Venezuela: Governo sem indicação de portugueses afetados pelos ataques dos EUA

Lídia Albornoz, intervém durante a manifestação de venezuelanos "pela democracia na Venezuela", no largo do Colégio, Funchal, 29 de julho de 2024. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) da Venezuela proclamou oficialmente como Presidente Nicolás Maduro, após ter anunciado no domingo à noite que o líder chavista, no poder desde 2013, venceu as eleições, resultado rejeitado pela oposição. HOMEM DE GOUVEIA/LUSA

 O Governo português disse hoje à Lusa que não há, até ao momento, indicações de que cidadãos portugueses tenham sido afetados pelos ataques aéreos dos Estados Unidos contra a Venezuela.

“Até ao momento não temos indicação de que a comunidade portuguesa esteja a ser afetada”, indicou fonte oficial.

A embaixada de Portugal em Caracas e os consulados-gerais em Caracas e Valência apelaram hoje à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter “tranquila e em casa”, após os Estados Unidos terem realizado ataques aéreos, nomeadamente na capital.

Os consulados-gerais portugueses na capital venezuelana e em Valência disponibilizaram “canais destinados a situações urgentes”, nomeadamente contactos telefónicos, correio eletrónico ou através da plataforma de mensagens Whatsapp, “reforçando o compromisso do Estado português com a proteção e assistência” dos cidadãos nacionais.

No mesmo comunicado, as autoridades referem que a utilização destes contactos destina-se “exclusivamente a situações de comprovada urgência”.

Além disso, recomendam que os cidadãos nacionais residentes na Venezuela mantenham os seus contactos atualizados, “a fim de garantir uma comunicação eficaz e atempada com os serviços consulares portugueses sempre que se revele necessário”.

Cerca de 220.000 pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os lusodescendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade “seja bastante superior”.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou hoje um “ataque em grande escala” na Venezuela para a captura do chefe do Estado venezuelano, Nicolás Maduro, que foi retirado à força do país.

O Governo de Caracas denunciou uma “gravíssima agressão militar” dos Estados Unidos, após explosões na capital durante a noite, e decretou o estado de exceção.

A vice-presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, afirmou na manhã de hoje que desconhecia o paradeiro de Maduro, e exigiu uma “prova de vida” aos Estados Unidos.

Direito internacional

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, expressou hoje “grande preocupação” com a situação na Venezuela, alvo de ataques dos Estados Unidos, e apelou a “uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional”.

“Estou a acompanhar a situação na Venezuela com grande preocupação. A União Europeia apela à desescalada e a uma resolução em pleno respeito pelo Direito Internacional e pelos princípios consagrados na Carta das Nações Unidas”, disse o ex-primeiro-ministro português, numa mensagem na rede X.

A União Europeia, sublinhou, “continuará a apoiar uma solução pacífica, democrática e inclusiva na Venezuela”.

Costa disse ainda apoiar os esforços da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, “em coordenação com os Estados-membros” da UE, “para garantir a segurança dos cidadãos europeus no país”.

Madeira

O presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, afirmou hoje estar a acompanhar a situação na Venezuela, através de contactos diretos com a comunidade madeirense naquele país, e apelou à calma e tranquilidade.

Numa nota de imprensa divulgada, o do chefe do executivo madeirense adianta que “logo pelas oito horas fez questão de procurar saber, ‘in loco’, o que se estava a passar na Venezuela, manifestando preocupação com os acontecimentos naquele país e, sobretudo, com a comunidade madeirense”.

O governante adianta que também falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel.

“O presidente do Governo Regional apela à calma e tranquilidade, sublinhando que a Região e Portugal estão a acompanhar a par e passo tudo o que se passa”, lê-se no documento.

A Venezuela acolhe uma das maiores comunidades portuguesas na diáspora, sendo a segunda maior na América Latina, depois do Brasil, integrando muitos milhares de madeirenses.

As autoridades portuguesas apelaram hoje à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter “tranquila e em casa”, após ataques aéreos dos Estados Unidos.

“A embaixada de Portugal em Caracas e os consulados-gerais em Caracas e Valência apelam à comunidade portuguesa na Venezuela para se manter tranquila e em casa, atendendo ao estado de emergência declarado pelas autoridades venezuelanas”, lê-se num comunicado à comunidade portuguesa.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Veja também

Quantas vidas cabem em 106 anos?

> Na coluna de Luiz T. G. Filho, o aniversário do Clube Português de São Paulo é contado pelas histórias, memórias e encontros que atravessaram gerações. Por Luiz Filho Em maio deste ano, enquanto a guitarra portuguesa de Wallace Oliveira

Leia mais »