Arte Rupestre por mãos infantis

Ígor Lopes (Portugal)-  Foi inaugurada, na quinta-feira, dia 1, na Régua, a exposição “Arte Rupestre no Douro 2006”, que conta com dezenas de trabalhos realizados pelos alunos da Escola EB 2,3 de Peso da Régua. Tendo as pedras de xisto como “tela”, os miúdos descreveram, através da pintura, a imagem que têm da região. A iniciativa surgiu por parte da Associação dos Amigos do Museu do Douro (AAMD) que, para comemorar o Dia da Criança, lançou, em Maio, um desafio, no qual os alunos podiam desenhar no xisto a sua visão da região do Douro hoje. Como resultado surgiram muitas cores e uma tradicional simbologia que faz relembrar as histórias do Douro. Ao todo, foram apresentados cerca de 50 trabalhos que, através das mãos dos mais pequenos, mostram um pouco da beleza da região. Pinturas de montes, vinhas, rio, homens carregando cestos, camiões de transporte de uvas, copos, garrafas, tesouras de poda, socalcos, o sol, e as cores alimentam o imaginário colectivo das crianças que participaram nesse desafio. Para Amadeu da Costa, um dos representantes da AAMD, o objectivo dessa iniciativa foi colocar o Douro nas mentes das crianças e, a partir daí, deixar que elas, de uma forma rupestre, transmitam, no xisto, a imagem que têm desta região. “Após analisarmos os trabalhos, o mais interessante é podermos ver que cada criança tem uma imagem diferente do Douro. Para além de assinalar o Dia Mundial da Criança, a exposição celebra ainda o Dia Internacional dos Museus, já que esse projecto teve início no dia 18 de Maio, e os 250 anos da Região Demarcada do Douro”, afirma. No dia em que foi aberta a exposição, mais de 500 crianças, de vários pontos da região, puderam conhecer os trabalhos, que vão estar expostos até ao dia 11 deste mês, nos corredores que dão acesso à exposição Jardins Suspensos, no Armazém 43 do Solar do Vinho do Porto, na Régua.

Após essa data, os trabalhos serão divididos entre a Associação e a Escola EB 2,3 da Régua, onde serão preservados para que, mais tarde, os autores dessas obras possam apreciar a imagem que tinham do Douro na sua infância e, quem sabe, pincelar um novo futuro, com cores mais reais, capazes de transmitir aos seus descendentes o que viveram e o que pensavam. E por que a literatura também faz parte da cultura duriense, alguns alunos participantes levaram para casa o livro “O Contador de Histórias dos Jardins Suspensos”, da autoria de José Braga-Amaral. “O evento foi extremamente positivo, na medida em que houve mais pedras pintadas do que estávamos à espera. Pedimos 25 pedras, mas surgiram 50, o que é magnífico. A qualidade dos trabalhos surpreende”, finaliza Amadeu da Costa.

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