Legislativas: Chega vai apresentar “governo alternativo” e quer ser “garante de estabilidade”

Presidente da República recebeu uma delegação do Chega, 20 Maio, Lisboa. Foto Rui Ochoa/Presidência da República

O presidente do Chega, André Ventura, disse hoje, no final de uma audiência com o Presidente da República, que vai apresentar “um governo alternativo” e assegurou que o seu partido vai ser um “garante de estabilidade”.

“Apresentaremos um governo alternativo e assumiremos o nosso estatuto de líder da oposição, mas não deixaremos que o país caia numa nova crise política e procuraremos ser um farol e um garante da estabilidade em Portugal, [mas] não da estabilidade a qualquer custo”, afirmou, sem responder diretamente se permitirá a viabilização do programa do próximo governo.

“De uma estabilidade que continue a combater a corrupção, que combata a imigração descontrolada e que permita um crescimento económico que dê salários e dignidade a quem trabalha, aos pensionistas, e não a quem não faz nada”, indicou o líder do Chega.

André Ventura falava aos jornalistas no Palácio de Belém, em Lisboa, no final de uma audiência de cerca de 40 minutos com Marcelo Rebelo de Sousa.

O presidente do Chega garantiu ainda que o partido “nunca será uma força de bloqueio”, é “responsável,” e compreende “o momento e a fragmentação de poder que existe e que “o país não precisa de mais eleições”.

“[o Chega] é uma força de vida, é uma força de transformação e, como os portugueses decidiram, é o líder da oposição”, disse, sustentando que “todos os dados indicam até ao momento que o Chega terá essa vitória nos círculos fora do território nacional”.

O líder do Chega disse estar confiante de que o seu partido vai passar a ser a segunda força política com maior representação no parlamento e considerou que “isso mudará completamente, de forma evidente, o xadrez político e a combinação política nacional”.

“Caso isso se verifique, o Chega assumirá o seu papel de liderança da oposição em Portugal e de liderança de uma alternativa de governo”, indicou, referindo também que o partido “procurará ser um farol de mudança e de estabilidade, aberto, como sempre esteve, ao diálogo, às medidas boas para o povo português, às medidas de transformação do povo português, pensando sempre mais no povo português do que em quem apresenta as medidas”.

André Ventura disse também que se terá uma nova reunião com Marcelo Rebelo de Sousa. Na segunda-feira, o Presidente da República já tinha admitido ouvir de novo as três forças políticas mais votadas nas legislativas de domingo na próxima semana, depois de concluído o apuramento dos votos dos emigrantes.

“Eu comprometi-me com o Presidente da República a termos uma nova conversa em nome da estabilidade, a termos uma nova conversa em nome da governabilidade, mas sempre com esta garantia: o Chega foi eleito para ser o líder da oposição. É isso que o Chega fará e é esse papel atribuído pelos portugueses, se for confirmado no dia 28 de maio, que muito me orgulha, que muito nos orgulha e para o qual vamos contribuir”, afirmou.

Ventura disse ainda que nesta audiência aproveitou para agradecer ao Presidente da República “a preocupação que teve” face ao problema de saúde que teve na segunda semana da campanha eleitoral.

“Tive a oportunidade de lhe agradecer a preocupação, a atenção e até de lhe dizer, com alguma ironia, que ele tinha alguma razão quando na noite de quarta para quinta-feira me disse que deveria ter ficado fora da campanha, e eu não acedia a esse conselho”, acrescentou.

Já o dirigente do PSD Paulo Rangel rejeitou hoje a criação de uma coligação pós-eleitoral com o Chega, mas reconheceu a possibilidade de negociações diploma a diploma com todos os partidos representados no parlamento. “Os resultados eleitorais são o que são e temos de respeitar a vontade dos eleitores”.

Rejeição

O PCP anunciou hoje à tarde que vai apresentar no parlamento uma moção de rejeição do Programa do Governo.

“Não podemos ficar à espera e temos de fazer tudo o que está ao nosso alcance para travar o desmantelamento do SNS, o assalto à Segurança Social, às alterações laborais, o processo de privatizações que está em curso. E a primeira iniciativa para travar isso é a apresentação de uma moção de rejeição ao programa do Governo”, anunciou Paulo Raimundo em conferência de imprensa na sede nacional do PCP, em Lisboa, após uma reunião do Comité Central do partido.

Antecipando eventuais críticas sobre a apresentação de uma moção de rejeição de um programa de Governo que ainda não se conhece, Paulo Raimundo disse que todos conhecem “qual é a agenda, o que é que se perspetiva”.

“E conhecemos uma outra coisa: conhecemos bem a unidade que existe entre o conjunto das forças mais votadas na Assembleia da República sobre cada uma destas matérias. E, portanto, connosco é, de forma clara, do princípio, um sinal claro de combate à política, às consequências na vida das pessoas e do país”, frisou.

Interrogado porque é que o PCP decidiu avançar com uma moção de rejeição que, à partida, deverá ser chumbada, Paulo Raimundo considerou que “terá um grande significado político, de condenação à política que o Governo quer apresentar”.

O secretário-geral do PCP avisou que “não vale a pena alguém pensar, seja lá quem for, que se garante a estabilidade governativa, parlamentar, se a vida das pessoas continuar instável como está e se agravar essa instabilidade”.

E o líder demissionário do PS, Pedro Nuno Santos, desejou hoje que o país tenha “rapidamente a sua situação política clarificada” para que se resolvam os problemas dos portugueses, destacando a boa convivência que manteve com o Presidente da República.

À saída do Palácio de Belém, depois de uma reunião que demorou menos de 20 minutos, Pedro Nuno Santos fez uma curta declaração aos jornalistas e escusou-se a responder a outras questões, internas ou de governabilidade, afirmando que haverá outras oportunidades para o fazer.

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