UE/Cimeira: É altura de reafirmarmos a unidade e a firmeza da Europa – PM 

Primeiro-ministro em Nova York. Foto divulgação

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou hoje ser “altura de reafirmar a unidade e a firmeza” da União Europeia na relação com os Estados Unidos, porque só assim a Europa conseguirá “salvaguardar” os seus interesses face a Washington.

“Eu creio que é a altura de reafirmarmos a unidade e a firmeza da Europa na defesa dos princípios da soberania, da integralidade territorial dos seus Estados e de, privilegiando a nossa relação transatlântica com os Estados Unidos da América, de sermos intransigentes nesse domínio”, declarou o chefe de Governo, na chegada à reunião extraordinária do Conselho Europeu, em Bruxelas.

Falando numa “reunião informal muito importante, numa altura crucial do ponto de vista político, do ponto de vista económico, do ponto de vista da segurança coletiva”, Luís Montenegro adiantou que, “uma lição que se pode tirar” das atuais tensões, entretanto atenuadas, “é que quando a Europa está firme e unida os seus pontos de vista podem ser salvaguardados”.

“Quando a Europa se divide em posições muito individualizadas e pouco consertadas naturalmente fica mais frágil e os seus interesses mais difíceis de garantir”, acrescentou, defendendo na UE “uma posição conjunta que possa ser um sinal expressivo para todo o contexto internacional de unidade, de firmeza, de colaboração também, mas de produção de um caminho, que é um caminho de afirmação da autonomia estratégica da Europa”.

Questionado sobre o futuro das relações transatlânticas, após as recentes tensões sobre a Gronelândia, Luís Montenegro considerou que “não há ninguém que possa neste momento antecipar com grandes certezas o que será o futuro”.

“Vivemos tempos de imprevisibilidade e temos de estar conscientes disso e de, alguma maneira, ajustar os nossos procedimentos e as nossas ações a esse contexto. Não vale a pena nos estarmos a lamentarmos – temos de nos ajustar, temos de nos relacionar com os nossos parceiros, mesmo com os norte-americanos dentro desta base”, elencou.

Os líderes da União Europeia reúnem-se hoje numa cimeira extraordinária em Bruxelas para discutir as relações transatlânticas após ameaças dos Estados Unidos, entretanto retiradas, de impor tarifas a países que se opõem às intenções norte-americanas sobre a Gronelândia.

O encontro de alto nível começou cerca das 19:30 locais (menos uma hora em Lisboa) com um minuto de silêncio e uma mensagem de condolências ao chefe de Governo espanhol, Pedro Sánchez, pelas vítimas dos recentes trágicos acidentes ferroviários em Espanha.

Na cimeira extraordinária, os chefes de Governo e de Estado dos 27 do bloco europeu vão tentar enviar um sinal político forte de unidade, sublinhando que a soberania territorial e a lei internacional são princípios fundamentais da política externa da UE, face às intimidações sobre a Gronelândia, um território autónomo da Dinamarca.

No passado fim de semana, o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas (de 10% em fevereiro e de 25% em junho) sobre oito países europeus, entre os quais seis Estados-membros da UE (Dinamarca, Suécia, França, Alemanha, Países Baixos e Finlândia) e dois outros (Noruega e Reino Unido).

Porém, já esta quarta-feira à noite, Trump recuou, ao anunciar um acordo com o secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Mark Rutte, sobre a Gronelândia, e a suspender a ameaça de tarifas.

Ainda assim, é realizada na capital belga a cimeira extraordinária.

Conselho de Paz

Montenegro avisou que “qualquer visão alternativa às Nações Unidas” é desajustada e não terá o acolhimento de Portugal, apesar de admitir que um Conselho de Paz para monitorizar a situação na Faixa de Gaza poderá ter “alguma participação”.

Em declarações aos jornalistas, Luís Montenegro disse que, perante os restantes líderes europeus, irá defender “uma posição de unidade” no que se refere à participação dos Estados-membros no Conselho de Paz, criado por Donald Trump, mas deixou um aviso.

“É importante que fique muito assente que qualquer visão alternativa às Nações Unidas não terá o nosso acolhimento. Não há alternativa às Nações Unidas, é nas Nações Unidas que o contexto multilateral se expressa e a concertação das Nações se deve evidenciar”, acentuou.

O primeiro-ministro referiu, contudo, que “a ideia de poder haver um Conselho de Paz para acompanhar e monitorizar o processo de paz na Faixa de Gaza pode eventualmente ter algum desenvolvimento e alguma participação”.

“Tudo aquilo que possa extravasar esse objetivo, de uma natureza genérica de intervenção de alguma maneira concorrencial com o espírito e funcionamento das Nações Unidas, parece-nos completamente desajustado”, frisou.

Montenegro disse, no entanto, que não pretendia adiantar mais nada sobre este assunto de momento, porque “quem procura uma solução de unidade, de solidariedade e de uma posição conjunta, também precisa naturalmente de ouvir os outros parceiros”.

“É isso que Portugal fará”, referiu.

Nestas breves declarações aos jornalistas, Montenegro foi ainda questionado se discutiu e coordenou com o Presidente da República, mas também com os dois candidatos presidenciais – António José Seguro e André Ventura –, as posições que Portugal irá assumir nesta cimeira.

Sem responder se falou com os dois candidatos, o primeiro-ministro salientou que Marcelo Rebelo de Sousa está “no exercício pleno da sua função” e frisou que “toda a cooperação institucional continua a ser feita entre o Governo e o Presidente da República”.

“Posso confirmar que já falei algumas vezes com o senhor Presidente da República sobre este e outros temas da nossa agenda interna e externa”, disse.

Sobre se admite mudar a sua posição de neutralidade relativamente às eleições presidenciais, depois de a RTP ter avançado que Luís Marques Mendes deverá apoiar António José Seguro na segunda volta, Montenegro disse apenas que não tem nada a acrescentar sobre a matéria.

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