7 Bilhões na Mesma Nave-Mãe Azul

Ultimamente vocês têm reclamado muito do número de pessoas na fila do caixa do supermercado ou da padaria? Para tomar o metrô em horário de pico está muito difícil? E os ônibus parecem ‘lata de sardinha’ na hora do ‘rush’? Ou mesmo para fazer uma ‘fézinha’ na loteria e tentar a sorte com os milhões é uma demora daquelas? E tantas outras coisas mais que precisamos de paciência porque sempre há muita gente em todo lugar? Tudo isto é reflexo do fato que o mundo está a poucos dias de atingir uma marca extraordinária: a população humana está chegando à casa dos sete bilhões de habitantes. A previsão da ONU é de que esse divisor será alcançado no dia 31 de outubro. Como curiosidade, para se ter uma idéia, vejam:

  •  Na época de Jesus Cristo, há dois mil anos atrás, a população mundial era de cerca de 300 milhões de pessoas, conforme estimam os historiadores. Isto é menos que a atual população dos EUA (313 milhões) ou algo em torno da soma entre Brasil (194 milhões) e Filipinas (101 milhões). Não havia falta de espaço.

  •  Em 1830 o planeta alcançou seu primeiro bilhão de pessoas, e não parou mais;

  •  Em 1930, o segundo bilhão chegou;

  •  Em 1975, o quarto bilhão;

  •  Em 1987, o quinto;

  •  Em 1999, o sexto;

  •  Em 2011, chegaremos ao sétimo bilhão em poucas horas. Uma rápida multiplicação que passou a acontecer após a Revolução Industrial, na virada do século XVIII para o XIX, com os avanços da tecnologia, da saúde e da educação. Nas últimas décadas temos acrescentado um bilhão de pessoas ao mundo entre 12 e 14 anos, com um crescimento médio/ ano de 1,2%.

Esta pressa demográfica nos traz a urgente necessidade de pensarmos bem sobre nossa caminhada por este planeta, refletirmos sobre nossas ações aqui e agora e o futuro que deixaremos para as próximas gerações. E, mais do que estas pequenas questões de ordem quotidiana lembradas à pouco, que também chateiam, claro, porque tomam nosso tempo e são cansativas, além disto, estamos em verdade vivenciando atualmente uma séria, intensa e multifacetada crise porque ela é sócio-econômica e ambiental. São circunstâncias com as quais não podemos de forma alguma considerar irrelevantes.

Uma breve sucessão de fatos para esclarecer melhor o tamanho do problema. Vivemos hoje uma concentração histórica, inigualável, de poder econômico e político que acarreta a exploração devastadora de recursos humanos e naturais. Um dado espantoso: 20% da população mundial consomem 80% dos recursos naturais disponíveis na Terra. Ainda que os demais 80% da demografia ‘excedente’ fossem expulsos deste mundo, o padrão de consumo capitalista e o desperdício existente, continuaria a fazer estragos estruturais ao ecossistema. Não bastando isso, cerca de 1,1 bilhão de pessoas sobrevivem com menos de 1 dólar por dia e 2,8 bilhões subsistem com menos de 2 dólares/dia nesse momento. Outro absurdo: a infância planetária, formada por dois bilhões de crianças, tem a metade delas vitimas da pobreza e da insegurança alimentar. Quais as perspectivas dessa gente? A OIT – Organização Internacional do Trabalho alerta que quatro em cada dez trabalhadores do mundo são pobres e a natalidade evolui na razão inversa da curva de renda. Entre os que estão empregados, a exploração não deixa por menos: 1,3 bilhão ganham até dois dólares por dia; 489,7 milhões ganham menos de 1 dólar/dia. Dados da ONU e do Banco Mundial indicam que 80% da humanidade vivem com menos de dez dólares por dia. E, com a atual crise detonada pela especulação financeira que acabou por atingir também os Estados nacionais, caso da Grécia, Portugal, Espanha entre outros, foram adicionados mais 30 milhões de desempregados às ruas: hoje ultrapassam 200 milhões em todo o globo. É um desequilíbrio múltiplo.

Por outro lado, falamos em distribuir renda para que todos possam consumir, o que é uma questão de justiça. Mas, e o planeta, como ficará se já com esta situação, com tanta gente excluída, está cada dia mais difícil para a natureza se reproduzir? Se mais gente começar a expandir o consumo, como reflexo, o que restará à Terra? Apesar da natalidade ser decrescente, aumenta a longevidade das pessoas. Engrossa-se a população, forçando assim o potencial predatório sobre os recursos. Crescer entre 3 a 5% ao ano na economia tem um impacto fenomenal sobre a natureza. São recursos ambientais sendo demandados cada vez mais intensamente. Mais terra, mais água, mais madeira, mais combustíveis, mais ar. Até onde conseguiremos ir dessa forma caótica?

É preciso mudar nossa visão de mundo, nos reeducar com vistas a uma nova cultura de cooperação social e respeito à sustentabilidade ecológica, evitando o consumismo e os desperdícios insanos, com tecnologia desenvolvida corretamente para estes fins. Somos todos tripulantes deste organismo viajando pelo universo afora. É obrigação deixar de sermos inconseqüentes para evitarmos um naufrágio. A Mãe-Terra é boa e dadivosa; nós é que precisamos melhorar muito. São Paulo, 27 de outubro de 2011

Prof. José de Almeida Amaral Júnior
Professor universitário em Ciências Sociais; Economista, pós-graduado em Sociologia e mestre em Políticas de Educação; Colunista do Jornal Mundo Lusíada On Line, do Jornal Cantareira e da Rádio 9 de Julho AM 1600 Khz de São Paulo.

1 Comment

  1. MEUS PARABÉNS PELA MATÉRIA. INFELIZMENTE SABEMOS MUITO BEM O FINAL DISSO TUDO, POIS, A GANÂNCIA E O DESEJO DE OSTENTAÇÃO DAS PESSOAS, SEMPRE TIRA DO OUTRO A SUA PARTE, ASSIM AFUNDANDO QUALQUER SOCIEDADE, MAS MESMO QUE O OUTRO TENHA A SUA PARTE, O MUNDO NÃO SE SALVARIA,POIS, O CAPITALISMO SELVAGÉM, SE ENCARREGARIA DE CORROMPELO.

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