Adega de maio com música portuguesa, homenagem à NS Fátima e rebate de críticas do ensaiador

Por Odair Sene

No dia 12 de maio, o Departamento Social e Cultura da Portuguesa organizou sua tradicional “Adega da Lusa”, tida como especial por se encaixar na semana de Nossa Senhora de Fátima e o evento ser bem na véspera do “13 de Maio”. Por conta disso uma imagem da Santa foi carregada em andor e colocada no interior do salão onde as pessoas puderam reverenciar a Santa após oração e salva de palmas.
A festa promovida no Salão Nobre teve apresentação do Grupo Folclórico da Portuguesa de Desportos, como convidado o Grupo Folclórico Casa Ilha da Madeira de SP (Folclore e Etnografia Região Autônoma da Madeira) e ainda (entre um grupo e outro) uma apresentação do cantor madeirense Álvaro Florença, que apresentou muitos de seus sucessos, além do famoso bailarico comandado pela Tocata da Lusa, que fechou portanto a noite de muita música portuguesa e claro, fez a alegria do ótimo público presente.
Como se sabe no meio folclórico de São Paulo, o Grupo da Portuguesa foi remodelado no início deste ano, e alguns integrantes saíram por discordarem das mudanças, enquanto outras pessoas retornaram por concordarem com as mudanças.
Neste ínterim o ensaiador Alessandro Paranhos retornou em meados de fevereiro já completando o grupo com pessoas que estavam retornando com ele. “Nós voltamos já com mais seis ou sete pares complementando com quem já estava, e teve mais folcloristas que também vieram para a portuguesa totalizando 14 pares. Também temos dois sanfoneiros, 4 cantadeiras, duas apresentadoras, 2 reco-reco, duas castanholas e por aí vai, somando cerca de 50 componentes”, disse o Alessandro que comanda um grupo bastante grande, e ele ainda tem um grupo chamado “Paranhos de Lima”, que não é oficial, é um grupo para reunir amigos e “brincar” e tocar juntos, sem regras, apenas diversão.
Questionado sobre a própria Adega ser uma grande brincadeira, onde as pessoas vão para se divertirem e dançarem num ambiente bastante descontraído, Paranhos disse que é exatamente este o sentido.
“O primeiro conceito que eu tento passar aos componentes é que a apresentação é apenas uma de muitas apresentações e todas elas têm que ser uma grande brincadeira, o componente precisa entrar para se divertir antes de tudo, não ter a pressão de não poder errar, isso não existe, as pessoas podem dançar leve sem preocupações, e podem inclusive errar sim”, disse ele que vem contando com vários integrantes de outros grupos, como o caso do sanfoneiro Luizinho, ensaiador do grupo de Campinas, que toca na Adega, entre outros citados.
Durante o evento no entanto, o apresentador Alessandro Paranhos usou do microfone para rebater críticas feitas por um ex-frequentador da Adega, de nome “Alexandre Camilo”, que teria publicado ofensas (segundo o apresentador) pela sua cor de pele.
Alessandro explicou para o Mundo Lusíada que depois que abriram no Facebook “qualquer jumento fala o que quer”, disse se referindo a tal postagem. “Eu não mando recados para ninguém, quando eu uso o microfone da Portuguesa para falar alguma coisa, eu falo porque eu estou em minha casa (a Portuguesa está minha casa) eu uso o microfone para falar o que eu acho que tem que ser falado, enquanto falam em redes sociais eu falo aqui, então o senhor Alexandre Camilo que eu considerava um grande amigo, entre outras brincadeiras, quando veio as críticas à Portuguesa, porque a música está errada, porque o traje está errado, a coreografia que está inventada, enfim só sabe falar mal, não sabe falar bem, e eu estou pouco me lixando para isso porque eu quero mais que os convidados se divirtam, eu estou cag… e andando para os entendedores de folclore, e o Alexandre Camilo em uma das postagens colocou assim que, queriam convencer ele, que Portugal é na África, se referindo a minha cor e a cor de muitos componentes que dançam, eu sei que foi para mim [a postagem] porquê o ‘pai de santo’ (por meu traje ser todo branco), ele disse o seguinte entre aspas: ‘Vamos lá ver o pai de santo rodar e girar’ eu sei que rodo muito que eu giro muito, graças a Deus eu sei que tenho essa capacidade, se não tem capacidade coloca o rabinho entre as pernas e fica quieto”, disse.
Sobre se Portugal é na África numa possível conotação de racismo, Paranhos comentou que: “isso é bem chato porque não foi uma crítica à Portuguesa, inclusive alguns componentes de outros grupos (como do Pedro H. de Mello) acharam graça dessa postagem infeliz, mas é o que eu falo sempre, esses entendidos de folclore apontam tanto o dedo para a Portuguesa porque a Portuguesa é um nome muito forte do folclore português, por ser a Portuguesa por ser Canindé, eu gostaria de estar errado, e ser a ovelha negra do folclore, e que eles viessem aqui e me tirassem da Comunidade, são tão poderosos que não conseguem nada e estão na m…. que estão”, disse.
Ao final Alessandro disse que fala diretamente, não se esconde atrás de uma rede social: “eu falei no microfone porque eu tenho uma cor na pele, minha filha tem uma cor na pele, o componente do Santa Marta o Eloi, muitos outros como no Pedro H. de Mello tem componentes de cor, e isso foi muito infeliz, muito infeliz mesmo”, desabafou ele que disse ter sentido a conotação de racismo na postagem do ex-amigo, que terá aqui todo o direito de responder ao tempo que achar necessário.
Alessandro Paranhos é um cara que está bastante atuante na comunidade portuguesa, é ensaiador da Portuguesa, participa do grupo informal (citado acima), também é vocal na banda Alma Lusíada, backing vocal da banda do Roberto Leal, e ainda atende vários grupos folclóricos quando pedem ajuda.
Sobre a festa que foi bastante animada, ele elogiou e valorizou o ambiente da Adega que segue tradicionalmente uma vez ao mês, com alguns almoços esporádicos que também são realizados neste caso com venda de convites. Os eventos folclóricos da Lusa podem ser acompanhados pela agenda do Mundo Lusíada.

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