Governo avalia inclusão de mais concelhos em situação de contingência, Coimbra “mais preocupante”

O primeiro-ministro, Luís Montenegro (C), acompanhado pela ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho (2-D), e pelo presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, José Verissimo (E), durante a passagem por Montemor-o-Velho para se inteirar da situação das inundações do Rio Mondego, Montemor-o-Velho, 11 de fevereiro de 2026. PAULO NOVAIS/LUSA

O primeiro-ministro, que assumiu a pasta da Administração Interna, afirmou hoje irá fazer uma reavaliação dos concelhos em situação de contingência face ao mau tempo, admitindo que poderá haver mais municípios a juntar à lista.

“Acabei há pouco mesmo de falar com o secretário de Estado da Proteção Civil, que me acompanha, e com o meu gabinete, para os dois, em contacto com a direção da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil, fazermos uma reavaliação e verificarmos se há mais concelhos para incluir dentro da situação de contingência”, afirmou Luís Montenegro, que falava aos jornalistas no final de uma visita a Montemor-o-Velho, concelho afetado pelas cheias do Mondego.

Caso se verifique essa necessidade, o primeiro-ministro disse que “ainda hoje” irá proceder ao despacho para a junção de mais municípios à lista.

Recusando acusações de favorecimento de autarquias lideradas pelo PSD, Luís Montenegro vincou que está a ser considerada a inclusão de “um conjunto significativo de autarquias que estão a ser fustigadas pelo avolumar das consequências do mau tempo”.

“Neste momento, basicamente é de norte a sul, do interior ao litoral, todos os municípios têm consequências das intempéries e, portanto, nós vamos ter de ter um plano nacional de intervenção que possa conjugar aquelas que são as situações mais dramáticas com a recuperação de infraestruturas, como rodovias, como a ferrovia, equipamentos de utilização pública, nomeadamente aqueles que estão sob a esfera municipal”, disse.

Segundo o primeiro-ministro, o Governo já está “a trabalhar em linhas de financiamento para as autarquias locais, nomeadamente junto do Banco Europeu de Investimento” para uma recuperação de infraestruturas públicas.

Montenegro cancelou hoje a sua participação no retiro informal de líderes da União Europeia (UE), que se realiza na quinta-feira na Bélgica e será dedicado à competitividade europeia, devido à situação de calamidade em Portugal.

Coimbra

O comandante nacional da Proteção Civil disse hoje que a situação “mais preocupante” é na zona de Coimbra devido ao “risco significativo” de rutura de um dos diques do Mondego e alertou para a continuação de cheias e derrocadas.

“A situação mais preocupante neste momento é no Mondego devido ao risco significativo de poder existir alguma rutura num dos diques. São 30 quilómetros de diques, desde a zona de Coimbra até à Figueira da Foz”, disse Mário Silvestre, na conferência de imprensa.

“Neste momento há um trabalho em curso”, afirmou, avançando que foi dada prioridade às pessoas idosas, tendo sido evacuados em primeiro lugar os lares de terceira idade que estavam naquela zona.

Mário Silvestre alertou para a continuação de cheias nos próximos dias, situação que se deve “não à precipitação em si, mas pelo impacto que tem nos cursos de água e nas barragens”.

Segundo o responsável, os cursos de água estão neste momento com o caudal “muito acima daquilo que é expectável”, existindo linhas de água que “não corriam com a dimensão que têm há mais de 20 anos”.

Além do Mondego, existe igualmente “risco significativo de inundações” nos rios Tejo, o Sorraia, Vouga, Águeda e Sado, indicou, destacando também o deslizamento de terras em Porto Brandão, concelho de Almada, onde neste momento [início da tarde] se está a proceder à evacuação da povoação “porque uma das estradas e a principal estrada de acesso foi cortada”.

Mário Silvestre afirmou que estão ativados 12 planos distritais de proteção civil e 125 planos municipais, mantendo-se o plano especial da Bacia do Tejo no nível máximo, vermelho.

Em Coimbra, também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, garantiu hoje que vai ser feito tudo o que é necessário e se pode fazer para atenuar os efeitos da subida da água no Rio Mondego, que “está no limiar”.

“Tudo o que é necessário fazer e que se pode fazer há de ser feito pelo Estado, pelos autarcas e por aqueles que estão a acompanhar do ponto de vista técnico, desde a gestão das barragens e a tratar das populações”, assegurou.

O Presidente da República participou hoje numa reunião nas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Coimbra, que contou com a presença do primeiro-ministro, a ministra do Ambiente, os secretários de Estado da Proteção Civil e Administração Local, vários autarcas e o presidente da APA.

A ocasião serviu ainda para fazer uma visita à Ponte do Açude, onde Marcelo Rebelo de Sousa constatou a subida do Rio Mondego.

Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal. As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

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