O vice-ministro de Relações Exteriores da Venezuela para a Europa e América do Norte, Oliver Blanco, visitou Portugal na terça-feira com o propósito de aprofundar as relações bilaterais, segundo o Ministério de Relações Exteriores (MRE) venezuelano.
“O vice-ministro para a Europa e a América do Norte, Oliver Blanco, esteve em visita oficial à República Portuguesa, com o objetivo de estreitar os laços de amizade, fortalecer as relações bilaterais e continuar a avançar no caminho da paz e da democracia”, explica um comunicado divulgado em Caracas.
No documento, a Venezuela agradece ao ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, pela recepção do diplomata venezuelano, e reafirma o compromisso com o “diálogo, cooperação e construção de uma agenda comum” em benefício de ambos países.
Por outro lado, explica que representantes de ambos países expressaram satisfação com o reinício dos voos diretos da TAP entre Portugal e a Venezuela, no passado dia 03 de abril, e manifestaram interesse em aumentar a balança comercial bilateral.
Ainda segundo o comunicado, em 2025, as exportações totais de Portugal para a Venezuela ascenderam a 13,42 milhões de euros e as importações foram de 10,48 milhões de euros, em produtos como a manga, o polvo congelado, resíduos e detritos de fundição.
O vice-ministro Blanco reuniu-se também com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, que esteve recentemente de visita à Venezuela, onde se encontrou com o ministro de Relações Exteriores Yván Gil, indica o comunicado.
“Durante a conversa, em Lisboa, foram abordados temas fundamentais para reforçar a cooperação bilateral e avançar com iniciativas concretas em benefício dos compatriotas”, explica o documento.
O comunicado refere ainda que Oliver Blanco cumprimentou e trocou ideias com membros da comunidade venezuelana durante uma visita ao consulado-geral da Venezuela em Lisboa.
“Estima-se que residam em Portugal cerca de 27.000 cidadãos venezuelanos, que se dirigem às sedes consulares para tratar de formalidades relacionadas com passaportes, apostilas e autorizações, entre outros”, conclui.
Situação
Na segunda-feira, o ministro Rangel criticou, no parlamento, a visita do secretário-geral do Partido Socialista (PS) à Venezuela, garantindo que não foi coordenada com o Governo e que “não fez mossa”.
“A visita do PS não foi coordenada com o Governo, foi puramente partidária. Não imagino o que seria se fosse ao contrário”, declarou Paulo Rangel quando questionado sobre o tema na audição regimental da Comissão de Negócios Estrangeiros e Comunidades Portuguesas.
“Foi uma espécie de diplomacia paralela e o continuar de funções de quem já as teve no passado”, criticou, referindo-se a José Luís Carneiro, que foi secretário de Estado das Comunidades Portuguesas entre 2015 e 2019.
Durante a sua visita, com uma duração de quatro dias, José Luís Carneiro reuniu-se com o ministro das Relações Exteriores, esteve no parlamento nacional e manteve contacto com as comunidades nos estados de Miranda, Arágua, Carabobo e La Guaira.
Esteve agendada uma audiência com a Presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, que acabou por não ocorrer.
Por outro lado, o chefe da diplomacia portuguesa assegurou que têm sido feitos contactos com as autoridades venezuelanas com foco na libertação dos seis luso-venezuelanos que ainda se encontram detidos.
“Neste momento, temos seis luso-descendentes detidos que também têm acusações de delito comum. No entanto, as suas famílias afirmam que estas acusações são infundadas”, indicou.
O Secretário de Estado das Comunidades explicou, na audição parlamentar, que foi à Venezuela, entre 31 de março e 03 de abril, e que, no primeiro dia, se reuniu logo com o ministro das Relações Exteriores venezuelano, Yván Gil, tendo a questão dos detidos sido um dos temas debatidos.
“O ministro pediu-me que lhe indicasse o nome dos seis luso-venezuelanos detidos e essa informação foi rapidamente transmitida”, indicou, acrescentando que, entre outras reuniões e encontros, esteve com as famílias dos detidos.
Emídio Sousa referiu também que 25% da ajuda externa portuguesa é para a Venezuela, disse que o Governo está disponível para ajudar a reerguer a nação sul-americana e que Portugal apoia o levantamento de algumas sanções à Presidente interina, Delcy Rodríguez.
Os Estados Unidos da América efetuaram uma intervenção militar, no início do ano, na Venezuela que resultou na detenção do ex-Presidente Nicolás Maduro.
Maduro foi capturado pelas autoridades norte-americanas e transferido para os Estados Unidos, onde enfrenta acusações relacionadas com narcotráfico e outros crimes.




