Lula é transferido para Curitiba para começar a cumprir pena

São Bernardo do Campo (SP) – O ex-presidente Lula participa de ato em frente no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (Rovena Rosa/Agência Brasil)

Da Redação
Com agencias

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se entregou à Polícia Federal quase 26 horas depois do prazo dado para se apresentar estipulado pelo juiz Sergio Moro. Lula foi levado na noite deste sábado, dia 7, para Curitiba, onde começa a cumprir pena em uma cela especial na Superintendência da Polícia Federal. Ele foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro a 12 anos e 1 mês de prisão.

Lula foi levado de helicóptero do governo de São Paulo para o Aeroporto de Congonhas, na zona sul da capital paulista, após ter feito exame de corpo de delito na Superintendência da PF em São Paulo.

Lula entregou-se à PF em São Bernardo do Campo (SP), após resistência de apoiadores que chegaram a impedir a saída do ex-presidente da sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, onde ele estava desde quinta-feira, dia 05. Por duas vezes, uma multidão de apoiadores tentou impedir que Lula deixasse o local, na saída do prédio.

Discurso

Ao falar pela primeira vez publicamente após a decisão do juiz Sérgio Moro que expediu sua ordem de prisão, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta manhã que irá cumprir a medida judicial, mas fez duras críticas à Justiça, ao Ministério Público e à imprensa.

“Eu sou o único ser humano processado por um apartamento que não é meu, e eles sabem que a Lava Jato mentiu que era meu, o MP mentiu que era meu, e eu pensei que o Moro ia resolver e também mentiu que era meu, e me condenou”, disse em discurso que durou 55 minutos.

“Esse pescoço aqui não baixa eu vou de cabeça erguida e vou sair de peito estufado de lá”. Durante o discurso, Lula disse que “vou cumprir o mandado deles” e “quero fazer a transferência de responsabilidade para eles”.

Em seguida, acrescentou que: “Eu tenho 72 anos. Mas eu não os perdoo por ter mentido que sou ladrão”. Lula fez o discurso para militantes concentrados em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos no ABC, em São Bernardo do Campo (SP), após missa em memória de Marisa Letícia, que completaria 68 anos hoje.

Lula afirmou também que a grande mídia está determinada em colocá-lo no foco do noticiário. “Tenho mais de 72 horas de Jornal Nacional me atacando. Tenho a Record, a Bandeirantes, a rádio do interior me atacando. Mas quanto mais eles me atacam, mais cresce minha relação com o povo brasileiro”.

O ex-presidente defendeu a regulamentação dos meios de comunicação. “Eles têm que saber que nós vamos fazer uma regulação dos meios de comunicação para que o povo não seja vítima de mentiras”.

“Sou uma ideia”

Lula incentivou a participação popular por meio de manifestações e protestos em defesa de ideias e propostas. “Minhas ideias estão no ar e não tem como prendê-las. Meu coração baterá pelo coração de vocês”, disse.

“Não pararei porque não eu sou mais um ser humano. Eu sou uma ideia, uma ideia misturada com a ideia de vocês. A morte de um combatente não para a revolução”, afirmou.

E chamou cada militante de Lula. “Somos Lula”, disse. A frase “Eu sou Lula” foi ecoada na plateia.

Para Lula, ele foi condenado politicamente por ter tirado muitos da miséria. “Se eu cometi esse crime [de ter tirado brasileiros da miséria], vou continuar sendo criminoso nesse país, porque vou fazer muito mais”, acrescentou.

Lula fez críticas ao juiz Sérgio Moro, ao Ministério Público e ao Supremo Tribunal Federal (STF). “A história, daqui uns dias vai provar que quem cometeu crime foi o delegado, o juiz e o Ministério Público. Sairei dessa maior, mais forte e inocente. Quero provar que eles cometeram um crime. Um crime político”, disse.

Lula mencionou vítimas da injustiça no país, entre elas a ex-presidente Dilma Rousseff. “Dilma foi a mais injustiçada das mulheres que um dia ousou fazer política nesse país. A Dilma foi a pessoa que me deu a tranquilidade de fazer quase tudo o que consegui na Presidência da República. Sou grato de coração. Serei profundamente, para o resto da vida, repartirei sempre o sucesso da Presidência com você”, disse ao cumprimentar a ex-presidente.

Acompanharam o discurso o ex-prefeito Fernando Haddad, Guilherme Boulos (líder do MTST e pré-candidato a presidente pelo PSOL), Manuela D’Ávila (pré-candidata a presidente pelo PCdoB), Celso Amorim (ex-ministro das Relações Exteriores), Ivan Valente (deputado federal pelo PSOL), João Pedro Stédile (da liderança do MST), Paulo Pimenta (líder do PT na Câmara), Wellington Dias (governador do Piauí) e o ator Osmar Prado.

Manifestações

Manifestantes contrários ao ex-presidente comemoraram, com fogos de artifício, buzinaço e panelaço o momento em que ele se entregou à Polícia Federal ao deixar a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Houve manifestações em Brasília, Fortaleza, São Paulo e Curitiba, entre outras cidades.

Aliados e simpatizantes do ex-presidente também saíram às ruas em defesa de Lula e pedindo a liberdade dele.

Em Brasília, foram ouvidos barulhos de fogos de artifício, buzinas e panelaços na Asa Norte, na Asa Sul e em Águas Claras, bairros de classe média. A chuva começou e as manifestações diminuíram.

Também em Curitiba, houve manifestações contra e a favor dele. A polícia teve que interferir em situações para evitar maiores confrontos entre os grupos de manifestantes.

Na capital paulista, as manifestações ocorreram no centro e na zona oeste.

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