Engenheiro do ABC Paulista apresenta estudo sobre segurança do trabalho em Portugal

Da Redação

O engenheiro e coordenador do Serviço de Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT) da Fundação do ABC, Amaury Machi Junior, teve trabalho selecionado para apresentação oral na Conferência Ibero-Americano de Engenharia de Segurança do Trabalho (IBERO-ST) da Universidade Nova de Lisboa, em Lisboa. O evento foi realizado no final de março.

Ao todo, foram selecionados oito trabalhos, entre eles a tese de doutorado de Machi, defendida este ano no Centro Universitário Saúde ABC / Faculdade de Medicina do ABC, em São Paulo, para obtenção do título de Doutor em Ciências da Saúde.

O trabalho, cujo tema é “Expressão dos genes de reparo do DNA (hMSH2 e hMSH6), associados a radiação ionizante”, foi orientado pelo professor Dr. Fernando Luiz Affonso Fonseca, atual vice-reitor da instituição.

O objetivo do trabalho foi propor um estudo caso-controle e analisar as expressões de dois genes de reparo do DNA em profissionais expostos à radiação ionizante, o raio X, em comparação a profissionais não expostos. Além disso, associar as expressões desses genes com as condições de trabalho dos referidos profissionais.

A tese aprofunda a discussão sobre os perigos dos efeitos das radiações ionizantes a que trabalhadores da área de radiologia são submetidos. A longa exposição está associada diretamente a alguns tipos de cânceres, como o de pulmão, de mama e de sangue (leucemia).

Os profissionais selecionados para o estudo trabalham na área de radiologia nas unidades mantidas da Fundação do ABC e têm entre 18 e 65 anos. Foram coletados dados de 30 trabalhadores expostos a radiação ionizante e 30 não expostos, bem como amostras de sangue para extração de RNA e síntese de DNA complementar.

Em termos gerais, a conclusão é de que as radiações utilizadas nos exames de imagens são capazes de danificar o DNA. E, se não houver reparo, existe alto risco de provocar o desenvolvimento de neoplasias. A expressão do gene de reparo hMSH2 apareceu cinco vezes maior no grupo exposto a radiação ionizante.

Sendo a radiação cumulativa, quanto maior o tempo de exposição sem a utilização dos equipamentos de proteção individual e coletivo, pior o prognóstico. Atualmente, o exame complementar para medição das doses de radiação recebida por estes trabalhadores é feita a partir de hemograma completo com contagem de plaquetas. A prática, no entanto, é considerada ineficiente por não ser precisa quanto às doses verdadeiramente incididas.

“Trata-se de uma pesquisa bastante inovadora, pois a aplicação deste método desenvolvido para a análise global da expressão de genes e proteínas é promissora para melhor compreensão da dose-resposta da radiação ionizante. A ideia foi o estudo de um biomarcador para a radiação – espécie de indicador de um estado de doença – utilizando técnicas de biologia molecular”, explicou o engenheiro.

A conferência contou com a participação de entidades como o CONFEA (Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura), Ministério do Trabalho e Emprego, Ministério Público do Trabalho, todos do Brasil, assim como da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Ordem dos Engenheiros de Portugal, Ministério da Justiça e Trabalho de Cabo Verde e do Ministério do Trabalho português.

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