Portugal quer Europa a pensar prioridades em parceria com a África

Da Redação
Com Lusa

O chefe da diplomacia portuguesa defendeu, durante o sétimo encontro do Conselho da Diáspora, que as quatro prioridades da presidência portuguesa da União Europeia bem como outras questões da Europa devem ser pensadas “em parceria com África”.

“Pensar a transição digital, a ação climática e o pilar europeu dos direitos sociais parece a Portugal absolutamente essencial”, afirmou Augusto Santos Silva, nesta sexta-feira em Cascais, na abertura do encontro, perante dois terços dos conselheiros da diáspora.

Mas, alertou: “Como a Europa não é uma ilha isolada, como é um continente demograficamente envelhecido ou em envelhecimento e vizinho do continente que mais crescerá demograficamente nos próximos anos, e como a Europa hoje é metade de África, do ponto de vista populacional, e daqui a menos de 30 anos será um quarto de África a nível populacional, nós temos que pensar estas coisas, não à escala do nosso continente, mas em parceria com, pelo menos, esse outro continente vizinho”.

Ainda para justificar a importância dessa parceria, lembrou que a “Europa e África são dois mercados que se entrecruzam” e que a “segurança da Europa hoje está, de uma forma muito expressiva, no Sahel, na África Central e na África do Norte.”

Além disso, disse: “A transição energética coloca desafios tais que podem obrigar também, do ponto de vista institucional, a União Europeia a tomar decisões de grandes consequências e de grande impacto”.

“Seja ao nível nacional, seja ao nível europeu, seja ao nível das Nações Unidas, Portugal tem um protagonismo e uma responsabilidade própria muito grande, não só em cumprir as suas obrigações internacionais, como também contribuindo para que a comunidade internacional assuma as responsabilidades (…) inerentes a esta economia do nosso planeta que vai mudar”, sustentou Santos Silva.

Mas isto, considerou, “não chega”. “Nós temos que fazer esta tripla transição, a transição energética, a transição ambiental e a transição digital com as pessoas e não perdendo as pessoas (…)”.

Aliás, “se não queremos que o populismo campeie na Europa nós temos que explicar aos trabalhadores das fábricas movidas a carvão, aos cidadãos comuns das nossas cidades, aos agricultores, aos criadores de gado, aos técnicos que este é o futuro que se pode ganhar e esta é uma transformação econômica que pode implicar maior produtividade e maiores rendimentos e maiores direitos e não um processo do qual se sintam excluídos”, alertou Santos Silva.

“Se as pessoas se sentirem excluídas, como nós somos felizmente democracias, as pessoas não deixarão operar esta transição. E sabemos que se não operarmos essa transição o nosso modo de vida e a nossa sobrevivência está comprometido”, advertiu.

Por isso, a presidência portuguesa da União Europeia, no primeiro semestre de 2021, “será orientada por quatro grandes prioridades interconectadas”, justificou.

“A primeira prioridade é justamente a da economia digital, a segunda é a da ação climática, a terceira é o pilar europeu dos direitos sociais e a quarta, no domínio da política externa, é a relação entre a Europa e a África”, enumerou.

Por isso, classificou como “feliz” e “oportuno” o tema escolhido este ano pelo Conselho da Diáspora para o seu sétimo encontro que se realizou hoje em Cascais: “A Economia do nosso planeta”.

O Conselho da Diáspora Portuguesa é uma associação privada sem fins lucrativos, fundada em 2012, com o Alto Patrocínio da Presidência da República e do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

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