Costa: Investimento direto estrangeiro pode atingir 1 bilhão de euros

Da Redação
Com Lusa

O primeiro-ministro português afirmou que as intenções de investimento direto estrangeiro em Portugal atingem os mil milhões de euros, mas advertiu que o salário médio tem de aumentar para que o país atraia recursos humanos de qualidade.

António Costa avançou com o dado durante o debate quinzenal, na Assembleia da República, em resposta a perguntas formuladas pelo deputado independente do PS Paulo Trigo Pereira sobre perspetivas do investimento direto estrangeiro e do investimento privado em Portugal.

“Neste momento, em processamento na AICEP (Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal) estão cerca de mil milhões de euros de intenções de investimento direto estrangeiro no país. Este investimento direto estrangeiro em Portugal, em primeiro lugar, começou com as empresas que há muito se encontram no país – empresas que nos conhecem bem e, por isso, confiam”, declarou o primeiro-ministro.

António Costa especificou depois que essas intenções de investimento partem de empresas como a Siemens, a Bosch, a Continental Mabor ou a Wolkswagen.

“A atração de investimento direto estrangeiro ajuda a suprir a falta de capital nacional”, sustentou.

Na parte final da sua resposta ao economista e professor universitário Paulo Trigo Pereira, o líder do executivo advogou a tese de que não basta a Portugal aumentar o salário mínimo nacional e defendeu mesmo o aumento da média salarial do país, sobretudo por uma questão de competitividade.

“Há algo absolutamente crucial que o conjunto da sociedade portuguesa, as empresas e os agentes políticas devem compreender: A nossa competitividade não pode mais basear-se num modelo esgotado de baixos salários e de produtos de baixo valor. A nossa competitividade só pode basear-se em produtos e serviços de valor acrescentado”, contrapôs.

Para isso, de acordo com o líder do executivo, “Portugal tem de investir na inovação, na incorporação tecnológica e – algo que é essencial -, na qualificação de recursos humanos”.

“Ora, para possuirmos recursos humanos de qualidade, temos de ter emprego de qualidade, porque ninguém investe na formação com base no trabalho precário, assim como não se atraem recursos qualificados com base em salários baixos. Por isso, não basta fazer subir o salário mínimo. É preciso que o salário médio nacional suba para que Portugal consiga atrair e fixar quadros qualificados”, sustentou.

A política de saúde dominou a primeira parte da interpelação do PS ao primeiro-ministro, com o deputado António Sales a acusar o PSD e CDS-PP de terem seguido uma política “econômico-liberal” neste setor, enquanto o atual Governo está a adotar uma orientação “econômico-social”.

“É preciso que este Governo olhe com humildade democrática para o que falta fazer na saúde”, sugeriu o socialista António Sales, que é médico de profissão.

O primeiro-ministro respondeu que “custa muito à direita que este Governo tenha conseguido introduzir passo a passo melhorias no funcionamento do Serviço Nacional de Saúde (SNS) ao mesmo tempo em que se regista uma saudável redução do défice orçamental”.

“O déficit era o alfa e o ômega da direita, mas sempre à custa do corte de pensões, de salários e de um brutal desinvestimento em serviços públicos. É evidente que a acumulação deste desinvestimento tem hoje um custo acrescido na sua reposição”, advertiu o líder do executivo.

António Costa referiu-se depois a dificuldade com que se depara o seu Governo em termos de políticas sociais.

“Muito do que agora encontramos é aquilo que ainda não conseguimos reverter do que se foi deteriorando nos quatro anos de prolongado desinvestimento”, acusou o primeiro-ministro numa nova crítica dirigida ao anterior executivo.

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