Legislativas: PS aponta “promiscuidade profunda” entre PSD, Montenegro e o Estado

Primeiro-Ministro Luis Montenegro em seu pronunciamento, na posse do novo XXIV Governo Constitucional, abril 2024. Foto JOAO RELVAS/LUSA

O PS acusou hoje o PSD de revelar um “padrão de falta de ética”, considerando que há uma “promiscuidade profunda” entre o que é do partido, do primeiro-ministro e do Estado, voltando a exigir esclarecimentos a Luís Montenegro.

Em conferência de imprensa na sede do PS, em Lisboa, Marcos Perestrello, porta-voz da candidatura socialista às eleições de 18 de maio, referiu-se à notícia de hoje do Expresso segundo a qual o maior cliente da empresa do primeiro-ministro, Luís Montenegro, está entre os principais doadores do PSD.

“O que esta notícia do Expresso hoje revela é a promiscuidade profunda entre o que é do partido, o que é do primeiro-ministro e o que é do Estado. É um padrão de falta de ética e de falta de seriedade que se reflete na afetação dos recursos do Estado ao serviço da campanha do PSD”, acusou.

O dirigente do PS acusou o primeiro-ministro de ter usado o palco do Congresso da Habitação “para comentar o programa do PS” e condenou aquilo que classificou de “falta de seriedade no tratamento das contas públicas” na conferência de imprensa do ministro da Economia quando, “depois de assumir que pode haver riscos para o défice das contas públicas, foi obrigado a voltar atrás por um papelinho” de Luís Montenegro.

Lembrando que “correm dois processos na Procuradoria-Geral da República que envolvem o primeiro-ministro”, Marcos Perestrello manifestou a convicção de que até às eleições nenhum deles terá uma conclusão, até para que não possa ser entendido “como uma interferência na campanha eleitoral”.

“É por isso que, mais uma vez, apelamos ao primeiro-ministro que pare de se fazer orelhas moucas e torne pública a documentação relativa às suas atividades profissionais e empresariais”, pediu.

O cabeça de lista do PS por Santarém pediu ainda a Luís Montenegro que torne públicas as instruções dadas pelo Governo aos seus membros “para as atividades públicas dos membros” executivo neste período de gestão.

“Está na mão do primeiro-ministro resolver a degradação ética que o PSD e o Governo estão a introduzir na política portuguesa. Quer pela confusão entre as atividades profissionais e empresariais do primeiro-ministro e a sua atividade pública, quer pela confusão entre o que é campanha eleitoral e o que é ação do Governo”, disse.

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