Prefeitura do Rio decreta estado de calamidade pública após chuvas

Arquivo/A mesma região que sofreu deslizamentos no temporal passado tornou a ser cenário de desastre.

Da Redação
Com EBC

A prefeitura do Rio de Janeiro decretou estado de calamidade pública, por causa da chuva que atinge o município desde a noite de segunda-feira (8). Com o decreto, passa a ser possível fazer contratação de serviços emergenciais de resposta à enchente sem licitação.

A chuva, a mais forte dos últimos 22 anos, segundo o site Climatempo, já matou dez pessoas.

Caso o governo federal aceite o decreto de calamidade, o documento também facilita a transferência de recursos da União para a prefeitura fazer essas ações emergenciais.

O decreto permite ainda desapropriações e o uso de propriedade particular, no caso de iminente perigo, pela Defesa Civil e outros órgãos municipais.

O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, justificou a medida não apenas por causa da situação emergencial provocada pelo temporal, que provocou enchentes e deslizamentos e matou dez pessoas, mas também porque o município passa por “grave crise econômica”.

A cidade segue em estágio de crise (o mais grave de três níveis da Defesa Civil) há quase 60 horas, desde as 20h55 de segunda-feira. Ainda há vários pontos de alagamento, vias bloqueadas e riscos de deslizamentos. Apesar disso, segundo o sistema Alerta Rio, da prefeitura, não deve chover hoje na capital fluminense.

Prejuízos

A forte chuva de segunda-feira provocou um prejuízo de R$ 182,8 milhões ao comércio carioca, segundo uma pesquisa divulgada dia 10 pelo Instituto Fecomércio de Pesquisas e Análises (Ifec/RJ), da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Rio de Janeiro (Fecomércio RJ).

Nos bairros mais afetados pelo temporal, 76% dos estabelecimentos disseram ter sido prejudicados. A sondagem ouviu 354 estabelecimentos comerciais do Alto da Boa Vista, Barra/Barrinha, Rocinha, Jardim Botânico, Copacabana, Barra/RioCentro, Vidigal, Recreio dos Bandeirantes, Urca, Sepetiba, Campo Grande, Grota Funda, Guaratiba e Jacarepaguá/Cidade de Deus. Esses bairros tiveram maior índice pluviométrico no dia 8, de acordo com medições do Sistema Alerta Rio.

O economista-chefe da Fecomércio RJ, João Gomes, disse que houve um aumento em relação à tempestade que ocorreu no dia 6 de fevereiro, quando o percentual de negócios afetados foi 65%. Comparativamente à forte chuva da última segunda-feira (8), o percentual de negócios prejudicados subiu 11 pontos percentuais, enquanto o prejuízo estimado cresceu 138%, passando de R$ 76,6 milhões, em 6 de fevereiro, para R$ 182,8 milhões na última segunda-feira.

Na atual pesquisa, o número de bairros analisados foi maior, o que elevou também o total de empresários pesquisados. Na pesquisa de fevereiro, foram consultados 273 estabelecimentos.

O economista disse que quase dois terços dos estabelecimentos tiveram prejuízos novamente. “Para mais da metade desses foi um prejuízo maior”. Para Gomes, a tragédia “foi um filme que se repetiu e com bastante prejuízo para o setor representado pela federação”.

Consequências
A falta de funcionários que não conseguiram chegar ao local de trabalho foi apontada por 51,4% dos empresários entrevistados como principal consequência do temporal de segunda-feira, enquanto 28,9% dos locais sofreram dano devido ao alagamento do estabelecimento ou depósito. Para 16,9%, as avarias na estrutura física prejudicaram os negócios. Em 14,1% dos estabelecimentos, o caminhão com mercadorias não chegou. Entre aqueles que afirmaram ter sido afetados, 64,1% tiveram perda ou queda no faturamento.

A maioria dos entrevistados avaliou que demorará entre um mês (54,9%) até três meses (20,4%) para recuperar o prejuízo. João Gomes disse que o problema é mais grave para aqueles estabelecimentos (64,1%) que tiveram prejuízo com as chuvas do dia 6 de fevereiro. “Nem haviam se recuperado da primeira e tomaram novo prejuízo pela segunda vez. Foram duplamente afetados”.

Desse total de 64,1% empresários prejudicados em fevereiro, 56% disseram ter perdas maiores no temporal de segunda-feira e 33% informaram ter tido prejuízo igual nas duas tempestades.

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