Da Redação com Lusa
Nesta terça-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros português, João Gomes Cravinho, classificou como uma “irresponsabilidade por parte do Presidente (russo, Vladimir) Putin, por parte das autoridades russas” as informações sobre a queda em território polaco de mísseis russos.
“Se se confirmarem estas notícias, eu não tenho ainda conhecimento, confirmação, mas se se confirmarem, representam mais uma irresponsabilidade por parte do Presidente Putin, por parte das autoridades russas e que, naturalmente, não ficará sem a devida resposta”, disse à agência Lusa o chefe da diplomacia portuguesa.
João Gomes Cravinho considera que “a solução atual para se inverter e reverter a escalada é a retirada das forças russas dos territórios ocupados desde 24 de fevereiro”.
“Portanto, esperamos que a Rússia faça isso de forma voluntária porque já percebemos que no terreno começa a haver condições para a Ucrânia obrigar a Rússia a fazer isso, mesmo que a Rússia não o queira”, acrescentou.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Polônia confirmou pela noite que um “projétil de fabrico russo” atingiu o território deste país da NATO junto à fronteira com a Ucrânia, causando a morte a duas pessoas.
“Às 15:40 (14:40 em Lisboa), na vila de Przewodów (…), um projétil de fabrico russo caiu, matando dois cidadãos da República da Polónia”, salienta um comunicado de Lukasz Jasina, o porta-voz do ministério.
A mesma nota acrescenta que o embaixador russo na Polônia foi convocado para prestar “explicações detalhadas”.
NATO
Na sequencia das notícias, o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Jens Stoltenberg, disse, esta quarta-feira, que a explosão que matou duas pessoas na Polônia “foi provavelmente causada” por um míssil ucraniano, mas ressalvou que “não é culpa da Ucrânia”.
“A nossa análise preliminar sugere que o incidente foi provavelmente causado por um míssil de defesa aérea ucraniano disparado para defender o território ucraniano contra ataques de mísseis de cruzeiro russos, mas deixem-me ser claro, isto não é culpa da Ucrânia”, afirmou Jens Stoltenberg.
Falando em conferência de imprensa em Bruxelas após ter presidido a uma reunião do Conselho do Atlântico Norte para discutir a explosão de terça-feira na Polônia, perto da fronteira com a Ucrânia, o líder da Aliança Atlântica vincou: “A Rússia tem a responsabilidade última, uma vez que continua a sua guerra ilegal contra a Ucrânia”.
De acordo com Jens Stoltenberg, “está em curso uma investigação sobre este incidente”, mas até ao momento não há “qualquer indicação de que este tenha sido o resultado de um ataque deliberado”.
“E não temos qualquer indicação de que a Rússia esteja a preparar ações militares ofensivas contra a NATO”, concluiu o secretário-geral da organização.
O Presidente polaco, Andrzej Duda, admitiu hoje que o míssil que matou duas pessoas na Polónia, na terça-feira, “tenha sido lançado pela Ucrânia”, mas disse que nada indica que tenha sido um “ataque intencional”.
Duda declarou que a Polônia não vai invocar o artigo da NATO que prevê consultas entre aliados sempre que esteja ameaçada a “integridade territorial, a independência política ou a segurança” de qualquer dos Estados-membros da Aliança Atlântica.
A Polônia convocou uma reunião de emergência com os seus aliados da NATO depois de ter anunciado que um “projétil de fabrico russo” tinha caído na localidade de Przewodów, que faz fronteira com a Ucrânia, na terça-feira, matando duas pessoas.




