O Presidente de Portugal e o primeiro-ministro reuniram-se neste dia 03 e afirmaram-se “focados no futuro e no restabelecimento de uma democracia plena” na Venezuela, após a deposição do líder venezuelano por forças militares dos Estados Unidos (EUA).
“Estamos focados no futuro e no restabelecimento de uma democracia plena onde os venezuelanos escolham livremente o seu futuro”, lê-se numa publicação de Luís Montenegro na rede social X.
“Não tendo reconhecido os resultados das eleições de 2024, tomamos nota das declarações e garantias do Presidente Donald Trump e constatamos o papel dos EUA na promoção de uma transição estável, pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela com a maior brevidade possível”, acrescentou.
Luís Montenegro destacou ainda que o executivo está a “acompanhar em permanência e desde o primeiro momento a situação na Venezuela, com atenção particular à segurança e ao bem-estar” da comunidade portuguesa e que a embaixada de Portugal em Caracas e os consulados no país “estão plenamente mobilizadas para acompanhar” os cidadãos portugueses.
Na reunião com o Presidente da República, Montenegro esteve acompanhado pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.
Foi também acordado acrescentar este ponto à Reunião do Conselho de Estado de dia 9 de janeiro.
Os Estados Unidos lançaram hoje “um ataque em grande escala contra a Venezuela”, para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, não sendo ainda claro quem vai dirigir a Venezuela após a queda de Maduro, e admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
Comunidade
O Governo português declarou como prioritária a segurança dos portugueses na Venezuela e apelou à redução das tensões e ao respeito pelo Direito Internacional.
“A prioridade do Governo é, e continuará a ser, a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela”, afirmou hoje, em comunicado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE).
Portugal, acrescentou, “apela à redução das tensões, ao respeito pelo Direito Internacional e pela Carta das Nações Unidas, bem como à promoção da segurança e da tranquilidade públicas”.
Na mesma nota, o ministério liderado por Paulo Rangel indicou que a comunidade portuguesa na Venezuela se encontra “bem e calma, embora naturalmente expectante”.
Uma vez que as autoridades venezuelanas decretaram estado de emergência, o Governo “reafirma o apelo à tranquilidade e precaução” já dirigido antes, em comunicado, à comunidade portuguesa na Venezuela.
Segundo o MNE, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e o Governo português (PSD/CDS-PP) “estão acompanhar, em permanência e desde o seu início, a situação na Venezuela, em estreita colaboração com o senhor Presidente da República”, Marcelo Rebelo de Sousa.
O executivo está a seguir a situação através da embaixada de Portugal em Caracas e da rede consular no país e está também a realizar “contactos intensos” com os parceiros europeus, as instituições da União Europeia e os países da região, indicou o Palácio das Necessidades.
O Governo também “contactou diretamente” o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, e as principais forças da oposição.
O executivo recordou que não reconheceu “os resultados eleitorais de 2024”, que deram vitória a Nicolás Maduro, contestada pela oposição.
Defendendo “o regresso tão rápido quanto possível à normalidade democrática”, o Governo adiantou que continuará “a acompanhar de perto, juntamente com os parceiros internacionais, a evolução da situação”.




