Coração de D. Pedro IV exibido no Porto nos dias 25, 26 e 27

O coração de D. Pedro IV, guardado desde os anos 1930 no mausoléu da Igreja da Lapa, no Porto, voltará a ser exibido nos dias 25, 26 e 27 de setembro, revelou hoje a Irmandade da Lapa.

Começando por dizer que “há quase dois séculos, um rei deixou ao Porto aquilo que tinha de mais precioso”, a Irmandade da Lapa revela hoje que o coração será “excecionalmente exposto ao público, num percurso evocativo pelos momentos decisivos da vida do monarca” que marcou a história de Portugal e do Brasil.

“Mas por que razão quis D. Pedro que o seu coração permanecesse no Porto? Que relação tão profunda o unia à cidade? E que história se esconde por detrás deste extraordinário legado? Em setembro, a Irmandade da Lapa convida a descobrir essa história. Nos dias 25, 26 e 27 de setembro, o coração de D. Pedro IV será excecionalmente exposto ao público”, lê-se na publicação no Facebook.

O rei D. Pedro I do Brasil e D. Pedro IV para Portugal foi o monarca que conduziu o Brasil, antiga colónia portuguesa, à independência e o seu corpo encontra-se na cidade brasileira de São Paulo.

O monarca doou o seu coração ao Porto porque viveu na cidade durante os meses do Cerco do Porto (entre julho de 1832 e agosto de 1833) e “houve entre ele e a população uma cumplicidade enorme”, explicou, em 2013, à Lusa o historiador e mesário da Ordem da Lapa Ribeiro da Silva, que classificou a doação de “um gesto único na história de Portugal”.

À data, o historiador explicava que o coração não estava exposto porque “é um órgão muito frágil” e com muitos anos, sendo que a Ordem da Lapa tentava que se abrisse “o menos possível” o mausoléu.

D. Pedro IV morreu em setembro de 1834 e a sua mulher, D. Amélia, “fez encerrar o coração num escrínio (uma espécie de vaso, ou guarda-joias) com duas tampas e entregou-o ao ajudante de campo do rei que veio de Lisboa para o Porto num navio”.

O coração chegou ao Porto em fevereiro de 1835, quase cinco meses após a morte do monarca, e foi “em procissão da Ribeira para a Lapa” e “toda a cidade esteve presente”.

O coração chegou à Lapa numa urna de madeira de mogno, dentro da qual estava um estojo (o original foi a única peça substituída, mas mantêm-se na igreja) e, lá dentro, um vaso de prata dourada com duas tampas.

Seguiram-se “dois anos de espera” para a Câmara e a Irmandade da Lapa “chegarem a acordo sobre o sítio onde devia ficar o monumento”, período durante o qual o coração “ficou na capela-mor à guarda de uma sentinela, porque havia receios que fosse roubado”, contextualizou Ribeiro da Silva.

Em agosto de 2022, o coração de D. Pedro IV foi exposto na Igreja da Lapa antes de ter sido transladado para o Brasil, no âmbito das comemorações do bicentenário da independência do país.

A transladação do coração foi, à data, votada pelo executivo municipal e, devido à sua fragilidade, chegou a ser pedida uma peritagem técnica ao Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, que concluiu ser possível realizar a mesma, mediante a “exigência de um transporte em ambiente pressurizado”.

Na quinta-feira, a Câmara do Porto anunciou que pretendia voltar a exibir o coração de D. Pedro IV e explicou que, durante a preparação dos espaços destinados a acolher a exposição, “verificou-se a necessidade de uma intervenção de reparação no teto da Galeria dos Retratos da Irmandade da Lapa”, tendo sido decidido votar a atribuição de um apoio para tal.

“Para assegurar as condições de fruição pública, assim como a dignidade da iniciativa, os trabalhos incluem a reparação e impermeabilização daquela área e a decorrente recuperação do teto, num custo global calculado em 2.550 euros”, acrescentou o município.

A Irmandade da Lapa descreve hoje a iniciativa como “uma história de coragem, lealdade, guerra e liberdade, uma história entre um rei e uma cidade e uma história que permanece viva no coração da Lapa”.

A exposição vai estar parente na Casa da Irmandade – Galeria dos Retratos, na Igreja da Lapa, não se conhecendo para já o programa detalhado.

Arquivo/2022

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