Orquestra Maré do Amanhã faz homenagem à música portuguesa no NOS Alive e lança livro

Foto divulgação

Da Redação

Da música pop portuguesa ao funk carioca, passando por Shakira, Nelly Furtado, Twenty One Pilots e Red Hot Chili Peppers. É com um repertório que reflete a diversidade musical de um dos maiores festivais europeus que a Orquestra Maré do Amanhã (OMA) sobe ao palco do NOS Alive, a 9 de julho. A passagem pelo país será também marcada pelo lançamento, a 13 de julho, na Livraria Travessa, em Lisboa, do livro “Concerto para um sonho”, da autora luso-brasileira Hérica Marmo, que retrata a história da instituição fundada por Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro português Armando Prazeres.

“Estar em Portugal com a Orquestra Maré do Amanhã tem um significado muito especial para mim. É o país onde nasceu o meu pai, Armando Prazeres, cuja visão sobre o poder transformador da música inspirou tudo o que construímos ao longo destes anos. Levar a nossa história ao NOS Alive é também uma forma de honrar esse legado e mostrar como a arte pode criar oportunidades, aproximar culturas e transformar vidas”, afirma Carlos Eduardo Prazeres.

Para o concerto do dia 9, que está programado para às 18h, no Palco Fado Café, a Orquestra Maré do Amanhã separou temas de artistas portugueses como Carolina Deslandes, Maro, Bárbara Tinoco, Dino d´Santiago e os Napa.

“Vamos tocar ‘Deslocado’, do grupo Napa, que está fazendo muito sucesso no Brasil. A nossa versão ficou muito bonita e não vejo a hora de apresentar para o público português. Também tenho um carinho especial pela versão do tema do Dino D´Santiago. Gosto muito do trabalho dele. Além de fazer muitas músicas boas, há no trabalho dele uma preocupação com a questão social, que gera identificação com o que fazemos”, afirma o maestro Filipe Kochem.

Se o espetáculo leva ao público português a sonoridade que a orquestra construiu ao longo da sua trajetória, o livro revela a história por detrás dela. Durante um ano e meio, Hérica Marmo acompanhou alunos, professores, músicos e parceiros da instituição para reconstruir o percurso de um projeto que nasceu na Maré, uma das favelas mais violentas do Rio de Janeiro, e se tornou uma das mais reconhecidas iniciativas de inclusão social através da música no Brasil.

Livro

Nas páginas de “Concerto para um sonho” surgem os bastidores de uma história que começa muito antes da fundação da orquestra. O livro recupera o legado de Armando Prazeres, natural de Arouca, que se destacou por levar a música clássica a espaços populares. A obra mostra como essa visão inspirou Carlos Eduardo Prazeres a criar, em 2010, um projeto capaz de transformar a vida de milhares de jovens.

Essa decisão tem origem numa experiência profundamente marcante. Após o sequestro e assassinato de Armando Prazeres, no Rio de Janeiro, o carro do maestro foi encontrado no Complexo da Maré. Anos mais tarde, Carlos Eduardo regressaria simbolicamente àquele território para fundar a Orquestra Maré do Amanhã, transformando um lugar associado à dor e à violência num espaço de criação, aprendizagem e esperança.

“Cada capítulo foi um exercício de escuta e de cuidado, porque a história da Orquestra Maré do Amanhã não é apenas sobre ensaios e concertos. É sobre pessoas que encontraram uma nova possibilidade de existir. Acompanhar esta trajetória reforçou a minha convicção de que a arte é capaz de abrir caminhos e romper barreiras”, afirma Hérica Marmo.

Com mais de uma centena de fotografias, a obra documenta os momentos decisivos dos primeiros 15 anos da instituição. Entre as apresentações especiais estão a participação no Rock in Rio; a parceria com Anitta, no Réveillon de Copacabana, para um público de mais de 2,5 milhões de pessoas; o desfile na bateria da Beija-Flor, no carnaval do Rio; os dois concertos para o Papa Francisco, no Vaticano, e as viagens para a Europa e para a China.

