Supremo do Brasil quer colaboração premiada também para criminalidade violenta

Da Redação
Com Lusa

Em Lisboa, o juiz do Supremo Tribunal Federal do Brasil, Alexandre de Moraes defendeu a aprovação de legislação específica e “mais dura” para a criminalidade organizada violenta, que inclua também a colaboração premiada.

“A criminalidade organizada não violenta, como a corrupção, que também é gravíssima, já tem legislação boa. A colaboração premiada é aplicada à corrupção e dá resultados. Ninguém vê uma colaboração premiada contra o narcotráfico, o tráfico de armas ou as milícias. Não há essa possibilidade real”, disse.

Alexandre de Moraes falava aos jornalistas no final da sua intervenção no VII Fórum Jurídico de Lisboa, que decorre até quarta-feira, abordando temas da justiça e tendo a participação de vários governantes portugueses e brasileiros, além de juristas, acadêmicos e investigadores na área judicial.

O juiz do STF defendeu, nomeadamente, a necessidade de “um combate específico” ao fenômeno das milícias no país, recordando que estão no congresso nacional vários projetos de alteração das leis criminais e de segurança — incluindo um do governo — que preveem medidas mais apertadas para este tipo de crime.

O projeto do governo propõe menções específicas sobre as milícias — designando-as, inclusive, pelo nome — e que os atos preparatórios da sua atividade passem a ser considerados crime.

Alexandre de Moraes defendeu ainda a alteração das leis contra o terrorismo, “tipificando as milícias como terroristas e possibilitando que os mecanismos previstos na lei antiterrorismo possam ser aplicados à milícia”.

“Há necessidade de um combate específico porque as milícias são diferentes do narcotráfico e do tráfico de armas porque representa verdadeiramente o crime organizado infiltrado no Estado. Não existe milícia se não houver agentes estatais. Na verdade são bandidos travestidos de agentes estatais. Há necessidade de uma legislação muito mais dura”, sublinhou.

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