Orfeão Português: história centenária celebrada no Rio

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Por Igor Lopes

No último dia 21 de Junho, o Orfeão Português do Rio de Janeiro celebrou uma grande festa que marcou o centenário da instituição. Como toda boa comemoração portuguesa, o evento contou com cardápio típico, música, “bailarico”, diversão e homenagens emocionadas. Localizado na Zona Norte carioca, o clube traz no currículo referências valiosas de nomes consagrados da comunidade portuguesa no Rio, além de momentos de superação.
Para receber os convidados, o presidente do Orfeão Português, Adão Rodrigues Lourenço, confessou que a Casa passou por alguns reparos, ajustes de última hora e recebeu uma pintura. A ideia era fazer uma festa “em grande”, mas a “pouca verba disponível” não permitiu extravagancias.
Em entrevista ao Mundo Lusíada, Adão Lourenço revelou que existe uma grande batalha para contornar os desafios de gerir o clube, mas ressaltou que as contas estão em dia e que a data comemorativa não lhe vai sair da memória.
“Essa data significa muito. Quando eu era sócio, nunca pensei em participar na festa de 100 anos. Casei no clube, fui diretor por duas vezes, mas nunca imaginei ser presidente do Orfeão, quanto mais comandar as comemorações pelo centenário da Casa”, comenta Adão Lourenço.
Este responsável recorda, porém, que o local precisa de reparos e obras de infraestrutura para que venha a ser mais rentável.
“A nossa saúde financeira está tranquila. Não temos dívidas. Estamos pagando apenas as prestações da nossa dívida de IPTU. De resto, está tudo em dia. No entanto, é preciso melhorar o local para que possamos receber festas de grande nível, como casamentos e debutantes. O que temos hoje é um galpão. Muitas pessoas procuram a Casa para fazer grandes eventos, mas desistem ao conhecer a nossa estrutura, pois não temos ar-condicionado e etc. Temos apenas uma quadra de esportes. O local não é adequado para outros eventos”, lamenta Adão Lourenço, que argumenta que, para manter as contas da Casa, o Orfeão aluga as suas dependências para a prática de esportes, festas e eventos, além de atividades particulares.

Homenagens em dia de festa
O evento de comemoração pelos 100 anos do Orfeão contou com a apresentação da banda “Típicos da Beira Show” e do Rancho Folclórico Benvinda Maria, da Casa das Beiras, além do cantor romântico Mário Simões.
Susana Audi, cônsul-adjunta do Rio de Janeiro, e Carlos Páscoa (PSD), deputado português em representação dos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, também marcaram presença.
Autoridades e nomes importantes da história do clube foram homenageados, como familiares dos ex-presidentes e representantes das entidades coirmãs. Dentre os distinguidos com títulos honoríficos estão Adão Lourenço, atual presidente da instituição, Ângelo Horto, presidente do PSD no Rio de Janeiro, e José Nunes.
Houve espaço também para uma homenagem à já falecida Benvinda Maria, por meio do filho Joaquim Felipe Marques Mendes, em recordação da sua “ajuda em reerguer o clube e pelos serviços prestados”.
O presidente do Clube de Regatas Vasco da Gama, Eurico Miranda, também foi alvo de homenagens, em agradecimento pela colaboração com a reforma da quadra esportiva existente no local – e que leva o seu nome -, quando o clube foi reaberto em 1997, após graves problemas.
Alguns dos ex-presidentes falecidos também tiveram a sua memória recordada, como Fernando Tavares, representado por Elza Tavares, Vicente Tavares, representado por Maria Tavares, Carlos Gouveia e etc.

História de superação ligada à comunidade no Rio
Segundo nomes ligados ao clube, os registros de surgimento da instituição remontam a 25 de Julho de 1915, quando foi fundado o “Recreio Dramático Juventude Portugueza”, com o intuito de promover a arte dramática.
No mês de Agosto desse mesmo ano, foi criado um coral que funcionou como incentivador musical, com apresentações no Teatro Municipal do Rio e São Paulo. O sucesso dessa inciativa garantiu a alteração do nome da entidade para “Orfeon Club Juventude Portugueza”, passando mais tarde a se chamar “Clube Orfeão Português”.
O local sempre teve uma boa aceitação por parte da sociedade carioca, recebendo autoridades portuguesas e brasileiras. Em 25 de Junho de 1922, o clube recebeu a visita dos aviadores Gago Coutinho e Sacadura Cabral, após a viagem pioneira da travessia do Atlântico.
Em 13 de Julho de 1925, aconteceu a primeira apresentação do Rancho Folclórico da Casa, que vestia trajes oriundos de Viana do Castelo, para uma plateia que contava com o embaixador Marinho de Melo, o ministro da Fazenda, José Costa, e o ministro da Educação, Gustavo Capanema. Essa data é conhecida por marcar a criação do folclore português no Brasil.
A primeira sede do clube foi no Centro do Rio, deslocando-se mais tarde, em 1964, para a Zona Norte, bairro do Maracanã, através do esforço de Manuel Francisco, então presidente da Casa. Fontes defendem que o “clube deu origem a diversas casas regionais no Rio”.

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