Luso-descendente nomeado para Oscar de melhor figurino

Mundo Lusíada
Com agencias

A comemorar 30 anos de carreira o luso-descendente Luís Sequeira diz que a nomeação para o Oscar de Melhor Figurino do filme ‘A Forma da Água’ realizado por Guillerme del Toro “é o momento mais alto” da sua carreira profissional.

“Dá-me um orgulho enorme ao saber que o meu trabalho é reconhecido desta forma, pois trabalho bastante em tudo o que me envolvo. É fantástico ser nomeado”, afirmou à agência Lusa Luís Sequeira.

Ao Notícias ao Minuto, Sequeira disse que não espera ganhar porque já ganhou. “Eu já ganhei. Para mim isto tudo é uma prenda. É uma prenda estar nomeado porque faço o que gosto, é uma prenda o Guillermo ter-me pedido para trabalhar com ele, é uma prenda ter feito um projeto que eu desenhei, não foi como noutros projetos em que ia às lojas comprar as roupas. Este foi um projeto de paixão. Penso que não vou ganhar. Vou estar contente por estar lá”.

Filho de emigrantes de Lisboa, o luso-descendente reconhece que este “é o ponto alto de 30 anos de carreira” e mostra-se com algumas expectativas de receber o galardão.

“Inicialmente ingressei no mundo da moda. Com o passar do tempo, abri um estabelecimento comercial com uma coleção de homem e de mulher. Mas era uma vida muito sossegada, e queria ter algo com mais. Como tinha uns amigos que estavam a trabalhar num filme de (David) Cronenberg. Eles aconselharam-me a ingressar naquela área”, explicou à Lusa.

A carreira começou “numa posição baixa, de aprendizagem”, como assistente de guarda-roupa de Mean Girls (1994) e Cinderella Man (2005) mas desde o princípio “adorou” e nunca mais pensou em desistir.

“Estive a fazer um filme chamado Mama (2013) com Andy Muschietti. A atriz Jessica Chastain em vez de ter uma madeixa ruiva tinha o cabelo preto. Ela desempenhava o papel de uma artista alternativa. Estava a fazer os últimos pontos a meio da prova quando abrimos a porta e estava lá o Guilherme del Toro. Ele viu-a com a madeixa, e com aquela roupa, e mostrou-se admirado”, contou.

A partir dessa altura, o realizador Guilherme del Toro requisitou os serviços do luso-canadiano por diversas situações.

“Desde essa altura que sempre gostou do meu trabalho. Depois pediu-me para trabalhar com ele no The Strain, uma série de três anos. Ele foi o realizador do primeiro episódio e noutras partes mais de fantasia”, disse.

Foi precisamente em 2016 que o realizador o convidou para trabalhar num “filme dos anos 60”: ‘A Sombra da Água’.

“Foi um sonho tornado realidade, porque enquanto estava a trabalhar nas séries, ele realizou o Pacific Rim (2013) e Crimson Peak (2015). Queria trabalhar com ele num filme, e concretizou-se”, declarou.

O lusodescendente também foi nomeado para o melhor guarda-roupa dos prêmios BAFTA, e ainda para o ‘Costume Designers Guild Awards’ de melhor guarda-roupa, em ‘A Forma da Água’, que para a criação do figurino se inspirou no período da Guerra Fria.

“Em termos de futuro gostava de participar num filme história sobre a cidade de Lisboa, algo que me inspira bastante”, concluiu.

Também o editor de som de Toronto, o luso-canadiano Nelson Ferreira está nomeado para o Óscar de Melhor Montagem de Som por ‘A Forma da Água’.

O filme está entre os cotados para premiações no Oscar, com 13 indicações. A ficção se passa na década de 60, em meio a conflitos políticos dos Estados Unidos da Guerra Fria, e conta a estória de Elisa, uma zeladora em um laboratório experimental do governo, que se afeiçoa a um homem anfíbio mantido preso no local, e elabora um plano para resgatá-lo.

A 90.ª edição dos Óscares acontece dia 04 de março, em Los Angeles, no Estados Unidos.

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