vive atualmente no Brasil “não se devem criar pretextos para retardar o acordo com o Mercosul ou encontrar aqui um novo tema de confrontação, porque não seria o caminho correto, nem útil para resolver o problema”.

Bolsonaro mencionou, pelo Twitter, postagem do presidente francês, Emmanuel Macron, sobre as queimadas na Amazônia.

“Lamento que o presidente Macron busque instrumentalizar uma questão interna do Brasil e de outros países amazônicos para ganhos políticos pessoais. O tom sensacionalista com que se refere à Amazônia (apelando até p/ fotos falsas) não contribui em nada para a solução do problema. O Governo brasileiro segue aberto ao diálogo, com base em dados objetivos e no respeito mútuo. A sugestão do presidente francês, de que assuntos amazônicos sejam discutidos no G7 sem a participação dos países da região, evoca mentalidade colonialista descabida no século XXI”, escreveu o presidente brasileiro.

União Europeia oferece ajuda

A Comissão Europeia mostrou-se “profundamente preocupada” com os incêndios na floresta da Amazônia, manifestando apoio ao pedido feito pelo Presidente francês para debater esta situação na reunião do G7 nos próximos dias.

“A Comissão está profundamente preocupada. A Amazônia é a maior floresta tropical do mundo e contém um décimo das espécies mundiais. É por isso que saudamos as intenções do Presidente [francês] Macron em discutir esta questão na cimeira do G7, dada a necessidade de atuar rapidamente”, afirmou a porta-voz do executivo comunitário Mina Andreeva.

Falando na conferência de imprensa diária da Comissão Europeia, em Bruxelas, a responsável notou que a União Europeia (UE) está já “em contato com as autoridades brasileiras e bolivianas” sobre esta questão. “E estamos prontos para ajudar como pudermos, desde logo fornecendo assistência ou ativando o nosso sistema de satélites Copernicus”, apontou Mina Andreeva.

Na cimeira do G7, dos países mais industrializados do mundo, participam os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido.

Em representação da UE estará, no encontro, o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que substituirá na ocasião o líder do executivo comunitário, Jean-Claude Juncker, que foi operado de urgência.

Questionada na conferência de imprensa de hoje se a UE tenciona pressionar o Presidente brasileiro a aplicar medidas para evitar a desflorestação, a porta-voz da Comissão Europeia referiu que o acordo de livre comércio celebrado há dois meses com a organização do Mercado Comum do Sul (Mercosul) é “o melhor instrumento” para o conseguir, desde logo porque tem em conta os objetivos do Acordo de Paris.

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