Irã: Voo militar com 39 passageiros, incluindo 24 portugueses, chega a Lisboa

[Atualizado 06/03/2026]

Aterrou neste dia 06 por volta das 05:00 no Aeroporto de Figo Maduro o avião militar com 39 passageiros que faz parte de uma operação de repatriamento das autoridades portuguesas, avançou o canal de notícias Now.

O secretário de Estado das Comunidades, Emídio Sousa, esteve presente no local para receber os cidadãos repatriados, que viajaram desde Omã, informou o Now.

Neste voo militar, seguem 39 passageiros, dos quais 24 são portugueses e 15 estrangeiros (França, Grécia, Brasil e Israel).

Os ministérios dos Negócios Estrangeiros e da Defesa anunciaram na quinta-feira que está em curso uma operação de repatriamento de 186 pessoas, quase todos portugueses, com chegada prevista para o dia de hoje.

Segundo comunicado conjunto dos dois ministérios, a operação envolve um avião C130 da Força Aérea Portuguesa e uma aeronave A330 fretada à TAP Air Portugal.

O voo fretado transporta 147 passageiros, dos quais 139 são portugueses e oito estrangeiros (da Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos da América e Peru), estando a sua hora de chegada prevista para as 10:00, ainda de acordo com o Now.

As “missões e plano de segurança foram solicitados pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros ao Ministério da Defesa Nacional”, refere o comunicado.

Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil para organizar o repatriamento de cidadãos portugueses no Médio Oriente, indicou uma porta-voz da Comissão Europeia à agência Lusa.

Segundo indicaram fontes europeias à Lusa, Portugal pediu para ser organizado um voo de repatriamento, disponibilizando-se a dar lugares nesse voo a outros Estados-membros.

“Estamos a ponderar todas as formas de podermos ajudar. Poderá ser através de um outro voo, que vamos pôr a hipótese de organizar, ou através de um outro voo de um país europeu”, explicou Emídio Sousa à comunicação social no Aeroporto de Figo Maduro.

“Hoje, durante toda a manhã, os nossos serviços vão contactar as pessoas, a ver quem quer vir, para vermos a oportunidade ou não de organizar esse voo. E a Força Aérea já está a planear o voo”, acrescentou o secretário de Estado das Comunidades.

Sousa admitiu que uma viagem para Riade “também é relativamente arriscada neste momento”, mas disse que, com o espaço aéreo do Qatar encerrado, “a única solução é viajarem por terra, de autocarro ou de carro até um ponto seguro”.

Sousa elogiou o “trabalho notável” da Força Aérea e os serviços consulares, “que têm trabalhado incansavelmente”, numa operação que durou “quase 25 horas” e atravessou “zonas extremamente perigosas”.

Ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil, os Estados-membros podem pedir assistência à UE para o repatriamento de cidadãos, cabendo depois à Comissão Europeia coordenar a resposta e “contribuir para o transporte e custos operacionais de voos”.

No caso atual, o Centro de Coordenação de Resposta de Emergência da UE está a coordenar logisticamente os voos disponibilizados pelos diferentes Estados-membros, já tendo ajudado na organização de pelo menos seis voos de repatriamento entre terça-feira e hoje.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irã, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.

O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a liderança do país.

O Irã lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Além da Turquia, incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

A NATO reforçou a sua defesa contra mísseis balísticos em toda a Aliança, após os ataques iranianos na região que visaram a Turquia, anunciou quinta-feira um porta-voz do Comando Supremo Aliado na Europa (SHAPE).

O chefe do Comando Aéreo da NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte, bloco de defesa ocidental) também recomendou que a defesa antimísseis balísticos seja mantida “neste nível elevado até que a ameaça representada pelos contínuos ataques indiscriminados do Irão na região diminua”, indicou o porta-voz do SHAPE, o coronel Martin O’Donnell, na rede social X.

“Este ajustamento dá ao Comandante Supremo Aliado na Europa exatamente aquilo de que ele precisa para defender a Aliança contra a atual ameaça”, acrescentou.

Os embaixadores dos 32 Estados-membros da NATO, reunidos em Bruxelas, manifestaram o seu apoio a esta medida e condenaram veementemente o ataque do Irã à Turquia na quarta-feira, sublinhou o porta-voz.

Sobre o incidente ocorrido na quarta-feira na Turquia, o coronel O’Donnell afirmou que as forças da NATO identificaram a ameaça em menos de dez minutos, confirmaram a trajetória do míssil e enviaram um intercetor para o neutralizar.

O Ministério da Defesa turco declarou que os sistemas de defesa da NATO tinham intercetado e neutralizado “um míssil balístico disparado do Irão e detetado em direção à Turquia”, mas não forneceu mais pormenores sobre o incidente.

A Turquia “não era o alvo do míssil”, afirmou, por sua vez, na quarta-feira um responsável turco à agência de notícias francesa AFP.

“Pensamos que visava uma base militar” em Chipre “mas que se desviou da sua rota”, acrescentou, após ter solicitado o anonimato.

O Estado-Maior das Forças Armadas do Irã negou ter lançado um míssil contra a Turquia, afirmando que respeita a soberania do “país vizinho e amigo”.

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