Onda de Calor: Doze distritos sob aviso vermelho entre quinta-feira e sábado

Uma criança refresca-se num lago de um parque infantil em Évora, quando os termómetros chegaram aos 40 graus, 13 de julho de 2022. NUNO VEIGA/LUSA

 O aviso vermelho devido ao calor vai ser alargado a partir de quinta-feira a Santarém, Portalegre, Évora e Beja, além de Lisboa e Setúbal, estendendo-se na sexta-feira a Viana do Castelo, Braga, Porto e Aveiro, além de Coimbra e Leiria.

De acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), 12 dos 18 distritos de Portugal continental vão estar sob aviso vermelho (o mais grave de uma escala de três), a partir de quinta-feira e até pelo menos sábado, devido à previsão de tempo quente, com “persistência de valores extremamente elevados de temperatura, quer da máxima, quer da mínima”.

Os restantes seis distritos do continente, designadamente Vila Real, Bragança, Viseu, Guarda, Castelo Branco e Faro, vão estar sob aviso laranja (o segundo mais grave), entre quinta-feira e sábado, segundo o IPMA.

As anteriores previsões meteorológicas, divulgadas na manhã de hoje, colocavam os distritos de Lisboa e Setúbal sob aviso vermelho por causa do calor a partir de quinta-feira, estendendo-se na sexta-feira a Coimbra e Leiria.

O aviso vermelho é o mais grave e surge numa altura em que Portugal entra num período de temperaturas elevadas, com máximas que podem chegar aos 44 graus Celsius (ºC) e mínimas entre os 24ºC e os 28ºC.

Além dos avisos a partir de quinta-feira, ao dia de hoje (quarta-feira), a partir das 17:30, há quatro distritos sob aviso laranja de tempo quente, nomeadamente Castelo Branco, Portalegre, Évora e Beja, e os restantes 14 distritos estão sob aviso amarelo (o menos grave).

Numa nota divulgada na terça-feira, o IPMA alertou que se prevê um “longo período com tempo quente e seco”, com a temperatura máxima a atingir valores entre 35 e 41°C na generalidade do território, sendo entre 41 e 44°C no vale do Tejo e no Alentejo já a partir de hoje.

“A temperatura mínima irá registar valores superiores a 20°C igualmente em grande parte do continente, havendo regiões onde as temperaturas poderão não baixar dos 24 a 28°C durante várias noites, entre as quais a Grande Lisboa”, acrescenta a nota.

Quanto à duração temporal deste período de tempo quente e seco, o IPMA diz que “está previsto ser de, pelo menos, uma semana”.

Por causa do calor, os hospitais já ativaram o nível mais baixo dos planos de contingência e a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, disse que as unidades estão preparadas, mas admitiu dificuldades devido à falta de recursos humanos.

As autoridades de saúde preveem um aumento da mortalidade nos próximos dias, em que está prevista uma onda de calor, com temperaturas máximas que podem chegar aos 44ºC, disse hoje a secretária de Estado da Saúde, Ana Povo.

A governante salientou que esta informação reforça a importância de antecipar medidas de prevenção e de proteção das pessoas em maior risco, como idosos, crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas.

No âmbito do plano de saúde para as ondas de calor, os municípios estão a identificar locais de abrigo temporário climatizados, que poderão ser ativados sempre que a situação climatérica o justifique, para acolher pessoas mais vulneráreis às temperaturas altas previstas para os próximos dias.

Também a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) elevou o estado de prontidão especial para o nível III, tendo em conta o previsível “agravamento muito significativo” do perigo de incêndios rurais nos próximos dias.

A Câmara de Lisboa preparou o Pavilhão Casal Vistoso, no Areeiro, e o Pavilhão Manuel Castelo Branco, em São Vicente, para funcionarem, em caso de necessidade, como abrigos temporários para a população mais vulnerável face à onda de calor.

Estes dois pavilhões estão preparados para abrir em resposta à previsão de tempo quente, mas só abrem se se revelar mesmo necessário, estando a operacionalização destes espaços a ser feita em estreita articulação com a Direção-Geral da Saúde.

Presidente

O Presidente pediu hoje que os portugueses sigam “todas as instruções” que as autoridades nacionais vão emitir nos próximos dias para lidar com a onda de calor esperada e tenham “muito cuidado” na prevenção de incêndios.

“Deixo aqui um apelo para que todos nós possamos, em primeiro lugar, ter muito cuidado na prevenção, para evitar incêndios, e seguir todas as instruções das autoridades: quer de saúde, no sentido de boa hidratação e para que as pessoas mais vulneráveis se protejam dessa onda de calor, quer da Proteção Civil no que diz respeito à prevenção de incêndios”, pediu António José Seguro em declarações aos jornalistas no final de um encontro com empresários portugueses em Paris.

O Presidente da República afirmou que, perante a onda de calor, “as autoridades públicas têm uma responsabilidade”, mas os cidadãos também.

“Cada um de nós, como cidadãos, também tem o dever de prevenir e fazer tudo, tudo, tudo, perante esta ofensiva desta onda de calor que está anunciada. E este é o apelo que o Presidente da República dirige a todo o país”, afirmou.

António José Seguro acrescentou que tem falado com o primeiro-ministro sobre esta matéria e recordou que o fenómeno dos incêndios tem sido uma preocupação sua desde que tomou posse.

“Aliás, manifestada também no relatório que elaborei durante a presidência aberta, sobre a situação de haver muito material de florestas que estão caídos”, disse.

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