Felix: Morre um herói luso

Por Everton Calício

Capitão da Seleção Brasileira na campanha da conquista do tricampeonato mundial em 1970 e um dos maiores goleiros da história da Lusa, a Associação Portuguesa de Desportos está triste com a morte de um dos maiores atletas de sua história: Felix.

O grande arqueiro da seleção canarinho iniciou sua carreira como profissional no Juventus da Mooca com apenas 15 anos. Lá foi reserva do legendário goleiro Oberdã Catani, que teve seu auge no Palmeiras.  Destacando-se com a camisa grená, Felix seria contratado pela Portuguesa em 23 de julho de 1955, mas não tinha chance na equipe, pois a Portuguesa já contava com os goleiros Cabeção e Lindolfo.

Sua estréia na equipe lusitana aconteceu no dia 26 de março de 1956, no Torneio Rio-São Paulo durante sua fase Internacional, pois Cabeção então titular da meta rubro verde estava defendendo a seleção brasileira  e Félix jogou na vitória de 2 a 1 contra o Newell’s Old Boys, da Argentina. O jogo aconteceu no Pacaembu.

Foi no Canindé dos tempos de Ilha da Madeira que Felix atuou por cerca de 12 anos (1956/1968) tempos estes que relembrava com grande carinho sempre que vinha visitar a Portuguesa.

Com a chegada do grande treinador e ex-jogador Nena, no final de 1960, Felix passou a ser titular da camisa 1 da Lusa. E foi assim que foi titular absoluto da Rubro Verde de 1961 a 1963, quando passou a revezar o gol luso com outro grande goleiro da Portuguesa dos anos 1960, Orlando, o famoso Gato Preto, que havia sido contratado do São Cristovão, equipe carioca.

Uma curiosidade da passagem de Felix pela Lusa foi no ano de 1965, quando em junho a Portuguesa foi convidada a participar dos eventos esportivos ligado à Feira Internacional de Nova York (1964/1965 –New York World´s Fair) e teve de enfrentar na cidade Ludlow, estado Massachusetts,  a seleção de Boston. O jogo estava tão fácil para os lusos que, em certa altura quando a Portuguesa ganhava por 9×0 Orlando entrou no gol e Félix, em vez de deixar o campo, decidiu atuar no ataque. Após um cruzamento de Almir pela direita, Félix entrou na área e marcou o décimo gol da partida, que acabaria numa sonora goleada de 12 a 1 para a Lusa.

Em sua trajetória na Lusa, Felix disputou quatro partidas pela seleção brasileira, estreando no Pacaembu, em 21 de novembro de 1965, na vitória de 5 a 3 sobre a seleção da Hungria. Ao todo, com a seleção canarinho foram 48 partidas disputadas, conquistando inclusive o bicampeonato da copa Rio Branco (1967/1968) e o tricampeonato mundial de futebol na copa do México de 1970.

Três anos depois, faria sua última partida pela Portuguesa, em um empate de 0x0 com o São Paulo Futebol Clube no Pacaembu, no dia 03 de março de 1968. Daí em diante, vendido por cerca de Cr$ 150 mil cruzeiros atuaria pela equipe do Fluminense do Rio de Janeiro.

 

Félix jogou no Fluminense até 1976, quando resolveu encerrar sua carreira no dia 23 de janeiro, após o diagnóstico de uma calcificação de 7 cm no ombro direito. No ano de 1982, Félix foi técnico do Avaí Futebol Clube de Florianópolis.

Em 2007, assumiu o cargo de diretor-técnico da Inter de Limeira, que disputou a Série A-2 do Campeonato Paulista, tendo passado antes em Categorias de Base de alguns clubes e ter se aposentado como preparador de goleiros do Fluminense ainda em 1977, onde ficou ainda até 1980.

Com a camisa rubro verde, Felix atuou em 305 jogos, tendo tipo 147 vitórias, 71 empates e 87 derrotas, além de fazer um gol.

 

Por Everton Calício

Securitário, pesquisador, memorialista e estudante de jornalismo. Participa como colaborador do Museu Histórico “Dr. Eduardo de Campos Rosmaninho” da Associação Portuguesa de Desportos.

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