No Rio, Câmara de Oeiras divulga economia local fortalecida pela tecnologia

Por Igor Lopes

O vice-presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Francisco Rocha Gonçalves, esteve no Rio de Janeiro, no último dia 13, para apresentar aos investidores brasileiros as potencialidades do seu concelho. Em pauta está o Oeiras Valley, um projeto que tem como missão criar um ecossistema único para a inovação e desenvolvimento de Oeiras. Na prática, esse município português pretende destacar-se como um “centro tecnológico de excelência” em Portugal. Além desses pontos, a “ambição do Oeiras Valley é ser o ecossistema número um em Portugal na captação de empresas tecnológicas e ser o primeiro município português da Ciência”.

“Apesar de ser um município de apenas 48 quilômetros quadrados, Oeiras representa perto de 30 por cento da capacidade tecnológica instalada em Portugal e, nas empresas não financeiras, a faturação é a segunda maior do País. A primeira é Lisboa, com 64 mil milhões de euros, depois vem Oeiras, com 24 mil milhões de euros. A terceira é o Porto, com 14 mil milhões de euros e, a quarta, é Vila Nova de Gaia, com 10 mil milhões de euros. A dimensão econômica das nossas empresas não financeiras é do tamanho das empresas do Porto e de Vila Nova de Gaia juntas. Cascais, que passa por ser um município muito rico, tem cerca de 25 por cento da capacidade das nossas empresas em termos de faturação e, se falarmos em termos de exportação, é cerca de um sexto de Oeiras”, avaliou Francisco Gonçalves, que sublinhou também que “Oeiras transformou-se num gigante tecnológico, e fê-lo apostando na captação de grandes empresas de tecnologia, de institutos de investigação científica e trabalhando com muito conhecimento tecnológico e universidades”.

Esse responsável sugeriu que todo esse investimento na área tecnológica tem “modernizado” o cenário social do concelho.

“Oeiras, além de ter empresas com esta dimensão econômica, tem uma dimensão social que é a transformação dessa riqueza em coesão social. Somos hoje o conselho português com melhor qualidade de vida, com mais segurança, com os melhores indicadores de saúde e somos reconhecidamente o município que tem as melhores práticas em termos de coesão social, onde há menos diferenças entre ricos e pobres. O rendimento per capta dos nossos trabalhadores é o mais elevado do País. Apostamos em conhecimento, tecnologia e distribuição dessa riqueza que criamos na coesão social e felicidade para todos”, afirmou Gonçalves.

Investimentos em infraestrutura

A bordo do navio-escola “Sagres, que esteve atracado no Rio de Janeiro de 10 a 15 deste mês, em virtude das celebrações dos 500 anos da primeira volta ao mundo, feito conquistado pelo português Fernão de Magalhães e pelo espanhol Juan Sebastián Elcano, Francisco Gonçalves explicou como o município foi capaz de “superar” Lisboa em termos de captação de grandes empresas do ramo da tecnologia, como a Google, que está hoje instalada no município vizinho à capital portuguesa.

“Começamos um caminho, há 30 anos, de qualificação do nosso território. Foram criadas boas estradas, bons passeios, bons jardins, boas ciclovias, houve um olhar especial para a segurança do cidadão, tratamos da iluminação pública, criamos bairros sociais de qualidade para incluir os que menos têm condições e estimulamos a educação pública de qualidade. Existe todo um ecossistema voltado para a coesão social que permite cativar as empresas de grande capacidade. Mas, paralelo a esse modelo de desenvolvimento, criamos uma série de parques tecnológicos ou empresariais onde essas empresas querem estar instaladas. Temos condições para receber qualquer grande multinacional tecnológica do mundo”, explicou Gonçalves.

“Para terem ideia da vocação desburocratizadora do executivo municipal, o processo de aprovação da instalação da Google em Oeiras esteve no meu gabinete por oito minutos, apenas. Quando temos empresas dessa dimensão, que só por si criam cerca de 1.200 novos postos de trabalho para profissionais altamente qualificados, queremos que elas venham para Oeiras”, reforçou.

António Martins da Cruz, embaixador reformado, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) de Portugal e, atualmente, a presidir a Oeiras Valley, considerou que esse projeto tem um grande potencial para transforar Oeiras num “centro tecnológico de excelência” de Portugal.

“Oeiras está colada em Lisboa, é o município de Portugal com maior rendimento per capta, temos 43 mil empresas em Oeiras e estamos a criar um hub tecnológico e queremos fazer o chamado Tecinvest. Temos já grandes empresas no terreno e estamos a negociar agora com a Apple”, comentou Martins da Cruz.

Forte aposta no Brasil

Para este responsável, investidores brasileiros têm também o perfil necessário para apostar em Oeiras.

“Pesamos que o Brasil está muito adiantado na chamada economia digital, há excelentes startups e empresas tecnológicas no Brasil que querem ir para a Europa. Achamos que Oeiras pode ser uma plataforma de excelência para entrada das empresas brasileiras não só no mercado português como também no mercado europeu”, disse o antigo ministro.

“Oeiras tem excelentes condições de vida, temos mar, estamos perto de Lisboa, os dois canais de TV privados de Portugal estão em Oeiras, temos o aeroporto ao lado, temos praias, a segurança é a ideal para empresas brasileiras se estabeleceram no nosso município”, elencou António Martins da Cruz, que assegurou que toda essa movimentação conta com o apoio dos habitantes locais.

“A população local está satisfeita, primeiro, porque Oeiras já está no mapa da tecnologia em Portugal e, depois, porque a presença de milhares de pessoas de alta qualificação tecnológica e universitária enriquece o mercado local. Quanto mais empresas pudermos levar para o nosso território, melhor”, finalizou o embaixador.

“Sabemos que os brasileiros ganharam novo foco de interesse em Portugal e são muito bem-vindo em Oeiras. Temos hoje mais de 60 nacionalidades em Oeiras e muito mais abertos estaremos para os países irmãos que falam a nossa língua. Temos muita proximidade cultural. Os brasileiros serão muito bem-vindos a Oeiras e serão recebidos de braços abertos”, confirmou o vice-presidente da edilidade.

Próximos passos

O Oeiras Valley foi apresentado no Rio de Janeiro e também em São Paulo. Ainda este ano, haverá uma série de “Road Shows” na Inglaterra, Espanha e Alemanha para apresentar o projeto ao público europeu. O executivo municipal de Oeiras vai divulgar as potencialidades do seu território também na China e no Japão antes do verão deste ano. Além disso, está prevista ainda uma deslocação aos EUA, uma na Costa Leste e outra na Costa Oeste. No futuro, cidades brasileiras como Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre estão no mapa das tentativas de captação de negócios para Portugal.

“Esperamos conseguir investimentos para Oeiras na ordem das centenas de milhões de euros”, adicionou Martins da Cruz.

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