Incêndios: Livre pede diálogo e partidos criticam propostas do Governo 

Paisagem florestal destruida pelo incêndio que fustigou o concelho de Arouca durante três dias, 01 de agosto de 2025. De acordo com as primeiras estimativas, o incêndio de Arouca chegou a ter cerca de 50 quilómetros de perímetro e consumiu neste município uma área de cerca de 4000 hectares de floresta. ESTELA SILVA/LUSA

O Livre pediu hoje ao Governo diálogo com a sociedade civil e partidos para discutir a organização do território a 25 anos, enquanto PCP, JPP, PAN e BE criticaram a atuação e as medidas apresentadas pelo executivo.

Paulo Raimundo disse que “os incendiários, independentemente das suas motivações, têm de ser punidos pelos crimes que cometem”, mas ressalvou que a “dimensão dos incêndios resulta, sobretudo, de políticas desastrosas” deste e de outros governos.

O deputado comunista disse que o PCP não se vai opôr a grupos de trabalho e comissões de inquérito – que disse serem as “habituais iniciativas da época” -, mas considerou que, “na realidade, pouco mais há por identificar”, pedindo o cumprimento da Estratégia Nacional da Floresta e a aquisição dos meios aéreos necessários.

O porta-voz do Livre, Rui Tavares, pediu que o território passe a ser visto como aliado e não inimigo em relação à prevenção dos incêndios e lamentou que fosse preciso o país assistir aos incêndios deste ano para o primeiro-ministro dizer que “quer dialogar para um plano a 25 anos”.

Rui Tavares disse também querer perceber se a intenção de diálogo do Governo é sincera e “onde é que ela para”, porque, noutros momentos, “essa vontade de diálogo parou sempre à porta do Livre”.

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, criticou o Governo pela falta de medidas dirigidas aos bombeiros no conjunto de 45 propostas anunciado no Conselho de Ministros extraordinário sobre os incêndios e acusou o executivo de não ter preparado a época de incêndios.

Mortágua dirigiu-se ainda ao líder do Chega, satirizando os vídeos publicados por André Ventura nas redes sociais em que, descreveu, surgia “com um raminho a fingir que apagava um incêndio”.

Inês de Sousa Real, deputada do PAN, sublinhou que, este ano, o país ardeu o “equivalente a se todo o Luxemburgo tivesse ardido”, e lamentou também a falta de medidas para o reordenamento florestal e para os bombeiros, no pacote que foi apresentado no Conselho de Ministros extraordinário.

PS – O secretário-geral do PS acusou hoje o primeiro-ministro de “grande insensibilidade, uma incapacidade para antecipar e uma impreparação para responder” na gestão dos incêndios, questionando se a operação dos meios aéreos será feita futuramente pela Força Aérea.

“Tenho que começar por lhe dizer que perante esta crise, à semelhança de outras, revelou uma grande insensibilidade, uma incapacidade para antecipar e uma impreparação para responder. Desde logo insensibilidade por não ter compreendido que deveria ter feito o mesmo que fez em 2024 quando adiou o Congresso do PSD”, criticou José Luís Carneiro.

“O senhor primeiro-ministro tem direito às suas férias e todos os membros do Governo têm direito às suas férias, mas para a população portuguesa foi incompreensível como é que se deu aquele sinal de insensibilidade com quem estava a sofrer no território”, condenou.

A IL acusou hoje o Governo de “calculismo político” por “adiar o recurso a meios de combate”, enquanto o CDS-PP pediu à justiça que não desvalorize o crime de incendiarismo e seja consequente com as decisões políticas.

Presidente da IL, Mariana Leitão, defendeu que o país vive hoje “as consequências de três negligências” de “nada fazer” em relação à proteção da floresta, “apenas reagir” sem “fazer antes o trabalho de prevenção” e de “calculismo político” por “adiar o recurso aos meios de combate”.

Mariana Leitão questionou o primeiro-ministro sobre se “vai precisar de mais relatório técnicos para perceber o óbvio”, defendendo que a “legislação da floresta está um caos e precisa de ser simplificada e consolidada”.

“Chegou o momento de romper o ciclo de anos de propaganda e assumir o ciclo da responsabilidade da execução. A floresta não pode esperar mais, as populações não podem esperar mais e o país não pode esperar mais. Não basta gerir a emergência, é preciso gerir o território. Não basta apagar incêndios, é preciso prevenir tragédias”, pediu.

João Almeida, deputado do CDS-PP, apelou às magistraturas e ao Ministério Público que não desvalorizem o crime de incêndio florestal. E considerou ainda que “é mentira aquilo que está a ser dito sobre a área ardida este ano”, porque as contas e as comparações, nessa matéria, devem ser feitas só no final do ano e não nesta altura.

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