Legado do compositor Adelino Moreira é celebrado por Portugal no Rio de Janeiro

O ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, com a fadista Maria Alcina, e o embaixador de Portugal, Jorge Cabral, no Rio.

Por Igor Lopes

O Palácio São Clemente, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi palco, na noite desta segunda-feira, dia 3, de um evento em comemoração ao centenário do compositor português Adelino Moreira. A cerimônia contou com a presença de autoridades do Brasil e de Portugal e com apresentações musicais.

Para marcar esse momento, os Correios do Brasil decidiram lançar um selo e um carimbo comemorativos ao centenário do compositor. Para Cleber Isaias Machado, superintendente estadual de operações dos Correios no Rio de Janeiro, as duas peças filatélicas pretendem homenagear o trabalho de Adelino Moreira.

“Estamos registrando a história de Adelino no Brasil e no mundo, pois o selo e o carimbo farão parte do nosso acervo, do acervo do Museu Postal, em Brasília, e os filatelistas vão também ter acesso ao selo, colecionadores do mundo todo, inclusive de Portugal, poderão ter acesso ao selo do Adelino”, frisou Cleber Machado.

Na opinião do ministro da Cultura de Portugal, Luís Filipe Castro Mendes, é importante ver o Brasil homenagear o compositor.

“Esta é uma ótima homenagem que o Brasil está prestando a um compositor de origem portuguesa. Aqui compôs algumas canções importantes na música brasileira, cantadas e interpretadas por artistas como Nelson Gonçalves e Maria Bethânia. Toca-nos e sensibiliza-nos que o Brasil queira homenagear esse compositor e músico”, comentou o ministro, que revelou ter conhecido há pouco tempo o nome de Adelino Moreira.

“Os compositores são menos conhecidos do que os cantores. Eu tenho muitos discos do Nelson Gonçalves e há canções que todos conhecemos bem, mas que, curiosamente, não sabia que eram de autoria do Adelino e fiquei muito feliz de conhecer o seu percurso biográfico e de poder encontrar a sua família, sobretudo de ver a homenagem no Brasil”, finalizou Luís Filipe Mendes.

A cerimônia, que contou também com apresentação de um coral e com os shows do cantor brasileiro Agnaldo Timóteo e da fadista portuguesa Maria Alcina, ficou marcada também pela presença do embaixador de Portugal no Brasil, Jorge Cabral, do cônsul-geral de Portugal no Rio, Jaime Leitão, do cônsul-adjunto de Portugal na cidade maravilhosa, João de Deus, e do presidente do Real Gabinete Português de Leitura do Rio, Francisco Gomes da Costa.

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História de sucesso

Adelino Moreira de Castro nasceu em Gondomar, em 28 de março de 1918, e faleceu no Rio de Janeiro, em 9 de maio de 2002. Foi compositor luso-brasileiro e celebraria, em 2018, o seu centenário de vida. Adelino chegou ao Brasil com apenas um ano de idade, junto com o seu pai, o Comendador Serafim Moreira da Silva, que tinha apenas 22 anos de idade.

Entre as suas obras destaca-se o grande sucesso “A Volta do Boêmio”, primeiramente gravada por Nélson Gonçalves. Adelino foi compositor de sambas para a escola de samba Unidos de Cosmos, do bairro de Cosmos, próximo a Campo Grande. Em 1948, voltou a Portugal, onde gravou músicas brasileiras, mas retornou ao Brasil ainda no início dos anos 1950, período em que passou a compor mais canções.

Grande parte da sua obra foi gravada por Nélson Gonçalves, para quem passou a compor em 1952, tendo sido “Última Seresta” a primeira canção gravada. No total, foram mais de 370 canções gravadas. A cantora Núbia Lafayete foi lançada em 1959, também gravando diversas canções compostas por Adelino Moreira, como “Devolvi” e “Solidão”.

Rompendo com Nélson Gonçalves, com quem só voltou a gravar em 1975, lançou o cantor Carlos Nobre com a canção “Ciclone”, em 1959. Foi disc-jockey na Rádio Mauá do Rio de Janeiro, em 1967.

Em 1970, teve uma churrascaria chamada Cinderela, na sua casa, também no Rio, em Campo Grande, que recebia vários cantores famosos na época, como Ângela Maria que, em várias ocasiões, declarou publicamente ser Adelino o seu compositor preferido. A fadista Maria Alcina também cantou nesse local.

A música “Negue”, em parceria com Enzo de Almeida Passos, foi a composição que teve mais regravações.

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