Hotéis portugueses queixam-se de falta de mão de obra

Da Redação
Com Lusa

O presidente da Associação de Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP) queixou-se de “falta de mão de obra qualificada e não qualificada transversal a todo o setor”, referindo que os baixos salários são uma das razões.

“Neste momento, não há mão de obra e isto deve-nos questionar a todos, porque é que isto acontece e qual a dificuldade que temos de fixar mão de obra neste setor e este é o tema principal nos próximos anos, de como ir buscar a mão de obra e como a fixar, porque a verdade é que temos formação profissional e as pessoas não se fixam nesta área”, disse Raul Ribeiro Ferreira.

Este responsável, recentemente eleito para o terceiro mandato consecutivo à frente da associação, falava na sessão de abertura do XV congresso nacional da ADHP, em Viseu, onde juntou cerca de 250 participantes, entre os quais alunos do setor de várias escolas do país.

No final, explicou à agência Lusa que esta falta de mão de obra, “neste momento, é um bocadinho transversal a todas as áreas de hotelaria”, sendo que o menos afetado é na direção, uma vez que “nos cargos de direção há sempre mais oferta”.

“De uma forma geral falta gente, está tudo com pouca oferta de mão de obra qualificada e sem ser qualificada e isso já se nota muito no aparecimento de mão de obra estrangeira”, adiantou.

No entender deste responsável, uma das causas são a “exportação de mão de obra” e também os “baixos ordenados”, uma vez que “há cursos desde 1957, mas há vários problemas” – um deles tem a ver com os programas de ‘Erasmus’ e os estágios profissionais no estrangeiro que os formandos “são incentivados a fazer, e acabam por ficar por lá”.

Por outro lado, continuou, “os baixos ordenados que se pagam em Portugal é um problema grande” e, no seu entender, o assunto não está a ser discutido, principalmente, “numa altura de crescimento”, uma vez que o Instituto Nacional de Estatística (INE) anunciou um crescimento no turismo de 4% em janeiro deste ano, face ao de 2018.

“Porque é que não conseguimos pagar bem? Esteamos a discutir quem é que paga melhor, quando o problema não tem a ver com isso, ninguém acha que as pessoas pagam mal de propósito, nós somos diretores de hotel, temos a responsabilidade de pagar às pessoas e não pagamos mais porque não podemos”, avisou.

Neste sentido, Raul Ribeiro Ferreira questionou “por que é que as empresas não podem pagar melhor em comparação, por exemplo, com Espanha que paga ordenados acima” dos nacionais e “tem uma operação hoteleira semelhante” à de Portugal.

O congresso começou neste dia 11 na cidade de Viseu, com a entrega dos “Xénios 2018” ou seja, os prêmios de excelência na hotelaria, durante o jantar desta noite, e prolonga-se até sábado.

Receitas na Páscoa

Os hoteleiros portugueses esperam um aumento das receitas na Páscoa, ainda que estimem uma taxa de ocupação semelhante à de 2018, revelou a Associação de Hotelaria de Portugal (AHP).

Na sequência de um inquérito aos hoteleiros, entre 19 e 31 de março, a AHP conclui que “para o período das férias escolares, de 08 a 22 de abril, 45% dos hoteleiros inquiridos indicaram que neste período a taxa de ocupação será igual à Páscoa de 2018. No entanto, o ARR [preço médio por quarto ocupado] e o RevPar [preço médio por quarto disponível] serão superiores para 57% e 60%, respetivamente”.

O mesmo trabalho indica que “as receitas totais e de alojamento serão melhores para 61% dos inquiridos”.

Considerando a taxa de ocupação (TO) e o ARR a nível nacional, a região mais otimista é a dos Açores, “onde 80% dos inquiridos apontaram que será melhor nos dois indicadores, enquanto a menos otimista é a Madeira, onde apenas 17% e 25%, respetivamente, indicaram que será melhor”, informa a entidade.

A AHP revela ainda que “na TO, a segunda região mais otimista é o Centro, onde será melhor para 51% dos hoteleiros. Quanto ao RevPar, os mais otimistas são o Norte e os Açores, onde 78% e 70% dos hoteleiros responderam que será melhor que o mesmo período do ano anterior. Também aqui a Madeira é o menos otimista”.

Analisando o fim de semana da Páscoa, entre 18 e 21 de abril, a AHP refere que 63% dos inquiridos acreditam que a receita será mais elevada do que no ano passado.

A associação fez ainda um balanço do carnaval com os hoteleiros, concluindo que “58% das unidades hoteleiras inquiridas registaram uma igual (24%) ou pior (34%) taxa de ocupação e 38% melhor, face ao mesmo período de 2018. O ARR foi superior para 41% dos inquiridos, acompanhado pelo RevPAR que foi melhor para 40%. 63% dos inquiridos indicaram que a estada média foi idêntica ao ano anterior”.

Os principais mercados foram Portugal, Espanha, Brasil e Reino Unido.

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