Um brasileiro tocando uma casa portuguesa

Há sete anos como presidente do clube, Jorge Rodrigues do Valle falou ao Mundo Lusíada sobre o seu trabalho à frente da casa – que ninguém quer assumir. Profissional de educação, Rodrigues do Valle dribla seu tempo escasso entre o social, o cultural e o trabalho, além de tocar o projeto do programa de televisão “TV-Escola”.

Mostrando que está na ativa, recentemente o Clube Tricanas de Coimbra promoveu uma festa do Queijo e Vinho, com um trio que fez sucesso: Leandro, Gilberto Justin, e professor Zezinho na guitarra portuguesa. No próximo 20 de julho, o clube está programando a tradicional Noite das Sopas servindo tradicionais sopas e cremes com a mulher do presidente, a Dona Lea, no comando da cozinha.

Em entrevista ao Mundo Lusíada, Jorge Rodrigues do Valle fala sobre o clube e o folclore do Tricanas, um dos mais antigos grupos do Brasil, dissidente do Verde Gaio, que se dividiu em 1962. Logo após, foi montado o Tricanas de Coimbra e em agosto juntou-se à ele o clube de mesmo nome. Tanto o rancho quanto o clube completam 45 anos no próximo mês de agosto. Mundo Lusíada: Como está a estrutura do Tricanas de Coimbra e o folclore?

Nós passamos por altos e baixos no rancho. De vez em quando alguém briga, sai e volta. Mas o rancho está bem, tem se apresentado em São Paulo, vamos inclusive na Água Branca no meio do mês, portanto estamos em plena atividade. O Rancho é o nosso cartão de visita, o clube começou com o rancho e depois passou a ser clube. Não podemos deixar o rancho morrer e nem o folclore português. ML: A maioria das casas portuguesa da Baixada é bem tradicional, uma cultura de décadas, mas é difícil de se manter?

Quando havia emigração, a efervescência era muito grande, a colônia era bem ativa, produzia muita cultura, muito folclore, música portuguesa, inclusive muita beneficência em termos de caridade. Depois disso a emigração foi acabando, os portugueses que já estavam aqui mantiveram. Mas aí foram morrendo, e os novos filhos e netos quase não mantêm a tradição, então é essa a dificuldade hoje. ML: O senhor é presidente há quantos anos no Tricanas?

Eu estou lá há 7 anos. Num processo de renovação, que não acontece, eu não tenho quem colocar. Na verdade, eu precisei mudar o estatuto para poder mantê-lo numa situação legal, porque estava ilegal. O mandato é de dois anos, com mais dois anos são 4, mas não havia quem assumisse. Então fizemos uma ‘jogada’ com meu vice para que eu pudesse voltar agora, como voltei para ficar mais dois anos. Está difícil, a renovação não acontece. E veja, eu nem sou português. ML: É um exemplo de brasileiros que comandam casas portuguesas, em São Paulo também existe isso, mas chega num momento em que pode atrapalhar a vida profissional e a vida pessoal?

E também nos falta conhecimento. Eu fui à Portugal mas eu não vivi lá. Quando o papo é sobre aldeias, cultivo de cereais, coisas das raízes, eu fico meio afastado porque não é minha terra, isso nos complica. E nos parece, inclusive, que alguns portugueses – alguns, a minoria – não vê muito um brasileiro no comando de uma entidade, com bons olhos. É mínimo mas existe, sentimos que há uma certa retração a este tipo de coisa, eles querem portugueses mas não há, então lá vai o brasileiro. ML: Seria bom um português nato comandar o Tricanas?

É vantajoso, é bom [estar no comando]. Mas hoje tenho uma boa cartela de clientes, e começa a ficar difícil. Além de que o programa de televisão nos toma muito tempo, então começa a complicar. ML: O programa é voltado à educação?

É a “TV-Escola”, aquilo que eu faço 24 horas por dia que é trabalhar com educação. O programa trata somente deste tema – sobre educação, todos os aspectos, como debate a disciplina, métodos corporativos de educação, pedagogia e avaliações, uma série de coisas.

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