A ORQUESTRA

A orquestra foi fundada em 2010 pelo jornalista Carlos Eduardo Prazeres, filho do maestro português Armando Prazeres, uma figura marcante da música clássica no Brasil. Após o sequestro e assassinato do pai, no Rio de Janeiro, Carlos Eduardo decidiu transformar a dor em ação social através da música. A escolha do Complexo da Maré para sediar o projeto não foi por acaso: foi naquele território que o carro do maestro foi encontrado após o crime. O que poderia ter permanecido como símbolo de uma tragédia tornou-se o ponto de partida de uma iniciativa que, ao longo de 15 anos, já impactou milhares de crianças e jovens.

“Quando o meu pai foi assassinado, decidi que a violência não teria a última palavra. A música que ele tanto amava seria o caminho para ajudar a transformar a realidade daquele território. Assim nasceu a Orquestra Maré do Amanhã, para mostrar que o talento pode florescer em qualquer lugar. Basta oportunidade, cuidado e afeto”, afirma Carlos Eduardo Prazeres.

A relação da orquestra com Portugal ganhou ainda maior proximidade nos últimos anos. Em 2023, a OMA esteve no país no âmbito da Jornada Mundial da Juventude, atuando em várias cidades, como Lisboa, Porto, Cascais, Sines e Arouca, sítio em que nasceu Armando Prazeres. No ano seguinte, na mesma viagem em que a Orquestra Maré do Amanhã teve a oportunidade de apresentar-se para o Papa Francisco, no Vaticano, pela segunda vez (a primeira havia sido em 2017), o grupo fez um emocionante concerto no Teatro Tivoli, em Lisboa.

Ao longo dos últimos 16 anos, mais de 17 mil crianças e jovens foram impactados diretamente pelas atividades da instituição, que oferece formação musical gratuita a populações em contextos de vulnerabilidade social. Reconhecida em 2023 como Património Cultural Imaterial da cidade do Rio de Janeiro, a OMA desenvolve atualmente atividades em 30 escolas públicas da Maré e mantém, desde 2018, uma sede própria dedicada ao ensino e à prática musical.

A estrutura artística inclui oito núcleos de formação: seis orquestras mirins, a Orquestra Maré do Amanhã e a Camerata Jovem — distinguida como Melhor Orquestra do Brasil em 2019 e 2021 pelo Prémio Profissionais da Música. Além disso, há o programa de iniciação musical em todos os pré-escolares da Maré, um coro infantil e um juvenil e um núcleo de encerramento educativo de preparação para a entrada na faculdade de música e/ou orquestras jovens.

Além do impacto educacional, a Orquestra Maré do Amanhã tornou-se uma presença relevante no cenário cultural brasileiro e internacional. A orquestra realizou digressões pela América do Sul e em países da Europa, participou no Réveillon de Copacabana ao lado da cantora Anitta, perante um público estimado em 2,5 milhões de pessoas, além de integrar o Espaço Favela, do Rock in Rio Brasil em 2019, interpretando clássicos do rock brasileiro e internacional.

Impacto social estruturado

Só em 2024, a OMA beneficiou diretamente 4.407 crianças e jovens, numa comunidade com cerca de 140 mil habitantes, o maior complexo de bairros informais do Rio de Janeiro. O projeto promove mais de 3.100 horas anuais de aulas, incluindo violino, viola d’arco, violoncelo, contrabaixo, flauta, canto coral, teoria musical e prática de orquestra, além de concertos pedagógicos e atuações em algumas das mais importantes salas de espetáculo do Brasil.

A instituição desenvolve ainda programas de apoio psicológico e fisioterapia especializada para músicos, considerados pioneiros no Brasil, e aposta cada vez mais na profissionalização dos seus alunos, incluindo formação em inglês e intercâmbios internacionais. Em 2024, cinco jovens participaram num programa académico na University of Missouri, nos Estados Unidos, enquanto o violinista David Vicente encontra-se atualmente em Cremona, Itália — considerada a capital mundial da luteria — onde estuda a construção artesanal de instrumentos de corda.

SERVIÇOS:

Orquestra Maré do Amanhã no NOS Alive 2026
Data: 9 de julho de 2026
Local: Passeio Marítimo de Algés, Oeiras

Lançamento do livro “Concerto para um sonho”
Data: 13 de julho
Hora: 18h30
Local: Livraria da Travessa Lisboa – Rua da Escola Politécnica, 46, Lisboa.

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