Marly Gonçalves: A alma do fado na Baixada Santista

Por Ronaldo AndradePara Mundo Lusíada

 

Ronaldo Andrade

>> Fadista Marly Gonçalves na Casa da Madeira de Santos

Desde cedo a santista Marly Gonçalves tem o fado na alma. Nas veias, corre o sangue lusitano – o pai era de Lousã, distrito de Coimbra, onde sua mãe, brasileira, foi morar. Aos três anos de idade, a futura fadista, na padaria de seus pais, em Santos, sentava-se ao balcão e punha-se a cantar fados. Os fregueses ficavam maravilhados com tamanha desenvoltura, desenvolvida no quarto de casa com as músicas de Amália Rodrigues.

Por volta dos 12 anos apresentava-se nas festas promovidas pelo colégio e em reuniões de familiares e amigos. Mas foi somente em 1995, em um evento do grupo Amigos do Fado, que Marly passou a cantar com mais afinco, não parando mais desde então, com apresentações na cidade, na Baixada Santista e também em alguns estados do país.

Seu esforço foi premiado: logo no início da carreira ganhou uma bandeja de prata, com a inscrição: “Marly Gonçalves, a revelação do Fado”. Em 1998, recebeu o Jubileu de Prata do Troféu Brás Cubas, por ser a melhor cantora de fados no Brasil. Mas o melhor estava por vir: no ano seguinte, ao fim de uma apresentação no Centro Português de Santos, ganhou um bilhete aéreo para conhecer Portugal, onde durante dois meses cantou nas casas de fado do Bairro Alto, em Lisboa. “Fui muito bem recebida, aplaudida de pé nas apresentações que realizei”, recorda Marly, citando as adegas Machado, Luso, Severa e Mesquita.

Uma passagem que marca para sempre sua estada por terras lusas foi quando se encontrou com Carlos Gonçalves, guitarrista da Amália, que agendou uma entrevista com a mítica Rainha do Fado. Entretanto, dois dias antes do encontro, quando Marly se dirigia para o Porto, uma notícia ouvida no rádio desfez o sonho: Amália Rodrigues falecia, em 06 de outubro de 1999, deixando órfãos inúmeros fãs espalhados em Portugal e no mundo.

Marly admira fadistas como Mariza, Ana Moura e Ana Sofia Varela. Em 2000, lançou seu primeiro CD, “Marly Gonçalves – Recria 16 sucessos da música portuguesa”, e já planeja o segundo. Desta forma, ela reafirma seu objetivo: “Cantar o fado e divulgar a cultura portuguesa no Brasil. E citando uma conhecida canção, finaliza: “Cantarei até que a voz me doa”.

A Grande Noite do Fado A Casa da Madeira de Santos organiza no próximo dia 09 de agosto a “Grande Noite do Fado”. O evento terá a apresentação do cantor e tecladista Fábio Salgado, acompanhado pela cantora Priscila Suzuki, que interpretarão sucessos da Bossa Nova, MPB e músicas internacionais.

Em seguida, o espetáculo fica por conta da fadista Marly Gonçalves, que terá a companhia de Ricardo Araújo (guitarra), José Carlos (violão) e Renato Araújo (baixo). O repertório será composto por canções como Fado da Ilha da Madeira, Mouraria e Coimbra. No cardápio do evento, queijo e vinho. Os convites – no total de quase 300 convidados – já estão esgotados. Na noite serão homenageadas a musicista Glorinha Veloso e a professora-doutora Clotilde Paul, pela apresentação musical e palestra apresentadas, respectivamente, no mês passado, devido ao 32º Aniversário da Autonomia da Região Autônoma da Madeira.

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