Igreja em Sines ligada a Vasco da Gama vai reabrir após obras de restauro

Igreja Nossa Senhora das Salvas, em Sines, Setúbal.

 A Igreja de Nossa Senhora das Salas, em Sines, distrito de Setúbal, monumento ligado ao navegador Vasco da Gama, prepara-se para reabrir ao público, em julho, após uma intervenção de 450 mil euros.

A obra de restauro, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), envolveu um investimento global de 450 mil euros, incluindo a empreitada de 200 mil euros, segundo dados fornecidos à agência Lusa pelo Património Cultural – Instituto Público (IP).

O restante investimento recaiu na recuperação das peças do Tesouro da Igreja de Nossa Senhora das Salas, no lançamento de uma monografia sobre a história do imóvel e em ações de dinamização cultural.

A empreitada incluiu trabalhos de conservação, reabilitação do pavimento, melhoria da ventilação, recuperação de pedra e criação de novas condições de utilização do espaço. 

A igreja foi mandada construir por Vasco da Gama em Sines, a sua terra natal, no cumprimento de um voto de agradecimento pelo êxito da sua viagem marítima à Índia, em 1498. 

“Uma das coisas que vai ficar vai ser esta igreja recuperada, que é o mais importante edifício que ele [Vasco da Gama] nos legou”, destacou à Lusa o arquiteto Ricardo Pereira, da Câmara de Sines, durante uma visita ao local.

Também para a arquiteta Rita Vale, do Património Cultural, esta intervenção “vem fechar um ciclo” de trabalhos anteriormente realizados na igreja.

“Neste momento, fica totalmente restaurada”, afirmou, realçando em particular a “conservação e restauro do portal e da pedra” deste imóvel.

Segundo Rita Vale, durante a intervenção foram utilizados “os materiais mais adequados” para “fazer face ao local” onde está inserida, “às intempéries e alterações” que sofreu “ao longo dos anos”.

No seguimento da obra foi necessário substituir o antigo chão cerâmico, colocado sobre areia, numa intervenção dos anos 40, por pavimento de madeira de pinho assente numa “caixa-de-ar ventilada, para combater a humidade”, explicou Ricardo Pereira.

Classificado como Monumento Nacional, o templo começou a ser intervencionado no âmbito das comemorações dos 500 anos da morte do navegador nascido em Sines.

Para Álvaro Beijinha, presidente da Câmara de Sines, entidade gestora do imóvel, esta intervenção “é fundamental a vários níveis”.

“Desde logo, porque estamos a preservar o património que é de todos e, por outro lado, do ponto de vista turístico, será mais um fator de atração de pessoas, além da questão do culto”, disse o autarca, que frisou tratar-se de “investimento público bem feito”.

Depois da obra, Rita Vale defendeu ser necessário criar um plano de manutenção e monitorização em articulação com o município: “Já durou 500 anos, nós queremos que dure no mínimo mais 500”, afirmou.

Além da recuperação do pavimento, rebocos, coberturas, cantarias, drenagens e retábulos, a intervenção contemplou a instalação de uma casa de banho integrada na arquitetura do edifício. 

Foi igualmente instalado um novo altar, desenhado pelo arquiteto Vítor Mestre, com elementos criados para o espaço, como um frontal em linho bordado, e trabalhos contemporâneos das criadoras locais Andreia Gil e Tânia Gil.

“A intervenção contemporânea é absolutamente fundamental para podermos também deixar aqui uma marca construtiva” e envolver novas gerações na vida do templo, sublinhou Ricardo Pereira.

O interior do monumento conta igualmente com 12 painéis de azulejos, também intervencionados, com “referências ao mundo atlântico e ao império português, incluindo a representação de um índio do Brasil”, explicou.

“O grande elemento patrimonial, o nosso grande elemento histórico, é o mar” e “o mar explica quase tudo” o que se passa neste território, observou o arquiteto.

A igreja está prevista reabrir ao público no mês de julho, mas ainda sem data anunciada.

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