Portugal não fica imune à crise internacional

Apesar da situação de má conjuntura econômica internacional, o governador do Banco de Portugal acredita que o país não está "perante uma grande recessão" e que as políticas públicas têm instrumentos para "ultrapassar as dificuldades”.

Do Jornal Mundo LusíadaCom agencias

 

André Kosters/Lusa Portugal

>> O primeiro-ministro, José Sócrates, tendo a seu lado o Ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, usa da palavra durante o debate quinzenal 08 Outubro 2008, na Assembléia da República, em Lisboa.

O ministro das Finanças de Portugal, Teixeira dos Santos, afirmou que Portugal não vai escapar à crise que afeta os mercados mundiais. A crise internacional vai ter reflexos "na definição do cenário macroeconômico" para o próximo ano. Ele disse que a economia portuguesa é pequena e que, por isso, a situação econômica do país vai sofrer com os reflexos da crise internacional. Para Teixeira a conjuntura internacional vai ser tida em consideração quando forem definidas as metas para o próximo ano. Em 02 de outubro, o Conselho de Ministros aprovou um conjunto de medidas para o reforço da supervisão do setor financeiro e para o reforço das coimas das infrações e crimes de mercado.

Portugal não entra em recessãoO governador do Banco de Portugal disse que acredita que Portugal não vai entrar em recessão. Vítor Constâncio afirmou que esperar que a economia portuguesa venha a "seguir o crescimento médio da área do Euro, especialmente em 2009", e que Portugal consiga resistir à atual conjuntura internacional.

Segundo ele, Portugal não está "perante uma grande recessão" e que as políticas públicas “têm instrumentos que permitem ultrapassar as dificuldades”. Apesar de afastar uma recessão no país, afirmou que vai rever em baixa as previsões de crescimento. No último boletim emitido, o banco central luso previa um crescimento do PIB de 1,2%, em 2008 e 1,3% em 2009.

Poupanças lusas garantidasJá o primeiro-ministro, José Sócrates, declarou que o sistema financeiro em Portugal tem apresentado "boa saúde" e que as poupanças dos portugueses estão asseguradas, devido à "boa resistência" dos bancos nacionais perante a crise dos EUA.

O governo luso promete, com as medidas que puder, auxiliar os portugueses a atravessar esta situação, marcada por crescente subida de taxas de juro. "Já tomamos uma medida, que entrará em vigor no próximo ano, o aumento das deduções fiscais para aliviar as despesas das famílias com habitação, em sede de IRS, já intervimos também no IMI e isso ajuda as famílias com problemas nessa área. Esta é, porventura, a área que mais problemas causa às famílias portuguesas" disse.

O governo ajudará, porém, desde que não comprometa as contas públicas. "O Estado só não está mais presente porque tivemos de por em ordem as finanças públicas. Não faremos nada que ponha em causa de novo as finanças públicas mas ajudaremos naquilo que pudermos" disse, sem responder sobre a sugestão do antigo ministro das Finanças, Campos e Cunha, de suspender o plano nacional de obras públicas. Segundo ele, que pediu que EUA façam "o que têm que fazer para resolver um problema que eles próprios criaram", o atual cenário comprova que o modelo europeu, de maior regulação, "é mais positivo".

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