O embaixador de Portugal junto da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) disse neste dia 17 que “não cabe aos ministros decidir” sobre quem vai liderar a comunidade a partir de 2027, numa resposta ao MNE da Guiné Equatorial.
“A futura presidência é uma matéria que ainda vai ser decidida, é uma competência dos chefes de Estado e do Governo, da Conferência dos Chefes de Estado e do Governo e, portanto, não cabe aos ministros decidir sobre essa matéria, cabe aos Presidentes e aos chefes de Governo”, respondeu António de Almeida Lima quando questionado pela Lusa sobre as declarações do ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné Equatorial.
“A Guiné Equatorial está pronta para assumir a presidência da CPLP e a próxima cimeira da CPLP terá lugar em Malabo”, disse Simeon Angue aos jornalistas, no final de uma visita, esta manhã, à sede da organização lusófona, que hoje comemora 30 anos.
Horas depois, o embaixador de Portugal na CPLP vincou que a preferência portuguesa para assumir a liderança da CPLP a partir de 2027 recai sobre o Brasil.
“A situação mundial aconselha que tenhamos na presidência um país como o Brasil, que tem uma visão geoestratégica mais global, no sentido em que está envolvido em várias regiões, nomeadamente com os BRICS e com o G20, tem outro tipo de preocupações e é importante para a CPLP ter na presidência nos próximos anos um país com uma dimensão global bastante significativa e que trará certamente para todos nós uma mais-valia grande”, acrescentou o diplomata nas declarações à Lusa à margem da inauguração da chancelaria de Portugal junto da CPLP, situada na rua do Ministério dos Negócios Estrangeiros.
António de Almeida Lima admitiu que “um dia” a Guiné Equatorial possa liderar a comunidade dos países lusófonos, mas vincou que a preferência atual do Governo português recai sobre o Brasil, que aproximou-se novamente da CPLP durante a presidência de Lula da Silva, depois de um afastamento enquanto Jair Bolsonaro foi o presidente brasileiro.
“Respeitamos a Guiné Equatorial, que é um país membro e poderá eventualmente vir a assumir a presidência um dia também, mas, neste momento, a opção portuguesa tem sido essa, mas é um assunto que continua a ser discutido”, explicou.
Na cimeira de Bissau, em 2025, os chefes de Estado e de Governo não chegaram a consenso sobre a atribuição da próxima presidência da organização lusófona, com uns a apoiarem a Guiné Equatorial e outros o Brasil.
O assunto da próxima presidência da CPLP para o biênio 2027-2029 deverá ser abordado no Conselho de Ministros da organização, que vai realizar-se em Díli a 18 e 19 de agosto.
Neste dia 17, no final de um encontro com a secretaria-executiva da CPLP, Fátima Jardim, e os representantes permanentes desta organização, Simeon Angue foi confrontado com algumas questões que desde a adesão deste país à CPLP, em 2014, têm merecido alguma polémica, nomeadamente a pena de morte.
“Já não há moratória. Já não há pena de morte. A pena de morte já foi abolida na Guiné Equatorial”, referiu o chefe da diplomacia.
O ministro referiu ainda que o seu país está a “tomar medidas concretas para avançar na questão da língua portuguesa”.
Atualmente, a presidência rotativa da CPLP é exercida por Timor-Leste depois da suspensão da Guiné-Bissau da organização, em dezembro, na sequência do golpe de Estado de 26 de novembro de 2025.
Integram a CPLP Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau. Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
Manifestação
Já neste sábado em Lisboa, dezenas de guineenses manifestaram-se em frente ao palácio de Belém, em Lisboa, num apelo ao Presidente da República, António José Seguro, para que atue junto da comunidade internacional para a libertação de Domingos Simões Pereira.
“Queremos que o Presidente intervenha junto das instituições internacionais, nomeadamente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP], a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO], a União Africana e a União Europeia e depois, posteriormente, também junto das Nações Unidas […], influenciando favoravelmente a libertação de Domingos Simões Pereira”, disse à Lusa o organizador da manifestação, Mariano Quande.
O presidente eleito da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, está “injustamente detido nas celas da Segunda Esquadra em Bissau, sem uma acusação formal, com um tribunal constituído à revelia da Constituição, propositadamente só para julgar um político”, asseverou o representante.
Na manifestação os participantes erguiam bandeiras da Guiné-Bissau e cartazes acusando o ex-Presidente da Guiné Bissau Sissoco Embaló de “traidor da pátria”. Entoavam gritos de ordem como “a luta continua” e “abaixo os traidores”.




