“Somos fantásticos em estratégia e em diagnóstico, mas temos de ser melhores na execução”, disse António Calçada de Sá.
Por Ígor Lopes
O Conselho da Diáspora Portuguesa encerrou, a 16 de julho, na Nova SBE, em Carcavelos, Cascais, a nona edição do “EurAfrican Forum”, lançando um apelo à concretização de projetos que reforcem a cooperação económica entre Europa e África, após dois dias de debate que reuniram líderes políticos, empresários, académicos e representantes institucionais dos dois continentes.
Durante dois dias, mais de 700 participantes discutiram oportunidades de investimento, desenvolvimento sustentável, inovação, energia, infraestruturas, comércio internacional e capital humano, sob o tema “Africa Rising: Prosperity Through Global Cooperation”.
A mensagem de encerramento ficou a cargo do presidente da Direção do Conselho da Diáspora Portuguesa, António Calçada de Sá, que defendeu uma mudança de paradigma nas relações entre Europa e África.
Para este responsável, o futuro da cooperação euro-africana dependerá da capacidade de executar projetos que criem riqueza local e promovam uma verdadeira industrialização do continente africano.
Nesse sentido, alertou que “somos fantásticos em estratégia e em diagnóstico, mas temos de ser melhores na execução”, defendendo que “as fábricas têm de ser feitas em África, o desenvolvimento tem de ser feito em África e a prosperidade tem de existir em África”.
António Calçada de Sá defendeu também uma aposta reforçada na educação, na formação profissional e na transferência de conhecimento, considerando que o reforço da cooperação deverá envolver empresas, universidades e instituições públicas na concretização de projetos estruturantes nas áreas da energia, infraestruturas, saúde e inovação.
Como um dos principais resultados da edição de 2026, anunciou ainda a elaboração de um White Paper que reunirá as principais conclusões e recomendações saídas do Fórum, desafiando os participantes a identificar iniciativas concretas capazes de reforçar a parceria entre Europa e África e de transformar diálogo em ação e cooperação em impacto concreto.
Também presente no encontro, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, enquadrou África como um parceiro estratégico para o futuro da Europa, defendendo que o crescimento demográfico do continente e a expansão da língua portuguesa reforçam o peso internacional da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Na sua intervenção, destacou que “o continente africano será sempre a plataforma de afirmação da CPLP”, defendendo uma aposta continuada na cooperação científica, tecnológica, educativa e cultural entre os países lusófonos, bem como na complementaridade económica entre Europa e África.
O governante sustentou ainda que a proximidade geográfica e temporal entre os dois continentes representa uma vantagem competitiva frequentemente subvalorizada, defendendo que essa realidade deverá ser aproveitada para aprofundar o investimento, a circulação de conhecimento e a integração empresarial.
Seguro e Chapo reforçam confiança como base da cooperação
Entre os momentos de maior destaque do Fórum esteve a conversa entre o presidente da República Portuguesa, António José Seguro, e o presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, que convergiram na defesa de uma cooperação assente na estabilidade, na confiança institucional e no investimento produtivo.
Daniel Chapo considerou que Moçambique reúne atualmente condições favoráveis para aprofundar as relações económicas com Portugal, afirmando que “queremos mais investimentos em Moçambique, mais empresários portugueses em Moçambique e mais empresários moçambicanos em Portugal”, sublinhando que a atual estabilidade política constitui um fator decisivo para consolidar essa confiança.
Por sua vez, António José Seguro defendeu que as relações bilaterais vivem um momento particularmente favorável, salientando que “isso gera confiança, gera estabilidade, gera previsibilidade e isso é muito relevante para os empresários e para os investidores”, reafirmando também a disponibilidade portuguesa para continuar a cooperar com Moçambique em áreas como segurança, formação, investigação científica e desenvolvimento económico.
Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais reforça presença empresarial lusófona
Entre as entidades presentes esteve também a Câmara Portuguesa de Comércio no Brasil – Minas Gerais (CPCBMG), representada, através da sua delegação em Lisboa, por Arthur Andrade, reforçando a participação do setor empresarial lusófono nas discussões sobre comércio internacional, investimento e cooperação económica.
Segundo a instituição, a participação permitiu acompanhar os principais debates dedicados ao capital humano, energia, infraestruturas, inovação tecnológica, geopolítica e cultura, bem como aprofundar contactos com representantes governamentais, empresariais e institucionais de Portugal, Moçambique, Angola e de outros mercados africanos e europeus.
Ao longo da edição de 2026, o “EurAfrican Forum” consolidou-se novamente como uma das principais plataformas internacionais de diálogo entre África e Europa, encerrando com uma mensagem comum: transformar a cooperação política e institucional em projetos concretos capazes de gerar investimento, crescimento económico e prosperidade partilhada.




