Brasil e Portugal assinam memorando de cooperação para celebrar 200 anos da independência

Mundo Lusíada

Os ministérios da Cultura do Brasil e de Portugal assinaram, nesta terça-feira no Rio, memorando de entendimento para ampliar a cooperação cultural entre os dois países no âmbito das comemorações dos 200 anos da Independência do Brasil, celebrados em 7 de setembro de 2022.

O memorando prevê a realização conjunta de exposições e espetáculo sobre a temática. Entre os eventos, estão previstos uma exposição no Museu Histórico do Rio de Janeiro, em colaboração com o Palácio Nacional da Ajuda de Lisboa, por meio do empréstimo de pinturas; uma exposição sobre o patrimônio arquitetônico Luso-brasileiro, no Rio de Janeiro, nas instalações do Centro Cultural do Patrimônio – Paço Imperial; uma exposição no Arquivo Nacional da Torre de Tombo, Biblioteca Nacional de Portugal e Palácio Nacional da Ajuda, em datas coincidentes, para marcar o bicentenário do nascimento de Dona Maria da Glória, filha de Dom Pedro I.

A iniciativa engloba ainda intercâmbio para a exposição sobre o Patrimônio Imaterial Luso-brasileiro, em Lisboa e o espetáculo “Frei Luís de Sousa”, no Teatro Nacional D. Maria II, na capital portuguesa, além da disponibilização online de documentação histórica sobre Dona Maria da Glória e D. João VI, pela Direção Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas.

Os dois ministros também se comprometeram a realizar conjuntamente, tanto no Brasil quanto em Portugal, outras atividades comemorativas, como exposições, apresentações culturais, concertos, publicações e seminários. “Este é apenas um dos muitos projetos de cooperação que certamente serão desenvolvidos”, comentou o ministro português da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes.

Para o ministro brasileiro, Sérgio Sá Leitão, este é o pontapé inicial de uma intensa e significativa programação que será desenvolvida até 2022 para celebrar o bicentenário da independência. “É importantíssimo começar esse processo por uma parceria entre Brasil e Portugal. Estamos procurando estreitar as relações culturais, há uma afinidade muito grande, e uma série de medidas estão sendo desenhadas para que esta conexão possa se aprofundar”, disse ele.

“Temos a ideia de realizar algumas iniciativas conjuntas em cada ano (até 2022). Assim, este ano já planeamos e programamos uma exposição que será no Rio de Janeiro, no Museu Histórico Nacional, e que vai trazer a imagem de D. João VI. Nós emprestamos várias obras das nossas coleções, vários retratos de D.João VI e a ideia é, através dos seus retratos, refletir sobre a evolução política deste monarca”, adiantou à Lusa o responsável português.

Incêndio

A reunião bilateral entre os ministros responsáveis pela pasta da Cultura dos dois países serviu também para abordar o tema que marca a atualidade cultural brasileira, o incêndio que devastou o Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Sérgio Sá Leitão agradeceu o apoio dos portugueses neste momento crítico que o país atravessa: “Gostaria de aproveitar para agradecer as manifestações do Presidente de Portugal, também do ministro Luís Filipe em relação ao que houve no Museu Nacional. Essa solidariedade portuguesa é muito bem-vinda e, de certa maneira, serviu para consolar um pouco este nosso coração ferido”.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro, no Brasil, que foi consumido por um incêndio na noite de domingo e madrugada de segunda-feira, possuía um dos maiores acervos históricos e científicos do país, com cerca de 20 milhões de peças.

A instituição, criada há 200 anos pelo rei João VI de Portugal, era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil, e o maior de História Natural e Antropologia da América Latina.

O edifício foi moradia das famílias real portuguesa e imperial brasileira e acolheu a Assembleia Constituinte, antes de se transformar em sede do Museu Nacional, em 1892, reunindo um acervo que integrava a coleção egípcia, que começou a ser adquirida pelo imperador Pedro I, e peças como o mais antigo fóssil humano encontrado no Brasil, “Luzia”, com cerca de 11 mil anos, o diário da imperatriz Leopoldina e um trono do Reino de Daomé, oferecido em 1811 ao príncipe regente português.

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Na agenda da visita oficial do ministro da Cultura ao Brasil segue-se ainda uma viagem a São Paulo, acompanhado pelo ministro brasileiro da Cultura, que inclui uma ida ao Museu da Língua Portuguesa, que também sofreu com incêndio em dezembro de 2015, na sequência de um curto-circuito.

“Trata-se de um museu que, infelizmente, também ardeu em 2015, e também já temos uma cooperação estabelecida. Estamos a ajudar na recuperação dos acervos desse Museu da Língua. Aproveitarei também para visitar a Bienal de São Paulo”, acrescentou Luís Filipe Castro Mendes à Lusa.

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