O Chega foi o partido mais votado pelos portugueses residentes no estrangeiro, conseguindo 26,15% dos votos, mas mantendo o mesmo número de deputados eleitos por estes círculos.
No final de dois dias de contagem dos votos dos emigrantes, que decorreu na Feira Industrial de Lisboa (FIL), onde 150 mesas com sete elementos cada apuraram as escolhas dos portugueses residentes no estrangeiro, o Chega tornou-se o segundo partido em termos de representação parlamentar.
Este partido conseguiu nestes círculos 92.192 votos, sendo seguido da coligação PSD/CDS (56.460) e do PS (47.693).
Os emigrantes escolheram, desta forma, o Chega e o PSD como os partidos dos quatro deputados eleitos pelos círculos da Europa (dois) e de Fora da Europa (dois).
No seguimento deste sufrágio, foram eleitos pelo círculo da Europa José Manuel Fernandes (AD) e José Dias Fernandes (Chega) e por Fora da Europa José Cesário (AD) e Manuel Magno Alves (Chega).
O Chega venceu pelo círculo da Europa, com 28,20% dos votos, sendo seguido pela coligação PSD/CDS (14,65%) e o PS (13,54%).
Também pelo círculo Fora da Europa o Chega foi o mais votado (20,78%), enquanto a coligação PSD/CDS ficou em segundo lugar (19,60%) e o PS em terceiro: 13,50%
Dos 1.515.519 eleitores portugueses residentes no estrangeiro, inscritos para votar nestes círculos, apenas votaram 352.503, ou seja, 22,24%.
Após a apuração dos votos destes 17 consulados nos círculos da emigração, a coligação PSD/CDS obtém 88 deputados, o Chega 60 e o PS 58.
Oposição
O líder do Chega assumiu-se hoje como líder da oposição ao “bloco central de interesses”, e considerou que o resultado das eleições legislativas de 18 de maio representou uma “mudança profunda no sistema político português”.
“É uma grande vitória, é uma vitória que vemos com responsabilidade, mas que sobretudo hoje parece, segundo todos os dados indicam, marcar uma mudança profunda no sistema político português, que é o facto de o Chega se tornar hoje líder da oposição, precisamente com os votos daqueles que tiveram que partir por causa de PS e PSD”, afirmou André Ventura.
O líder do Chega falava aos jornalistas à chegada ao hotel em Lisboa onde o partido esteve reunido para acompanhar a contagem dos votos dos emigrantes, iniciativa que encarou como uma segunda noite eleitoral.
“O Chega será o líder da oposição ao bloco central de interesses”, disse, considerando que “o sistema político hoje muda para sempre, nada será como dantes”.
André Ventura disse também que saberá “interpretar e liderar a oposição com responsabilidade”, mas deixou um alerta: “Não esperem do Chega o que o PS e o PSD fizeram durante 50 anos. Foi por isso que as pessoas quiseram agora um partido diferente”.
Numa altura em que o escrutínio ainda não estava terminado, o líder do Chega indicou também que o partido foi o mais votado nos círculos da Europa e Fora da Europa.
“O Chega venceu o círculo da Europa e o círculo fora da Europa, o Chega venceu a emigração por uma razão, os emigrantes sabem o que é socialismo, os emigrantes sabem o que é social-democracia, os emigrantes sabem o que é corrupção, os emigrantes sabem o que é subsidiodependência e sabem o que é ter que lutar contra tudo isso”, sustentou, afirmando que “eles vivem em países que enfrentam os desafios que agora Portugal está a enfrentar”.
André Ventura agradeceu aos eleitores que votaram no Chega e afirmou que o seu partido teve uma “vitória estrondosa, histórica”, e “dobrou os resultados do PS e do PSD” no círculo da Europa.
“Eu acho que isto é o sinal de um país que está a mudar e que nós todos, todos os poderes, partidos, imprensa, sociedade civil, têm que perceber que o país está a mudar e que o país de hoje não será o mesmo que o país de ontem e que agora teremos um país diferente”, considerou.
O líder do Chega defendeu também que, perante os resultados das legislativas antecipadas, o “primeiro-ministro tem que tirar daqui, obviamente, as suas consequências”.
André Ventura disse que ainda não falou com Luís Montenegro, mas espera “poder falar ainda durante a noite de hoje com o Presidente da República”.
Questionado sobre a governabilidade, o presidente do Chega afirmou: “Mais do que estabilidade, que é importante, é preciso trabalho, trabalho e trabalho”.
Ventura sustentou que o líder da oposição “tem o dever de ser a alternativa”.
“Eu não quero dizer aos portugueses que temos que ter pressa. Os portugueses precisam de estabilidade, o país precisa de estabilidade para podermos crescer, o país precisa de ordem. O que eu espero não é ser o candidato da confusão ou ser o líder da confusão ou da destruição. Ser líder da oposição em Portugal pode ser simultaneamente de fiscalização, de escrutínio, de confronto, de luta contra a corrupção, mas ao mesmo tempo saber dizer isto: Respeitamos o tempo dos portugueses, respeitamos o tempo da estabilidade, seremos o farol de estabilidade, de autoridade e de ordem”, acrescentou.
Reconstrução
O PS defendeu hoje que os partidos com responsabilidades governativas devem “reconstruir a relação de confiança com os emigrantes”, depois de o Chega ter voltado a ganhar na emigração, considerando que “na democracia ganha-se e perde-se”.
Antes dos resultados oficiais serem publicados mas já era certo que o PS perdeu o seu único deputado nestes dois círculos, o secretário nacional Pedro Vaz respondeu aos jornalistas sobre esta pesada derrota eleitoral.
“O Chega já tinha ganho as eleições nos círculos da emigração. Não há uma novidade nesta matéria. Aquilo que é necessário, a todos os partidos com responsabilidades governativas no nosso país, é reconstruir a relação de confiança com os nossos emigrantes”, defendeu Pedro Vaz, passando essa reconstrução pela resolução dos problemas destas pessoas.
Referindo que o partido está neste momento já num processo de mudança de liderança, depois da demissão de Pedro Nuno Santos logo na noite das eleições, Pedro Vaz referiu que o partido “terá um trabalho de reflexão”.
“A responsabilidade dos resultados obviamente é do Partido Socialista como um todo. O Partido Socialista não conseguiu convencer os portugueses que tinha o melhor projeto para o país e é assim na democracia. Na democracia ganha-se e perde-se”, assumiu.
O dirigente do PS começou por, em nome do partido, agradecer “a cerca de um milhão e meio de portugueses que continuam a acreditar no Partido Socialista” e votaram nos socialistas, considerando que isso significa que o projeto do PS “continua a fazer sentido para o país”.
“Relativamente aos resultados da emigração, como nos restantes resultados, obviamente este não era o resultado que o Partido Socialista esperava nestas eleições. O Partido Socialista perdeu claramente estas eleições e obviamente assumirá daqui para a frente, uma posição construtiva de oposição e de voltar a conquistar a confiança da maioria dos portugueses no projeto político que temos para o nosso país”, apontou.




