Brasil “descolonizado” e resistência marcam 42ª edição de festival no Porto

Da Redação
Com Lusa

O Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (FITEI) começa neste dia 8 no Porto, com um foco no teatro brasileiro e o objetivo de se “constituir como um lugar de resistência” até 25 de maio.

A 42.ª edição fica também marcada pela parceria com o Festival Dias Da Dança (DDD), que arrancou em 24 de abril depois de os dois apresentarem uma programação em conjunto (“DDD+FITEI”), e de uma semana, intitulada “Semana +”, com propostas de dança e teatro direcionadas para programadores internacionais, dentro da qual se dá o arranque do evento de teatro.

Precisamente na semana virada para curadores, mas aberta ao público, a Mala Voadora estreia um dos destaques da programação do FITEI, ‘Dinheiro’, um espetáculo que recria o enredo de séries como ‘Dallas’ ou ‘Dinastia’ em cena, para hiperbolizar “a violência e a sua bizarria narrativa”, ao explorar a divisão entre os bons e os maus.

Assim, a peça explora temas como a exploração de petróleo, confrontando quem o faz com os defensores de causas ecológicas, mas também outros como a infidelidade, a caça em África ou a compra de crianças, sobreposto sobre “cenários idílicos” e a imagética do dinheiro sempre presente.

O espetáculo, em exibição quarta e quinta-feira no Auditório Municipal de Gaia, é dirigido por Jorge Andrade, assistido por Maria Jorge, e conta com Bruno Huca, Miguel Damião, Joana Bárcia e Isabél Zuaa no elenco, com cenografia de José Capela e edição de imagem de António MV.

Este ano, o FITEI volta a estender-se por várias cidades, passando por Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Viana do Castelo, em particular, mas também por Felgueiras, numa programação virada para o tema ‘Brasil descolonizado’.

Segundo escreve o diretor artístico, Gonçalo Amorim, num texto de apresentação desta edição, os “tempos de forte atividade política” em território brasileiro levaram a que o evento fosse “ao encontro destes artistas que lutam pela descolonização do pensamento”.

“Tudo parece concorrer para uma postura revolucionária e descolonizada, fundadora de um Brasil mais diverso e inclusivo, dando resposta à sua dimensão continental”, pode ler-se.

O diretor destaca vários espetáculos e “as vozes de resistência de Marianella Morena, Renato Livera, Grace Passô, Luciana Lara e Daniele Avila Small”, outros encenadores e artistas, de várias nacionalidades, que apresentam peças em estreia nacional ao longo dos vários dias do certame.

O argentino Federico León regressa após ‘Las Ideas’, apresentado em 2016, com ‘Yo Escribo, Vos Dibujás’, fruto de duas residências artísticas no Porto, no Mosteiro de São Bento da Vitória, mas também a companhia brasileira Lusco-Fusco, com ‘Tchekhov é um Cogumelo’, 18 e 19 de maio no Teatro Nacional São João, e ‘Preto’, de Márcio Abreu (Companhia Brasileira de Teatro), no dia 17 no Teatro Carlos Alberto.

Outro dos espetáculos de relevo é ‘Democracia’, de Felipe Hirsch, no palco do Rivoli no dia 18, assim como a ‘Odisseia’ da Cia. Hiato, com a duração de cinco horas e inspirada pelo dramaturgo de São Paulo Leonardo Moreira, no Rivoli no último dia, 25 de maio.

O Teatrão junta-se ao brasileiro Marco António Rodrigues para apresentar ‘Ala dos Criados’, em a 17 e 18 em Gaia, numa peça do dramaturgo argentino Mauricio Kartun sobre uma greve em Buenos Aires no ano de 1919.

Nas produções nacionais, destaque para a estreia de ‘História Ilustrada do Teatro Português’, de Martim Pedroso, ‘Pela Água’, da companhia A Turma, ou ‘D. Juan Esfaqueado na Avenida da Liberdade’, de Pedro Gil.

A companhia Demo estreia ‘Armadilha’ no Teatro Helena Sá e Costa, no dia 16 de maio, a partir das obras do escritor Rui Nunes,

Depois do DDD, que ainda decorre até este fim de semana, o FITEI passa por palcos como o Palácio do Bolhão, o Teatro Municipal Sá de Miranda ou o Cine-Teatro Constantino Nery, até 25 de maio, altura da festa de encerramento, no Pérola Negra, com o brasileiro DJ Paulão.

O festival inclui ainda vários eventos paralelos, de lançamentos de livros a exposições, como ‘A Luz da Estrela Morta’, de Luísa Sequeira, na Galeria Nuno Centeno, três residências artísticas e um programa de formação, intitulado ‘Isto não é uma escola FITEI’.

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