Crítica: Valorização da Língua Portuguesa

ABR/2005 Valorização da Língua Portuguesa Jornalista critica uso da língua e aconselha leitura de bons escritores Prêmio Esso de Jornalismo, Ricardo Osman Gomes Aguiar é jornalista há 25 anos, onze deles trabalhou no Estado de S.Paulo, e atualmente é jornalista da revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, da Editora Globo.

Em entrevista ao Jornal Mundo Lusíada, Osman falou sobre a reprodução do estilo norte-americano na língua portuguesa é uma grande preocupação.

“O problema é que o jornalismo brasileiro atual, pela minha experiência, está baseado no jornalismo norte-americano, não é nem inglês, é norte-americano da década de 50, que vem do New York Times, e que fez a grande revolução do jornalismo mundial, e nós estamos com a nossa linguagem calcada nisso, o que é uma grande preocupação hoje nas redações(…). Isso enfraquece a língua portuguesa que tem sua história própria, e vai ser uma luta muito grande”.

Para Osman, uma forma de modificar esta imagem é valorizar os grandes escritores. “O importante é que o jornalista continue valorizando, tanto na internet, no jornal ou na revista, a leitura de bons livros, de Machado de Assis, de Camões, os grandes escritores brasileiros e portugueses, e que vejam a riqueza disso, um patrimônio que não pode ser esquecido na correria ou por um estilo americanizado, que amanhã, nós podemos achar pouco importante”.

Desde a criação do jornalismo online, muitos profissionais discutem se será extinto o jornal impresso, já que o jornalismo da internet é imediato. Para Ricardo, a discussão está encerrada e a resposta é não. “A internet fornece uma informação rápida, com texto não muito bom, e que atende uma primeira necessidade do leitor. O jornal está se tornando, por outro lado, mais opinativo, ajudando a formar opinião, que a internet não possibilita por causa da velocidade”.

Ganhador do Prêmio Esso de Jornalismo em 1987, quando repórter do jornal O Globo (RJ), Osman lembrou que fez uma reportagem de denúncia sobre a Companhia Estadual de Habitação, a qual havia feito compras super valorizadas de terrenos. O jornalista ficou quatro meses investigando. Após a reportagem ser publicada, o assunto repercutiu por seis meses.

Apesar do reconhecimento, o jornalista critica a desvalorização da profissão no país. “Ganhamos o prêmio e no dia seguinte tem que começar a luta tudo de novo. Nem sempre é tão reconhecido, mas é o que decidimos fazer na vida, nem sempre tem o resultado que queremos e muitas vezes um trabalho define uma situação, atende uma reivindicação de comunidade, do governo, e desse jeito vai se sentindo reconhecido”.

O jornalismo está diretamente ligado à educação, afirma ele, comentando que as pessoas mais humildes, principalmente, têm dois canais de comunicação: a escola e os veículos de comunicação.

“O jornalismo é educativo, ele ensina o que é cidadania, o que é ter direito, os princípios básicos da economia. Um país em desenvolvimento como o Brasil deveria dar mais valor, mas como eu sou muito otimista, tenho certeza que isso é o que vai acontecer”, finalizou.

Matéria na íntegra no Jornal Mundo Lusíada

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