A Universidade de Coimbra (UC) é muito forte no mundo da língua portuguesa, albergando milhares de estudantes dele oriundos, tendo vindo a reforçar, nos últimos anos, a sua atratividade internacional, disse hoje o vice-reitor João Nuno Calvão da Silva.
À agência Lusa, no dia em que a UC promove a primeira de três sessões de boas-vindas aos estudantes em mobilidade, de programas como o Erasmus, que ingressam na instituição no primeiro semestre do atual ano letivo, o vice-reitor para as Relações Externas e Alumni (antigos alunos) notou que o “recorde histórico” de estudantes estrangeiros em Coimbra irá voltar a ser batido no ano letivo que agora começa.
“Hoje já temos os números definitivos do ano anterior, em que vieram 2.231 estudantes. Este ano, pela comparação homóloga, vamos voltar a bater esse recorde histórico [as previsões apontam para mais de 2.300 estudantes em mobilidade, de 120 países]. Está aqui a haver uma dinâmica de internacionalização que eu julgo que é quase imparável, porque, ano após ano, temos batido recordes históricos”, vincou.
No caso específico de estudantes de países de língua portuguesa, Calvão da Silva frisou que “a língua portuguesa impõe-se” na Universidade de Coimbra, em especial junto de estudantes brasileiros, que são já mais de 3.000 alunos, muitos dos quais em programas de mobilidade académica – em que o estudante cumpre um semestre ou a totalidade do ano letivo – com especial apetência para o curso de Direito.
“Os brasileiros procuram muito a faculdade de Direito e assim também os países lusófonos em geral, porque o Direito dessas paragens é de matriz portuguesa. E muitas das vezes foi mesmo feito por mestres da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra”, revelou Calvão da Silva.
Aludiu, concretamente, ao caso do ordenamento jurídico da região administrativa especial de Macau, na República Popular da China, que foi feito por Paulo Mota Pinto, no código civil, ou Figueiredo Dias, no código penal, entre outros.
“E temos lecionado lá sucessivas gerações de estudantes, com um acordo de cooperação forte com a Universidade de Macau, há mais de 40 anos. Compreende-se, por isso, que a faculdade de Direito seja muito procurada”, reforçou.
Em Cabo Verde, acrescentou João Nuno Calvão da Silva, está outro polo de ligação aos países de língua portuguesa, neste caso na área da medicina: “Os futuros médicos de Cabo Verde passam cá dois anos da sua formação, no âmbito do mestrado integrado, e no âmbito de um acordo de cooperação entre os dois Estados que mobilizou a Universidade de Coimbra e a Universidade de Cabo Verde para esse efeito”.
“É isso que vamos tentando replicar noutras latitudes e demonstra que a Universidade continua a ser muito forte nesse mundo de língua portuguesa e a ter muita atratividade internacional”, observou o vice-reitor.
Em Coimbra, que durante séculos foi a única universidade da lusofonia, o vice-reitor gostaria de ter ainda mais alunos de países africanos de língua portuguesa.
“É uma pena que não possamos ter mais, porque, muitas vezes, eles não têm condições para aqui estar mais, não obstante aquilo que o Estado português vai permitindo, de terem as propinas mais baixas do que outros estudantes internacionais. E também se dá a situação de não podermos fazer reserva de lugares, por uma questão de equidade e de igualdade de oportunidades, têm de ir a concurso uns com os outros”, argumentou João Nuno Calvão da Silva.



