Durão Barroso defende reforma com supervisão e alerta de crises

Mundo Lusíada Com agencias

Inácio Rosa – 07.out.08/Lusa Portugal

>> O Presidente da Comissao Europeia, José Manuel Durão Barroso, durante uma conferencia no ambito do Seminário sobre Perspectivas Europeias, na Academia das Ciências, em Lisboa, 07 de Outubro de 2008.

O presidente da Comissão Européia (braço executivo do bloco europeu), José Manuel Durão Barroso, defendeu “uma resposta global” à crise e condenou o protecionismo. “No globalizado mercado de hoje” – concluiu o presidente da Comissão Européia – “todos necessitamos de estar envolvidos”.

Durão Barroso ainda defendeu um processo “que irá culminar com a reforma das próprias instituições financeiras internacionais”, que destaca os princípios da transparência, responsabilidade, aceitação de supervisão transfronteiriça e da administração global, acompanhando mecanismos concretos, como por exemplo de alerta precoce de crises financeiras.

“Penso que neste momento há condições como nunca houve antes para que se proceda a essa reforma global do sistema financeiro”, disse o responsável, lembrando que "há algumas semanas atrás", sobretudo da parte dos EUA, não havia “abertura” para considerar este tipo de reformas. “Uma crise pode também ser uma oportunidade. Se não for agora quando será. A realidade acaba por se impor de uma tal forma que é necessário aproveitarmos esta situação, que é grave, para proceder a algumas reformas”, sustentou.

Para o presidente francês, Nicolas Sarkozy, “o mundo está mal” e vive “uma crise sem precedentes”. A persistente crise financeira “põe em perigo o próprio futuro da humanidade”, afirmou Sarkozy à Agencia Lusa na abertura da 7ª edição da ASEM (Encontro Ásia-Europa), ocorrida em Pequim, capital chinesa.

Sarkozy, que detém a presidência da União Européia até ao final do ano, pediu a participação na anunciada cúpula internacional sobre a crise financeira global, que será realizada em Washington, capital norte-americana, em 15 de novembro.

Recessão no Reino Unido O ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, atribuiu a retração econômica no Reino Unido à crise do crédito, e apelou à ação conjunta entre países. O ministro comentou a divulgação, pelo Instituto britânico de Estatísticas, de que a economia britânica regrediu 0,5% entre julho e setembro, registrando um encolhimento pela primeira vez em 16 anos. “É óbvio agora que a nossa economia e outras economias no mundo estão a encaminhar-se para a recessão”, admitiu.

“O que causou a queda na economia deste país foi, sem surpresa, a crise do crédito: o mercado imobiliário foi afetado, o setor da construção foi afetado e estamos a sentir nos bolsos por causa dos preços altos da energia”, explicou o ministro. “Isso resulta”, acrescentou, “no fato de as pessoas não saírem para comer fora tão freqüentemente, que estão a reduzir nas férias e isso está na origem da diminuição do que produzimos como país”.

Alistair Darling evitou arriscar uma previsão para o fim da recessão, mas admitiu que vai ser um “período difícil”. “Espero que todos os países trabalhem em conjunto, porque precisamos de trabalhar juntos para resolver o que é, apesar de tudo, um problema global”, afirmou.

A contração da economia britânica, que já tinha registrado um crescimento nulo no trimestre anterior, entre abril e junho, aumenta a pressão sobre o banco central para reduzir as taxas de juro para baixo dos atuais 4,5%. Caso repita-se um crescimento negativo no último trimestre de 2008, o país entra tecnicamente em recessão, que é definida pelo registro de dois trimestres consecutivos de retração econômica.

Comércio externo brasileiro No Brasil, as fortes oscilações do mercado financeiro, no último mês, já refletem no comércio externo brasileiro, em virtude da redução de linhas de crédito para exportações e pelo represamento de importações nos portos, sem desembarque, por causa das altas na cotação do dólar. Na terceira semana de outubro, entre dias 13 e 18, as vendas brasileiras para o exterior caíram 4,37% em relação às exportações da semana anterior, de 6 a 11 de outubro. As importações também foram 4,65% menores, na mesma base de comparação.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as vendas brasileiras de produtos básicos (minério, carnes, petróleo, soja em bruto e outros) aumentaram 24,2% entre as duas semanas. Ao contrário, as exportações de manufaturados (etanol, celulares, laminados de ferro e aço, veículos) caíram 10,4% e as vendas de bens semimanufaturados (óleo de soja, ferro-liga, açúcar e celulose) diminuíram 32,1%. As importações acumularam US$ 10,067 bilhões, um crescimento de 38,1% sobre a média diária de outubro de 2007, mas a internalização de mercadorias estrangeiras, neste mês, está 1,3% menor que em setembro.

Em 22 de outubro, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em forte queda em pregão marcado pela interrupção dos negócios durante a tarde após recuo de 10% nas cotações. No final do dia – cujo pregão foi prorrogado devido à paralisação – o índice Ibovespa, o principal do mercado nacional, marcou baixa de 10,18%, aos 35.069 pontos.

As bolsas registraram fortes perdas em todo o mundo com o medo de recuo da economia mundial. Nos EUA, o quadro foi agravado por resultados negativos de empresas, como o banco Wachovia, que anunciou prejuízo recorde de US$ 23,9 bilhões.

Na Ásia, o pior desempenho ocorreu em Tóquio, onde o índice Nikkei, que registrou pequeno lucro no pregão de 21 de outubro, perdeu 6,79% e fechou o dia em 8.674,69 pontos. Foi a décima pior queda percentual desde a criação do indicador, em 1950.

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