Conselheiro no Brasil critica Centro de Solicitação de Vistos escolhido pelo Governo português

Mundo Lusíada
Com Lusa

O presidente do Conselho Regional da América Central e do Sul, António David Graça, fez reclamações sobre a escolha do Governo português pela empresa VFS Global para receber pedidos de vistos, criticando o serviço prestado.

De acordo com o conselheiro, o novo centro de processamento de vistos de Portugal no Brasil, anunciado em março, acumula queixas, e as grandes distâncias a percorrer pelos cidadãos são um dos problemas evidenciados pelos usuários.

“O Governo português não tem noção da distância no Brasil, ou os burocratas do governo não sabem as distâncias neste país” declarou ao Mundo Lusíada o conselheiro, que vem recebendo diversas críticas também na sua cidade em Porto Alegre. “Aqui, 30% do faturamento do posto consular era de vistos, é um dos lugares que mais solicita visto, então vai diminuir. Os conselheiros não tem nada a ver com vistos, mas fica uma imagem ruim para o país” declarou.

O posto da VFS Global em São Paulo foi o primeiro a ser inaugurado no Brasil, em março deste ano, seguindo-se Brasília, Salvador, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Na altura, o Consulado divulgou que o novo Centro de Solicitação visava um atendimento rápido e eficiente para os pedidos de vistos para Portugal, e, principalmente, para facilitar todo o procedimento aos milhares de estudantes que, em determinadas alturas do ano, necessitam do visto e enfrentam esperas superiores ao normal nos Consulados.

“Após o Governo português ter contratado a VFS Global as dificuldades das pessoas, que vão desde estudantes a reformados, são cada vez maiores. Na minha opinião, trata-se de um serviço precário e com profissionais totalmente despreparados. O tempo de espera é, em média, de 30 a 40 dias para agendamento”, disse também à Lusa António Graça, questionando a decisão do governo.

“Quero deixar uma pergunta às autoridades portuguesas e ao Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE). Qual o motivo de contratarem esta empresa, VFS Global, que está totalmente despreparada, com funcionários a maltratar as pessoas? Qual o critério? Gostaria que o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) ou o MNE nos desse uma explicação convincente e nos informasse quais as vantagens de terem uma empresa terceirizada a fazer estes serviços, que entendemos ser competência do estado”, acrescentou o conselheiro.

Além de presidente do Conselho Regional da América Central e do Sul, António Graça é também conselheiro das comunidades portuguesas do estado brasileiro de Rio Grande do Sul, tendo usado a sua região para ilustrar as dificuldades que os brasileiros enfrentam no pedido de vistos.

“Os cidadãos procuram-me e pedem ajuda porque o sistema em vigor é muito difícil. Além dos problemas que enumerei, somam-se as distâncias, como é exemplo a minha área consular. De Porto Alegre a São Paulo são 1.100 quilômetros. As pessoas têm de apanhar um voo de mais de uma hora, irem de automóvel ou ônibus até São Paulo, numa viagem de 15 horas, além dos custos das passagens ou combustíveis e portagens, mais estadia”, disse.

De acordo com o Consulado de Portugal em São Paulo, os pedidos de visto dos residentes do estado, de Mato Grosso do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, passaram todos a ser submetidos através do Centro de Solicitação da VFS Global em São Paulo.

“Quem definiu esse sistema realmente não entende de geografia, e muito menos das distâncias no Brasil”, criticou António Graça à Lusa.

Quanto aos custos da documentação, o serviço prestado pela empresa custa 84 reais (cerca de 19 euros), além dos 377,55 reais (84 euros) cobrados pelo visto.

A VFS Global funciona unicamente como um centro de recepção dos pedidos de visto. A responsabilidade sobre a aprovação ou não dos mesmos continua a ser da inteira responsabilidade das autoridades portuguesas, de acordo com a embaixada de Portugal em Brasília.

“O Governo português que procure as queixas que as pessoas relatam na internet, bem como as chamadas telefônicas que não são atendidas. Como conselheiro, já tentei várias vezes entrar em contato com a VFS Global, sempre sem sucesso”, relatou António Graça.

António Graça lamenta que o executivo português não se tenha aconselhado junto dos conselheiros das comunidades acerca da contratação deste serviço que, na sua opinião, deveria continuar a ser prestado pelos consulados de cada região.

Reclamações

O serviço resulta de uma parceria com o MNE de Portugal e prometia, num comunicado emitido pelo Consulado Geral de São Paulo, obtenção de vistos “com tranquilidade e evitando filas nos períodos de maior procura”.

Porém, tendo em conta as queixas visíveis em plataformas de reclamações na internet como o ‘Reclame Aqui’, os problemas acumulam-se, sendo o maior problema identificado a falta de resposta por parte da empresa.

A plataforma já contém 68 reclamações da empresa. “Não sou o primeiro e acredito que não serei o último a reclamar. A empresa é horrível no atendimento, totalmente sem organização e trata as pessoas de um jeito ruim. Já começa na portaria do prédio e estende-se até o momento do visto. Os funcionários são estressados e dá até dó deles. Todo mundo reclama no atraso do visto, inclusive eu que já faz 1 mês e ainda não chegou. Pois, no site do MNE diz que o prazo para o meu tipo de visto é de exatamente um mês e ainda não chegou, sendo que já comprei a passagem e paguei todas as taxas que eles pedem” declarou um dos usuários.

Em outra reclamação, um estudante de mestrado diz que o passaporte está retido há 63 dias, sem previsão de resposta e sem conseguir contato com a empresa. “No momento do atendimento, me informaram que, dentro de 30 dias, eu teria uma resposta. O site da Embaixada de Portugal diz que em geral o processo dura até 60 dias. Ocorre que hoje já decorreram 63 dias sem qualquer resposta. O pior: a empresa está de posse do meu passaporte, de forma que tive que cancelar a passagem que havia comprado para Portugal considerando os 60 dias de prazo. Um baita prejuízo!”

Muitas reclamações também citam que a empresa não presta atendimento aos usuários. “É impossível ligar para a VFS global Portugal, ninguém atende. As informações no site são confusas e ninguém responde email” diz mais uma das críticas.

Também o jornal Folha de S.Paulo desta quinta-feira traz relatos de custos extras pagos por estudantes que pediram por vistos portugueses através da empresa terceirizada, reclamando que a VFS não esclarece quais gastos são opcional e quais são obrigatório durante o processo, segundo a reportagem.

2 Comments

  1. É de lamentar profundamente perder tempo com tanta ignorância.
    Infelizmente, a insatisfação do ser humano é irreparável. Só irá descansar quando mirrar a língua .
    Até março, as críticas eram as mesmas, contra os consulados e funcionários destes.
    As pessoas merecem, sempre aquilo que procuram.

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