Provedores do Estudante defendem maior articulação com o Governo no apoio a alunos internacionais

Foto Reprodução / Politécnico de Leiria

 Os provedores do estudante defenderam hoje uma maior articulação com o Governo no apoio aos alunos internacionais, no âmbito do encontro nacional, que decorre em Coimbra, disse à Lusa a presidente da rede.

Sob o tema “Direitos Humanos no Ensino Superior”, a 15.ª edição reflete uma preocupação crescente no contexto académico com os alunos internacionais, cujo número tem aumentado.

A presidente da rede de provedores do estudante, Rosa Gonçalves, adiantou à Lusa que o tema central do painel da manhã foram precisamente os alunos internacionais. “Ficou o desafio de tomarmos uma posição conjunta dos provedores, conjuntamente com os presidentes destas organizações, para enviarmos um memorando aos nossos ministros e à tutela com a necessidade de uma maior articulação no caso destes alunos”, explicou.

Sublinhando que as “instituições de ensino superior não são barrigas de aluguer” e que os “alunos não podem vir com um visto de estudante para trabalhar”, Rosa Gonçalves explicou que as linhas orientadoras do memorando passam por garantir um acesso “mais fácil” aos vistos.

“O visto é uma questão de segurança nacional e depende do ministério, mas tem de haver uma articulação maior para o agendamento das reuniões. É isso que pedimos. E também a autorização de residência dos alunos quando vêm para Portugal”, que tem de ser célere.

Rosa Gonçalves reforçou que para os estudantes internacionais obterem a “autorização de residência têm de ter um certificado de frequência das disciplinas e da instituição, portanto não podem vir para cá com vistos de estudante para trabalhar”.

A provedora acrescentou que estes alunos vêm para estudar em Portugal e é nessa condição que as instituições de ensino superior os têm de receber.

O evento, que se iniciou hoje e termina esta sexta-feira, irá também dedicar um painel “à partilha de experiências dos congéneres internacionais” que estão presentes, de países como a Argentina, Chile, Brasil e México. “Vão dizer o que acontece nos países deles, que são às vezes realidades um bocadinho diferentes das nossas, mas que acaba por acontecer também cá”, acrescenta.

Segundo Rosa Gonçalves, esta partilha poderá contribuir para “antever e prevenir situações, que os nossos colegas já têm essa experiência”.

“Costumo dizer: sozinho eu chego mais rápido, mas juntos chegamos mais longe.”

A Universidade Politécnica de Coimbra coorganiza o 15.º Encontro Nacional de Provedores do Estudante, em parceria com a Rede Portuguesa de Provedores do Estudante do Ensino Superior.

Ao longo dos dois dias, o evento vai reunir responsáveis de diversas entidades ligadas ao ensino superior, nomeadamente, Conselho Coordenador de Institutos Superiores Politécnicos, Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, Associação Portuguesa de Ensino Privado, Federação Nacional de Associações de Estudantes do Ensino Superior Politécnico (FNAEESP), Instituto para o Ensino Superior (IES), Conselho Nacional para a Inovação Pedagógica no Ensino Superior (CNIPES), Grupo Ensino Superior Mais Inclusivo, entre outros, refere uma nota de imprensa.

“A partir da perspetiva das provedorias do estudante como espaços de acolhimento, integração, respeito, valorização da diversidade, escuta ativa e participação, os diferentes atores do ensino superior irão refletir sobre o respeito pelos direitos humanos nas instituições”, acrescenta o comunicado.

A organização sublinha que pretende “identificar procedimentos, destacar boas práticas, conhecer políticas existentes e, sobretudo, contribuir para a construção de uma academia promotora da dignidade humana, que valorize e dê voz a todos aqueles que nela vivem, trabalham, aprendem e investigam”.

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