Presidente português chega a Cabo Verde e vai receber a mais alta distinção

Presidente da República, António José Seguro (C), ladeado pelo Presidente da República de Cabo Verde, José Maria Pereira Neves (C-E), à chegada ao Palácio do Presidente, na Cidade da Praia, ilha de Santiago, Cabo Verde, 21 de julho de 2026. O Presidente da República de Portugal inicia hoje uma visita de Estado de três dias a Cabo Verde. ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

 O Presidente português, António José Seguro, vai ser condecorado com o Primeiro Grau da Ordem Amílcar Cabral, a mais alta distinção de Cabo Verde, durante a visita de Estado ao arquipélago que decorre a partir de hoje e até quinta-feira.

A primeira visita de Estado de Seguro a Cabo Verde “constitui um momento de grande significado político e simbólico nas relações bilaterais, reafirmando a vontade comum de elevar a parceria estratégica entre os dois Estados”, lê-se no decreto presidencial publicado hoje no boletim oficial do arquipélago.

A Ordem Amílcar Cabral destina-se a “distinguir personalidades cuja ação e percurso constituem um contributo excepcional para a promoção da liberdade, da democracia, da dignidade humana, da paz, da solidariedade e da cooperação entre os povos”, acrescenta.

A condecoração é justificada com “o compromisso manifestado” por António José Martins Seguro em relação ao aprofundamento da parceria estratégica, bem como com “o seu percurso de serviço público, pautado pela defesa dos valores da democracia, do diálogo, da liberdade, da justiça social, da solidariedade e da cooperação entre os povos”

Cabo Verde e Portugal mantêm uma relação de singular proximidade histórica, assinala o decreto presidencial, referindo que os dois países “continuam a aprofundar” uma parceria orientada para os domínios “da inovação, da economia azul, da ação climática, da ciência, da transição digital, da qualificação dos recursos humanos e do desenvolvimento sustentável”.

 Seguro chegou ao Aeroporto Internacional Nelson Mandela, na cidade da Praia, pelas 17:35 (19:35 em Lisboa) para uma visita de Estado de três dias.

Os primeiros pontos da agenda são protocolares: deposição de uma coroa de flores no Memorial Amílcar Cabral e cerimónia de boas-vindas no Palácio Presidencial.

Para as 19:40 (21:40 em Lisboa) está prevista uma conferência de imprensa conjunta com o Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, após um encontro entre ambos, alargado às delegações.

António José Seguro escolheu Cabo Verde para a sua primeira visita de Estado e chegou ao arquipélago cerca de um ano depois da mais recente passagem de um Presidente português.

Marcelo Rebelo de Sousa fez a última viagem às ilhas em julho de 2025, para participar nas comemorações dos 50 anos da independência.

Seguro é um novo protagonista na relação bilateral, mas não é o único.

Cabo Verde elegeu em maio uma nova maioria do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), numa viragem à esquerda liderada por Francisco Carvalho.

Este ano, Cabo Verde tem ainda eleições presidenciais marcadas para 15 de novembro – José Maria Neves ainda não se pronunciou sobre uma eventual candidatura a um segundo mandato.

Relações económicas, cooperação bilateral e gestão dos oceanos são temas em foco no programa da visita de Seguro.

Um fórum económico Cabo Verde – Portugal está marcado para quarta-feira no auditório do banco central.

Na quinta-feira, o Presidente português participa na sessão de abertura da V Conferência Internacional da Década do Oceano dedicada ao tema “Economia Azul: Caminhos Sustentáveis”, na ilha da Boa Vista.

O programa inclui momentos institucionais e visitas a projetos em que participa a cooperação portuguesa, como o centro de hemodiálise do Hospital Agostinho Neto – Portugal apoiou no início do ano o primeiro transplante renal do arquipélago.

A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Ana Isabel Xavier, acompanha o Presidente nesta visita.

A comitiva de Seguro inclui sete deputados: Pedro Pinto (Chega), Paulo Núncio (CDS-PP), Ana Oliveira (PSD), Carlos Pereira (PS), Miguel Rangel (IL), Jorge Pinto (Livre) e Alfredo Maia (PCP).

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