Instituto Camões promete valorizar salários de docentes de português no estrangeiro

Foto ONU News/Sara de Melo Rocha

 A presidente do Instituto Camões (IC) prometeu hoje que as negociações com os sindicatos irão permitir valorizar os salários e as carreiras dos docentes que ensinam a língua portuguesa fora de Portugal.

Florbela Paraíba referiu que as duas partes têm um objetivo comum, “a valorização das carreiras e remuneratória dos professores do Ensino de Português no Estrangeiro” (EPE), que descreveu como “um recurso muito importante”.

“Os professores são insubstituíveis, assim como aquilo que se aprende na sala de aula, nem nós o queremos substituir por meios digitais, que servem apenas para complementar”, sublinhou a diplomata de carreira.

O IC está sob a tutela do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) português.

No final de julho, os sindicatos reconheceram uma “evolução positiva” nas negociações com o MNE relativas ao novo Regime Jurídico do EPE, aguardando a proposta das novas tabelas salariais.

Em declarações à Lusa, o secretário-geral adjunto da Federação Nacional de Educação (FNE), Paulo Fernandes, considerou que “tem havido uma evolução nas propostas que o ministério tem apresentado”, sublinhando que há uma flexibilização das comissões de serviço e garantia de contagem do tempo de serviço para os professores de EPE que queiram regressar à carreira em Portugal.

Uma visão partilhada pelo presidente do Sindicato de Professores no Estrangeiro (SPE), Bruno Silva, que confirmou que as alterações apresentadas pelo Governo “já acomodaram algumas propostas” da sua estrutura.

Entre os avanços, o dirigente do SPE destacou a clarificação da contagem do tempo de serviço “para efeitos de concurso e progressão na carreira para os docentes que não têm vínculo em funções públicas”.

Para pressionar o executivo e exigir que as tabelas salariais reflitam o real custo de vida nos respetivos países, os professores do EPE submeteram uma petição, que contava até hoje contava com 8.852 assinaturas.

Florbela Paraíba falava num evento em Macau, território chinês, onde o português é língua oficial e que descreveu como “uma plataforma para a projeção do ensino da língua portuguesa na Ásia”.

A presidente do IC apontou a região asiática como prioritária para a língua portuguesa e revelou que a instituição quer criar uma segunda cátedra de português no Japão, além da já existente na Universidade de Estudos Estrangeiros de Quioto.

“Estamos a trabalhar, mas não sabemos ainda onde poderá ser, esperemos que pode ser [numa universidade] em Tóquio”, referiu Paraíba.

A dirigente apontou ainda como prioridades Timor-Leste, onde a língua portuguesa tem “um fator identitário”, e Angola, onde o português “tem crescido imenso, durante e depois da guerra [civil], também por vontade política, de agregação”.

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