Eleição de Obama é decisiva para vencer desafios, diz Cavaco

Para analista político brasileiro, a União Européia terá um novo papel no cenário internacional, mais valorizado, com a ascensão do democrata Barack Obama à presidência dos EUA.

Mundo Lusíada Com Agencias

José Sena Goulão/Lusa Portugal

>> O embaixador dos Estados Unidos da América, Thomas F. Stephenson, fala sobre o resultado das eleições norte-americanas, no âmbito de um almoço promovido pelo American Club of Lisbon, em um hotel da capital, 6 Novembro 2008, em Lisboa.

A eleição de Barack Obama para a presidência dos Estados Unidos "constituirá um contribuição determinante" para ultrapassar os desafios com que o mundo se confronta, disse o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, em carta enviada ao presidente eleito.

"Estou certo de que a ação (de Obama) constituirá um contribuição determinante para a necessária coordenação de esforços a nível internacional a que obrigam os desafios com que o mundo se confronta", afirma Cavaco Silva.

"Só assim seremos capazes de ultrapassar os problemas que se nos colocam e de tirar partido das oportunidades que se nos oferecem", adiantou o presidente luso.

Em seu nome e do povo português, Cavaco Silva endereçou "as mais calorosas felicitações, bem como os mais sinceros votos de sucesso no exercício das altas funções que foi chamado a desempenhar, de forma tão expressiva, pelo povo norte-americano".

Cavaco Silva afirmou estar "seguro de que, no decorrer do mandato" de Obama, os laços de amizade que unem Portugal e os Estados Unidos e a estreita cooperação que caracteriza a relação bilateral, nos mais diversos domínios, encontrarão novas oportunidades para se reforçarem e expandirem".

"Permita-me que frise, ainda, neste contexto, o papel da significativa comunidade de portugueses e luso-descendentes residentes nos Estados Unidos da América, um importante elo de ligação entre os nossos dois países", concluiu.

Para o analista político brasileiro Leonardo Barreto, a União Européia (UE) terá um novo papel no cenário internacional, mais valorizado, com a ascensão do democrata Barack Obama à presidência dos Estados Unidos.

O professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) disse em entrevista à Lusa acreditar que a União Européia, sob a liderança atual do presidente francês Nicolas Sarkozy, será a grande parceira dos Estados Unidos de Obama na busca de soluções para questões internacionais como a guerra do Iraque, do Afeganistão e a crise financeira internacional.

"Os Estados Unidos vão tentar dividir a conta do Iraque com as Nações Unidas e financiar o débito com os diversos países. A saída de Obama é a ONU e a Europa tem interesse em reativar o seu papel no mundo".

O analista destacou que não interessa aos norte-americanos uma retirada humilhante e que uma solução negociada com a ONU sobre o Iraque poderia significar maior flexibilidade dos EUA em temas como reforma do Conselho de Segurança e Protocolo de Quioto.

O professor considerou ainda que, no caso do Afeganistão, os EUA devem usar a mesma estratégia de convidar a comunidade internacional a participar

Em relação ao conflito Israel-Palestiniana, Leonardo Barreto não acredita que o prestígio de Obama seja suficiente para resolver as questões, que são muito antigas e com raízes profundas.

"Mas o democrata pode injetar gás novo. George W. Bush tinha perdido todo o apoio internacional e Obama, que chega com toda legitimidade, tem condições de reabrir o diálogo", assinalou.

Na opinião do professor da UnB, a UE pode ter também um papel importante no âmbito dessas negociações, já que o Oriente Médio é muito mais próximo da Europa do que os Estados Unidos e acaba por sofrer mais com as ondas migratórias.

"No novo rearranjo internacional que deverá ocorrer, Sarkozy terá um papel fundamental e a Europa vai reafirmar-se neste processo. As relações entre Estados Unidos e Rússia também vão necessitar de intermediação", citou.

Barreto lembrou que Sarkozy hoje é o único que pode se sentar com Obama e com o presidente russo, Dmitri Medvedev, e seu antecessor Vladimir Putin no mesmo dia.

Os entendimentos entre EUA e UE passarão também por enfrentar a crise internacional, como já está ocorrendo, com ações coordenadas de nacionalização do mercado financeiro, disse o analista brasileiro. Barreto afirmou não acreditar em "medidas revolucionárias" por parte do Partido Democrata de Obama.

O acadêmico disse temer que o novo governo adote medidas protecionistas para assegurar os empregos dos norte-americanos e é pessimista quanto à Rodada de Doha, se as negociações não forem fechadas ainda no governo Bush.

Questionado sobre uma eventual mudança da posição dos EUA em relação à Cuba, Barreto considerou que esta é a questão internacional mais fácil.

"O fim do embargo a Cuba despertaria uma enorme simpatia da comunidade internacional. Não tem custos econômicos nem políticos e seria uma medida que poderia marcar os 100 primeiros dias do governo, que são essenciais", destacou.

Lula pede "olhe com carinho" para América Latina Durante sessão solene do Congresso Nacional para comemorar os 20 anos de promulgação da última Constituição Brasileira, o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva comemorou a vitória de Barack Obama nas eleições para a presidência dos Estados Unidos.

Lula disse esperar que Obama aperfeiçõe as relações dos EUA com o Brasil e que desenvolva políticas específicas para a América Latina.

O presidente do Brasil também pediu que o novo presidente norte-americano encontre uma saída para o conflito no Oriente Médio e encerre o bloqueio econômico imposto a Cuba pelos EUA. 

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